Kingdom Hearts II - Análise de Leitor

A Disney e a Square Enix vão-se juntar para fazer um jogo. Esse jogo vai ter personagens das duas companhias juntas. Sim, Cloud e Donald. Sim, Squall e Mickey. Sim, Sephiroth e Goofy. Mas que raio de ideia foi essa? Isso deve ser o pior jogo de sempre, uma tentativa descarada de ganhar dinheiro à custa das franchises. Ainda por cima deve ser muito infantil...

Este discurso foi proferido pela maioria das pessoas quando o primeiro Kingdom Hearts foi anunciado. Ou pelas pessoas que nunca jogaram nenhum. Quando o jogo saiu, as criticas foram atenuadas, porque não era mau de todo, embora tivesse algumas falhas que o impediam de ser dos melhores jogos da PS2. No entanto, ganhou uma grande legião de fãs, grande o suficiente para convencer Nomura a fazer uma sequela (só o iria fazer dependendo da aceitação do publico). E assim, em 2005 (2006 aqui na Europa), saiu Kingdom Hearts II.

Continuando a história do original, e do spin-off lançado para o GBA (Chains of Memories), Kingdom Hearts II apresenta um enredo bem conseguído, à boa maneira Square Enix. Cheio de Plot Twists e segredos por todo o lado, compreender o que se está a passar é um dos motivos para o jogador acabar o jogo. Infelizmente, as personagens podiam ser um pouco mais apelativas, é difícil gostar de Sora e da sua infantilidade. Ok, é um jogo da Disney, mas não exageremos, ele tem 15 anos. Por outro lado, o King Mickey está muito bem. O vilão do jogo é uma personagem genérica, não é alguem que nós deixa a ferver de raiva cada vez que aparece.

Os gráficos são um salto desde o original, mas podiam estar um pouco melhores. De qualquer maneira, são bastante aceitáveis para os padrões de uma PS2, e o jogo não peca por aí.

As musicas são um ponto fraco, tirando uma ou duas (Pirate ou o This is Halloween) não ficam na cabeça, e pouco ou nada contribuem para o ambiente do jogo, excepção feita à musica de entrada, Sanctuary, cantada por Utada Hikari, que já se tinha mostrado em bom nível no primeiro Kingdom Hearts.

O jogo não atinge mais de 25 horas na história principal, mas deve muito bem chegar ás 40 se quisermos completar o jogo a 100 % e vencer um Boss bem mais complicado que o final, como é costume em qualquer RPG que se preze.

A jogabilidade foi, para mim, o maior problema de Kingdom Hearts II. Sendo um Action RPG, devia ter combates tácticos e técnicos, uma mistura emocionante que não dava um segundo para respirar. Não, é um jogo extremamente básico (carregar X basta) e que dá muitos segundos para bocejar. Alem disso, há constantes cutscenes, e eu gosto disso, mas neste jogo é um abuso. Lutamos (e bocejamos) 3 minutos e uma cena de 3 minutos. Não é exagero nenhum. Maior parte delas são extremamente irritantes e infantis, quando podiam estar muito melhor conseguídas, os filmes da Disney são um bom material. Por causa disto, o jogo torna-se aborrecido e desmotivante.

Mais uma vez, poderia ter sido bem melhor. A história está a muito bom nível, mas é impossível aguentar aqueles combates por muito tempo. Não é um jogo a evitar, mas também não é uma primeira escolha. Não entra nos melhores da PS2.

Gráficos - 8/10 História - 9/10 Som - 7/10 Jogabilidade - 7/10 Longevidade - 8/10

7 / 10

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