EA Sports Grand Slam Tennis

Little big smash!

Versão testada: Wii

Quando acabam de instalar o acessório Wii motion plus no wii remote ficam com aquela estranha sensação de terem recuado uns anos. Voltaram ao tempo em que a Sega foi pródiga em acoplar diversos sistemas de modo a erguer um manancial de processamento capaz de ostracizar a concorrência. Acontece que a Wii não tem concorrência. Ainda. Pelo menos enquanto não chega o projecto Natal à Xbox 360. Mas ainda que tenham em mãos um comando do tipo transformer certo é que algumas produtoras assumem a dianteira das novas potencialidades de um mecanismo que acrescenta mais rigor e profundidade nos movimentos. E se isso possibilita partidas de ténis virtual com apego na simulação, capaz de colher o gosto dos veteranos, então a EA quer marcar presença.

Os jogos de desporto continuam muito populares e quando sobra margem para inovar a EA tem sabido aproveitar as oportunidades, não deixando de ser relevante o plano estratégico traçado por Peter Moore. Sabíamos desde o ano passado que um novo jogo de ténis estava em desenvolvimento para a Wii, mas só na pretérita E3 pudemos constatar esse intento quando o ex-nº 1 do ATP e vencedor do Grand Slam, Pete Sampras, subiu ao palco para trocar umas bolas com Reggie Fils-Aime. Esta envolvência em torno dos principais torneios que formam o percurso dos maiores circuitos do ténis serve de base para Grand Slam Tennis. Com ele não só terão a possibilidade de inscrever o vosso nome na magra lista dos vencedores do famigerado circuito como poderão recorrer às lendas do ténis para fabricar outros sucessos.

Seja nos tradicionais mano a mano, a pares ou por intermédio da competição em rede, ao todo estão 23 tenistas, alguns já reformados e outros no exercício, destacando-se a título de exemplo John McEnroe, Roger Federer, Nadal, Andrew Roddick e Andy Murray no escalão masculino. Nas senhoras pode-se sublinhar a presença de Serena Williams, Lindsay Davenport, Justine Henin, e Sharapova. Estes são os protagonistas eleitos para percorrer os quatro grandes circuitos; open australiano e americano, Roland Garros e Wimbledon. Isto quer dizer que no uso da licença oficial destes torneios há mais de uma dezena de estádios recreados com grau de pormenor e distinção relevantes, sendo facilmente reconhecidos os palcos que servem de final para cada torneio, bem como os campos auxiliares aptos para as eliminatórias iniciais.

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Roddick efectuando uma backhand.

O objectivo imediato passa por aproveitar as oportunidades criadas para levar um jogador desconhecido, criado a gosto no editor, ao nível máximo do ténis, acumulando experiência e habilidades que promovam um master definitivo dentro do modo Grand Slam. Derrotando grandes tenistas em desafios lendários e outros adversários menos cotados a partir de provas específicas, não só permite despender um certo número de calorias como também permite desenvolver a batida em forehand, backhand, serviço, velocidade. Estas habilidades funcionam como pequenos poderes que incrementam a capacidade do vosso tenista até certo modo. No máximo só poderá utilizar três valências, daí a necessidade de ajustar as melhores em função do estilo do jogo do adversário, apresentado logo no ecrã de carregamento. Fazer um campeão de Grand Slam não é tarefa fácil, há que conquistar todos os torneios, pelo que perspectivem algumas temporadas de intensos desafios até conquistarem o melhor resultado.

O bom trabalho da EA Sports está também visível na modelação dos tenistas e construção do ambiente físico e humano envolvente. O propósito de gerar umas figuras que parecem uma evolução dos avatares da Xbox 360, conservando os traços dos protagonistas fidedignos, resultou em pleno. Essa aproximação não só permite identificar os jogadores como também facilita a movimentação no court e respectivas batidas, numa animação muito eficaz e com todos os traços que definem as partidas de ténis tal como vemos a partir da TV. No caso da terra batida é fenomenal aquele ligeiro deslizar para sacudir uma bola mais distante.

O próprio som das batidas em forehand de forma extrema, bola na rede, gritos dos atletas é de um realismo assinalável. Além disso as partidas são comentadas, com alguns comentários interessantes, apesar de rotativos ao fim de algumas horas de jogo. Mas do árbitro até ao público em êxtase, com as jogadas mais vibrantes, há toda uma emoção nas partidas, como se um jogo nunca estivesse com um rumo definido deixando os espectadores na indefinição e a vibrar com jogadas mais arrojadas . O mérito da EA Sports na construção gráfica deste Grand Slam, passa por ter percebido as limitações da Wii, não se escusando em minimizar os atletas, quase à forma de um cartoon, mas gabando-se na forma como a movimentação em campo, batidas e expressão nada deve aos jogos que seguem uma forma mais fotorealista, conseguindo até superar muita da concorrência no plano prático. Para um jogo de desporto é essencial.

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