Eternal Sonata - Análise

O mundo encantado dos sonhos.

Versão testada: PlayStation 3

Olhando para o historial da Tri-Crescendo, não é nada de estranhar o nome deste seu jogo, a temática que aborda e ainda os principais elementos deste seu novo mundo de fantasia. Criada por Hiroya Hatsushiba, precisamente o produtor deste Eternal Sonata, a Tri-Crescendo é a responsável pelo departamento sonoro de praticamente todos os jogos da Tri-Ace e como tal, trabalhou nos grandes clássicos que esta construiu. Olhando também para os seus anteriores trabalhos, Baten Kaitos, não é de estranhar quais os pontos principais e quais os destaques que fazem este seu mais recente trabalho. Eternal Sonata é um jogo no qual a música é um dos elementos base e essenciais e um jogo com um visual simplesmente delicioso de se ver. Frutos de visões sobre ambientes mágicos e encantadores que prometem cativar os jogadores que decidirem entrar nesta viagem.

Eternal Sonata quase que pode ser descrito como um conto de embalar, um conto mágico e emocionante que nos transporta para um outro mundo na forma de um RPG. Tentando algo nunca antes visto, a Tri-Crescendo conta-nos a história do pianista Frédéric Chopin que às portas da morte entra num sonho baseado em acontecimentos da sua vida. É uma forma muito interessante que a Tri-Crescendo encontrou de dar a conhecer a vida do pianista, de prestar uma homenagem e aí basear a história e elementos base do jogo. Realidade mistura-se com fantasia pois temos um mundo verdadeiramente de sonho, com personagens fictícios (à excepção do próprio Chopin) frente a ameaças tradicionais e bem inseridas no género RPG. No entanto, a realidade surge na forma como alguns acontecimentos e como os capítulos se desenrolam, pois os eventos no jogo são fruto de alguns acontecimentos reais, como as invasões e revoltas na terra Natal do pianista.

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Colocando o jogador dentro de um sonho, Eternal Sonata é em si um sonho visualmente.

Eternal Sonata é um RPG de acção sem encontros aleatórios e com um esquema de progressão e mundo altamente linear. Factores que o tornam muito apetecível para os menos habituados ao género mas que correm o risco de se tornarem intragáveis pelos adeptos mais dados a estas experiências. Por vezes o género RPG parece suplantado pelo género acção na medida em que os cenários que exploramos só apresentam um único caminho, mesmo que alguns apresentem pequenos desvios, os caminhos são maioritariamente estreitos e a exploração é praticamente nula. Para fazer conhecer o leque de personagens e manter a ênfase na história, temos longas sequências cinematográficas mas mais importante, não temos qualquer possibilidade de viajar livremente entre os locais que visitamos. Talvez para reforçar a ideia de uma viagem e para reforçar a importância que a narrativa exige, o que vai dividir os jogadores mesmo perante a história com grande ternura e os personagens interessantes.

Tal como já assinalado, Eternal Sonata é um RPG de acção o que significa que os seus combates oferecem total liberdade de movimentos ao jogador enquanto decorrem mas estes devem respeitar na mesma alguns elementos tácticos. Com dificuldade crescente com o decorrer do jogo, os combates decorrem por turnos e em cada turno controlamos cada uma das três personagens que podemos manter na equipa activa ao mesmo tempo, mas não é tão simples quanto caminhar para o inimigo e atacar. Cada botão do comando corresponde a uma acção e temos que ter em conta a maneira como a luz ou a sombra interferem nos combates. Cada personagem pode usar golpes especiais mas estes variam se estamos numa área com Sol ou à sombra. Isto também tem efeito sobre os inimigos não só na aparência como também na sua força e golpes. A isto devemos acrescentar o tempo disponível a cada turno, começa por ser cinco segundos e vai diminuindo com o passar do jogo para 3 segundos, para evitar que os combates sejam um simples jogo de martelar botões para assumir elementos tácticos. Por vezes é necessário gerir o uso das sombras e da luz à disposição para evitar inimigos mais poderosos, conforme os seus elementos, e também porque os golpes especiais têm o seu elemento específico.

