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Madworld

A sobrevivência do mais forte!

Quando foi anunciado o desenvolvimento de Madworld para a Nintendo Wii o primeiro aspecto que começou por causar algum burburinho foi o enquadramento gráfico do jogo, ao jeito dos “comics” americanos e na atenção posta em metragens cinematográficas do género como Sin City de Frank Miller, que antes da adaptação ao grande ecrã tinha despertado uma onda de entusiasmo nos desenhos pela estética noir, algures entre realismo e design estilizado. Mas mais que isso a apresentação do projecto Madworld permitiu perceber que o dinamismo de um projecto inovador, independente e destacado iria ganhar desenvoltura na plataforma que ostenta toda uma definição revolucionária, por muito que a maioria das produções dos grandes grupos se esforcem por esbater o conceito. Para a Platinum Games, produtora, a Wii representa também o domínio no mercado com um número de consolas vendidas nos três continentes de modo amplo.

Nada melhor por isso que ir ao encontro da consola mais notabilizada e logo para entregar um título maduro dirigido para aqueles jogadores que se queixam da falta de jogos de cariz “hardcore” para o sistema da Nintendo. Em grande medida a chegada de Madworld à consola da Nintendo afasta alguma daquela atmosfera de cariz juvenil e familiar que tantas vezes parece ser a única oferta a que os utilizadores da máquina ficam sujeitos e prova, ao mesmo tempo, que é possível desenvolver com criatividade, superando barreiras, introduzindo um cariz “gore” e explícito mas fantasioso na forma como publica a violência e, no fundo, concretizar uma grande produção sob o selo da inovação sem deixar de entregar qualidade. Madworld é uma experiência delirante, concisa e bem conseguida, ainda que visto numa perspectiva lateral possa causar uma certa perplexidade. Um jogo à partida bizarro, demente e proibitivo consegue esbater a cortina mais caustica e ilusoriamente agreste para parodiar, entregar humor e providenciar uma jogabilidade tecnicamente perfeita e ajustada ao alcance e dinamismo dos controlos.

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Ele não vai parar de circular mesmo preso ao pneu e com o sinal espetado na cabeça. Jack talvez esteja a pensar noutras soluções. Tudo pelos pontos.

Sendo um projecto independente, ainda que ancorado na Sega enquanto mãos a medir, entra depressa na vulnerabilidade das vendas, correndo riscos de menor aceitação ou esquecimento nos mercados, mas presta um contributo importante na definição e prossecução das ideias iniciais dos seus autores. Só com esta mentalidade intrépida foi possível chegar a patamares de excelência como Okami ou Viewtiful Joe, dois jogos que representam o crivo da criatividade e originalidade, mesmo quando as tabelas de vendas não lhes prestem justiça. Para bem da indústria Atsushi Inaba continua a fazer o que melhor sabe e sobretudo continua a mostrar-se como um produtor versátil, capaz de espremer com determinação cada género que abraça nas suas produções.

Madworld é um produto excêntrico e encerra um mecanismo bem diverso perante as demais obras do autor e até dos jogos existentes no mercado que aqui e acolá tenham servido de inspiração. Nem é tanto pela estética noir ou mesmo a acção cruel e selvagem que funcionam como grandes secções distintivas. Madworld transporta o jogador para a pele de uma personagem que enfrenta o grande desafio da sobrevivência, dentro de um concurso monitorizado pela perspectiva do lucro motivado pelas audiências e patrocinadores que querem ver Jack trepar por uma escala de assassinos atirados irremediavelmente para uma arena representada pela ilha nova iorquina de Jefferson.

O argumento é cuidado e até ao desfecho surpreendente sugere diferentes pistas e formas de progressão da personagem principal, nunca se sabendo muito bem o que virá de seguida, beneficiando ainda de uma apresentação bem similar aos comics com vinhetas e imagens em sobreposição, com as vozes dos protagonistas em grande ritmo, sendo esse um estilo que acaba por dominar do princípio ao fim. Jack, Jack Cayman é um durão na casa dos quarenta, voz embargada, peito sólido e definido, casaco à Motorhead – uma “men machine” com cigarro (sem filtro) no canto dos lábios e que herdou dos altos comandos uma vocação para o combate. No braço direito tem fixa uma serra movida a motor. Havia de combater ao lado do Marcus Fenix. Os dois bastavam para lidar contra as hordes de Locust. Mas Jack é de longe mais arrepiante, um valente e sem o mínimo de pudor para retalhar os oponentes.

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