Tomb Raider: Underworld - Análise de Leitor
Não há muito tempo atrás, um novo jogo da Lara Croft já era mais tortura que encanto. A Core Design e a Eidos, na sua jornada em ter todos os anos um Tomb Raider nas prateleiras de todas as superfícies comerciais, já começavam a causar imensos danos a uma heroína que, após tanto uso, ficou pior que droga. Felizmente, acabou-se o Tomb Raider para a Core Design… E agora, que iria acontecer a Lara Croft? Ficaria perdida pelos imensos túmulos que tanto gostava de visitar mas que, após tantos anos, já tinham mais pó que as próprias relíquias?
Para agrado de muitos, Tomb Raider passou para as mãos da Crystal Dynamics, produtora já com larga experiência em jogos de plataformas e aventura, e não só. Após o lançamento do grande regresso de Lara em Tomb Raider Legend, os fãs, e outros novos descobridores, começaram a ver que a Lara voltou melhor do que nunca e vinha para ficar. Sucede-se Tomb Raider Anniversary, um remake do primeiro jogo da saga, e tudo começava a ficar cada vez melhor.
As críticas a Legend foram muitíssimo favoráveis, congratulando o excelente trabalho que a Crystal Dynamics havia feito, exceptuando na pequena duração do jogo que se resumia a pouco mais que um par de horas, e em Anniversary mostraram que sabiam como tratar da Lara e ninguém tinha de temer o rumo que iam dar a este ícone da cultura popular. A prova viva disso mesmo está neste Underworld, a continuação directa de Legend.
Tal como mencionado, Underworld vai acabar de nos contar a história que ficou por terminar em Legend. Tendo agora uma nova esperança sobre o paradeiro de sua mãe, Lara está mais determinada do que nunca em provar que tudo aquilo que o seu pai lhe contava era a pura verdade e nada mais. Avançamos assim ao longo de uma história extraordinariamente bem criada que une toda a saga numa sucessão de eventos que encaixam na perfeição. Natla e Amanda estão de volta, são elas que vão tornar possível que toda a vida de Lara faça sentido no grande e arrebatador final.
Porém, vamos fugir da história, já que o propósito aqui não é contar-vos todas as fantásticas surpresas que foram originadas pelas mentes dos criadores.
Se há factor que desde o primeiro jogo acompanha a Lara são sem dúvida os seus avantajados seios… mas como também já devem ter entendido, a Lara já há muito que tem deixado de ser uma boneca insuflável para passar a ser o mais real possível, e neste Underworld a realidade atingiu patamares que nunca pensei serem possíveis. As expressões não só da Lara mas também de todas as outras personagens estão assustadoramente reais. Existem momentos ao longo da acção que sente-se a mesma angústia, emoção, pânico ou a raiva que a Lara transmite. Certamente que a história algo pesada obscura em muito ajuda a que essas sensações nos sejam transmitidas, mas nada nos prepara para o imenso detalhe que as expressões conseguem alcançar.
Mas não foi só dada importância às personagens. Os cenários chegam a causar arrepios de tão admiráveis e imponentes que são. Não só são incrivelmente detalhados como têm uma profundidade incrível que nos fazem perder o olhar no horizonte, na grande área repleta de vegetação ou no profundo azul que cria os majestosos níveis subaquáticos, que eram uma clara falha nas anteriores aventuras vindas da Crystal Dynamics. Outro dos aspectos que melhoraram foi os veículos, mais concretamente o único veículo usado, a mota. Em Legend, para quem não se lembra, a mota resumia-se a dois ou três níveis que bastava acelerar e esperar que tudo chegasse ao fim bem depressa. Nada de interessante surgia do uso da mota, situação essa que foi invertida neste jogo, já que a mota será um importante veículo em vários níveis que vão permitir que nos desloquemos a determinados locais mais rapidamente e também poderemos usar a mota para resolver alguns dos puzzles que nos são colocados.
Continuando a ideia acima iniciada, os factores que acompanham desde sempre Lara são a fraca qualidade da câmara e dos controlos. Com o tempo, os controlos têm vindo a melhorar, mas graças à câmara que insiste em causar dores de cabeça ao jogador, a jogabilidade acaba por sofrer. Com o tempo, a câmara passa a ser domada pelo jogador, mas mesmo assim consegue atingir momentos de perfeita loucura onde os pés de Lara nunca deixam de ser o ponto de destaque, ou mesmo uma parede mais teimosa e determinada em conseguir os seus cinco minutos de fama. Já lá vão 12 anos e mesmo assim, continuam a manter estes pequenos detalhes que causam alguns entraves a quem decida levar por bom caminho a personagem, pois graças a estes problemas, muitas são as vezes que um salto para o abismo acaba por sair vitorioso.
Há que mencionar que estas falhas são rapidamente esquecidas pela elevada qualidade de todos os restantes condicionantes do jogo. Cenários de tirar a respiração, uma Lara com animações corporais e faciais de deleitar qualquer que seja o jogador, uma banda sonora arrebatadora e uma história que reúne todos os pontos altos desta saga que tornou a Lara numa das figuras mais importantes da indústria dos videojogos, são apenas alguns dos aspectos que tornam Underworld num jogo obrigatório aos antigos, e novos, fãs desta saga.
8 / 10
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