Eternal Sonata tem ainda outro elemento na sua jogabilidade durante os combates que vai ser principalmente útil durante as lutas contra os bosses, os ecos. Ao aplicar quatro golpes da mesma categoria, como ataque ou ataque especial, criamos um eco que quanto maior, mais forte torna o nosso golpe especial. Para evitar uma quebra na dinâmica dos combates, a Tri-Crescendo assegura que não ficamos parados a assistir aos movimentos dos inimigos. Quando estes atacam, temos um determinado tempo para pressionar o botão de defesa e reduzir, drasticamente por vezes, o poder dos golpes que sofremos. Algo simplesmente essencial de dominar para as lutas contra os inimigos mais poderosos.

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Os combates são acessíveis mas nem por isso menos divertidos.

Durante as cerca de 30 horas necessárias para completar a aventura, vamos conhecer um mundo encantado e de uma beleza extrema. Quase como que se de uma animação se tratasse, Eternal Sonata é colorido e altamente belo. Os locais que visitamos são encantadores e inspiradores criando uma sensação e um apelo agradável no jogador. Não fosse o elevado escadeamento e poderíamos facilmente ser enganados a acreditar estar perante um filme animado. Os cenários que são colocados à nossa frente rivalizam com as melhores e mais bonitas imagens que alguma vez sonhámos e tudo é feito para criar uma verdadeira atmosfera de sonho, como se de verdade o jogador tivesse sido transportado para outro mundo. É provavelmente o principal cartão de visita do jogo e aquele que mais facilmente reúne as atenções e recolhe destaque.

Para um jogo com tanta influência e com tantos elementos do mundo da música incorporados, não estivesse a prestar homenagem a um famoso e bem conhecido pianista, Eternal Sonata apresenta uma componente sonora também ela de sonho. As vozes originais Japonesas asseguram um trabalho de elevada qualidade conseguindo tornar as personagens convincentes e os diálogos agradáveis. Aliadas à componente visual, as vozes conseguem conferir personalidade aos personagens e captar a atenção do jogador que também pode contar com uma banda sonora muito agradável. Bastante famoso pelos fãs de RPGs, Motoi Sakuraba consegue um trabalho muito interessante que sem ter temas que se destaquem ou que fiquem na memória, são temas que se enquadram no tom do jogo e ajudam a fornecer o espírito que pede. Os trabalhos originais de Chopin não podiam faltar e nas peças introdutórias aos capítulos e em momentos chave dos mesmos, ouvimos as mais famosas composições do pianista que apenas vêm reforçar o trabalho de homenagem que lhe é prestado.

Para os que vão optar pela versão Playstation 3, a Namco Bandai resolveu incluir alguns extras que surgem na forma de novas personagens jogáveis, o Príncipe Crescendo e a sua noiva Serenade, mas também em fatos que podemos colocar nos personagens assim que terminado o jogo pela primeira vez. Uma forma de cativar o jogador a voltar a jogar uma segunda vez pois se bem que encantadora, nem todos vão ter vontade de realizar tudo o que é possível como desbloquear todos os segredos.

Eternal Sonata é um RPG de acção altamente interessante para os aficionados. O seu esquema é altamente linear e a acessibilidade dos combates pode não agradar a todos mas o seu impressionante visual é algo que encanta qualquer um. Ainda não é o RPG que a maioria procura mas serve como um bom aperitivo para os mais impacientes e mesmo por si só, Eternal Sonata é um sonho encantador de conhecer.

8 / 10

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Comentários (19) Latest comment 3 anos atrás

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

  • TiagoCosta #1 3 anos atrás

    mais vale tarde do q nunca mas isto já saiu à bues.. (360)
  • cvigti #2 3 anos atrás

    17 setembro 2007 na xbox360
    21 outubro 2008 na ps3

    para ser mais preciso:)
  • stika #3 3 anos atrás

    discordo completamente da nota.

    excluíndo o grafismo e a banda sonora tudo no jogo deixa muito a desejar
  • Twiky #4 3 anos atrás

    Só faltam mesmo os troféus...

    Deve ser uma ciência muuuuito complicada a de pôr troféus nos jogos PS3.

