GTA IV: The Lost and Damned

Perdidos mas só no nome.

Versão testada: Xbox 360

A introdução a Liberty City em Grand Theft Auto IV foi uma das melhores vistas na série, muito devido em grande parte ao seu elenco recheado de personagens mais “humanas” de onde evidentemente se destaca Niko Bellic. A consequente imersão no jogo saiu fortemente beneficiada e por entre carisma e humor, GTA IV deu-nos uma história e personagens que nos fizeram entrar num mundo credível, um mundo no qual as emoções humanas foram expostas e onde a abordagem ao conhecido sonho Americano conquistou requintes cinematográficos como raramente visto na série.

Testemunho em forma videojogável de como a sociedade molda o homem, Niko chega repleto de desejos apenas para descobrir que tudo é mentira e nada do que ouviu é verdade. A adaptação de Niko à nova vida, o conhecer de novas pessoas e o contornar de sonhos destruídos foram o ponto de partida para GTA IV e uma bela forma de agarrar o jogador. Em The Lost and Damned não estamos perante o imigrante ingénuo que por um sonho é forçado a vender a sua alma um bocadinho de cada vez, estamos perante um grupo de pessoas que gostam de viver à sua maneira, que ditam as suas regras, são completamente americanos e fazem questão de o mostrar. É admirável como usando o mesmo palco para os acontecimentos a Rockstar consegue dar uma atmosfera e ambiente diferente a cada uma das histórias. Se com Niko tudo era novo e diferente, o que também corresponde ao jogador pois estava a chegar à cidade, com Johnny já tudo é familiar e é quase como se vivessemos aqui há anos. Há quase um ano.

Não é de estranhar que GTA IV se tenha tornado num marco nesta indústria e numa referência para os fãs da série e do género em si mas a Rockstar não se quer ficar por aí. Controverso como quase tudo o que roda em torno da série, The Lost and Damned é o primeiro de dois episódios exclusivos para a Xbox 360 e a Rockstar não estava a brincar quando disse que pretendia fazer algo como nunca antes feito. Isto porque apesar de inserirem o mesmo disco de jogo, por vezes a sensação não é a de estar perante uma expansão ou conteúdos adicionais mas sim perante um novo jogo.

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Johnny e Billy. Nem tudo é doce quanto parece e o protagonista da nova aventura vai acartar com a confusão.

História diferente com protagonista diferente mas situações similares pois tal como Niko também Johnny passa a maior parte do tempo a limpar a porcaria feita pelos outros e num meio onde ter escrúpulos é sinal de fraqueza, Johnny revela ter princípios. Algo que não é propriamente benéfico entre os que o rodeiam. Billy, o chefe dos Lost, é completamente tresloucado e as únicas regras que alguma vez seguiu foram as necessárias para lhe garantir a saída da reabilitação. O livro de regras é seu para escrever e moldar as linhas das situações consoante a sua vontade no momento, ou quantidade de álcool ingerida. São precisamente estes os motivos da insatisfação que Johnny já não consegue esconder pois não compreende a necessidade em tanta violência gratuita e desmesurada causada por um homem que usa a palavra irmão ou irmandade quando lhe é conveniente. Este é o ponto de partida para esta nova aventura.

Como seria de prever, nova história significa também novas missões e entretanto vamos tendo uma nova perspectiva sobre alguns acontecimentos já conhecidos. Liberty City já não é mais uma estranha e vamos vê-la agora pela perspectiva deste motoqueiro e vamos conhecer o seu estilo de vida ao lado dos seus companheiros, dos seus “irmãos”. Uma vez que será frequente andar acompanhado, a Rockstar implementou uma novidade na jogabilidade de forma a tentar recriar no jogo os comportamentos associados a este tipo de grupos. Quando percorremos as ruas com os outros membros, ocasionalmente vai surgir o símbolo dos Lost no chão a indicar onde devemos permanecer para que a formação fique correcta. Se conseguirmos acompanhar a nossa saúde é regenerada um pouco e isto torna-se útil nas missões mais longas.

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Johnny tem carisma e mesmo perante o caos mantém o mínimo de calma possível, até quando tudo rebenta à sua volta.

Para os que se queixavam de serem forçados a repetir tudo do princípio quando falhavam uma missão, ou quando morriam, a Rockstar melhorou o sistema de Grand Theft Auto IV. Quando Niko falhava uma missão, recebia no telemóvel uma mensagem que caso aceite transportava o jogador para o início da missão falhada. Agora quando Johnny morre ou falha uma missão, a tarefa fica menos frustrante graças ao sistema de checkpoints melhorado e se aceitarem repetir a missão podem ir directamente para a parte onde perderam, sendo obviamente escusado repetir o que já fizeram na missão até falharem. A implementação destes checkpoints é mais do que bem vinda e não pensem que com isto as missões ficam mais fáceis. Menos frustrantes sim mas mais fáceis não pois precisam de fazer a gestão do armamento, as munições que gastam não vos são restituídas.

Como já várias vezes referido, aqui não somos um imigrante que anda sozinho, aqui somos um membro de um grupo e tal faz-se notar. Johnny tem amigos que pode chamar para ajudar a cumprir as missões e nalgumas delas são uma ajuda preciosa, enquanto que noutras pouco ou nada fazem. Sempre que chamados e quanto mais tempo passarem com eles mais fortes e melhor armamento eles utilizam. No entanto se perderem a meio de uma missão vão ter que os voltar a chamar caso decidam recuperar o último checkpoint atingido.

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