    Pelo menos a ver pelos títulos que se diz que irão ter troféus e demora séculos (Tomb Raider, Brothers in Arms, etc.).
  • NiTaH #5 3 anos atrás

    Eu vi este jogo à pouco tempo à venda no Media Markt Leira mas os gráficos não me convenceram. Não duvido que seja um grande jogo. talvez quando tiver mais barato até compre.
  • V3rt1go Verificado Redator, Eurogamer Portugal #6 3 anos atrás

    Eternal Sonata (lançamento Europeu):
    Xbox 360 - 19/10/07
    PS3: 13/02/09
  • Bloody27 #7 3 anos atrás

    tenho o meu pa 360 à uns 2-3 meses e ainda nao joguei :p

    so pus para ver se estava a correr visto que tinha pedido de fora.

    mas acho o jogo bem fixe
  • cvigti #8 3 anos atrás

    ya, vertigo, deve ser isso, vi as datas no Gamespot, my bad;)
  • Fanboy_killer #9 3 anos atrás

    Xii, por esta review não esperava eu...
  • VoyaGEReBirth #10 3 anos atrás

    Tenho o jogo e tenho estado a jogar um pouco, o jogo até é porreiro.
    Linear é certo, falta um pouco de mais exploração, mas dá para entreter e é divertido.
    Tenho estado a gostar e se tivesse que dar uma nota, seria semelhante à que foi dada na análise.
    Bom trabalho na análise, a propósito.
    Editado por VoyaGEReBirth às 06/05/09 @ 19:50
  • Andrefpvs #11 3 anos atrás

    De 0 a 10, quem tenha jogado o jogo, podem-me dar uma avaliação da história do jogo? Eu adoro boas histórias e estou bastante curioso em relação a este jogo.
  • stika #12 3 anos atrás

    Andrefpvs : Eu em história dar-lhe-ia um 4/10. A história simplesmente não vai a lado nenhum durante a maioria do jogo e quando vai a algum lado... não é muito original.


    EDIT: Já para não falar que o jogo é exageradamente dramático, mesmo para os padrões dos JRPGs
    Editado por stika às 06/05/09 @ 21:17
  • V3rt1go Verificado Redator, Eurogamer Portugal #13 3 anos atrás

    É verdade que o jogo tem um tom dramático mas não deixa de ter um tom inocente e "fofinho".

    Por acaso achei o Lost Odyssey mais dramático mas quem critica obras de Sakaguchi não merece perdão.
  • stika #14 3 anos atrás

    V3rt1go: O lost odyssey tem partes dramáticas sim, mas pessoalmente acho que o maior problema do lost odyssey são as partes WTF? Como por exemplo no final do segundo disco quando os miudos começam a cantar.

    Ah e os miudos são irritantes até dizer chega.



    Pessoalmente embora o LO seja dramático o Eternal sonata consegue ser bem pior,

    basta apenas ver o video em que a Claves morre, era mesmo necessário ela contar-nos a história da sua vida? Ainda mais, ficou uns bons 8 minutos a falar da inveja que ela sentia pela falsetto... bastante desnecessário na minha opinião
    Editado por stika às 06/05/09 @ 21:45
  • V3rt1go Verificado Redator, Eurogamer Portugal #15 3 anos atrás

    Eu por acaso até não desgostei dessa sequência, é triste e muito dramático, mas penso que no tom geral do jogo ficou bem aplicada.
  • stika #16 3 anos atrás

    V3rt1go: Outra coisa que eu também não gostei do jogo foi combate, é fácil demais e pode ser resumido a carregar no botão de ataque equanto o tempo durar e carregar no botão de defender no turno do inimigo, ao principio é engraçado, mas passado um pouco fica demasiado repetitivo.


    Ainda hoje tenho dificuldade em tirar aquilo da minha cabeça : Sun Slash! Sun Slash! Sun Slash! Sun Slash! Sun Slash! Sun Slash!
    Editado por stika às 06/05/09 @ 22:03
  • Andrefpvs #17 3 anos atrás

    Orange Glow!


    Desculpem, acabei de jogar a demo x)

    Acho que vou esperar até achar um bom preço online e depois mando-o vir.

    Ah, Galore e stika, obrigado pelas opiniões!
    Editado por Andrefpvs às 06/05/09 @ 23:17
  • dxvolt #18 3 anos atrás

    Anime em exagero, boring que se farta e cheio de espalhafatos mirabolantes, o tipico jogo nerd.


  • Itachi #19 3 anos atrás

    Nada mau para um começo de um bom RPG na PS3.