Don King Boxing

K.O.

Desde há muito que alguns desportos – sobretudo os menos convencionais – ao serem adaptados a jogos de vídeo são incluídos no cartório curricular de personalidades famosas ou ícones intimamente ligados ao desporto em causa. Tony Hawk, Tiger Woods ou o eterno Colin McRae são lendas desse legado, mas entradas mais recentes como Shawn White começam já a fazer furor no ramo. Estranhamente – ou talvez não – todas estas franquias são capazes de agradar a um público geral que tenha o mínimo interesse pelo desporto em questão, independentemente do facto de gostarem ou não do ícone a que se referem. Em Don King Boxing não.

Ao iniciarem o jogo o destaque irá certamente para o modo história, que conta o percurso fictício de Kid – um pugilista em ascensão no mundo do boxe – rumo ao estrelato. Na realidade a “aventura” começa no preciso momento em que Kid, já veterano no assunto, se prepara para aquele que poderá ser o grande combate da sua carreira. Enquanto isso, toda a aventura será contada na forma de uma analepse na qual todos os acontecimentos narrados serão referentes ao percurso que vos levará ao acontecimento primário.

Após visionarem o vídeo inicial terão que realizar um tutorial onde irão – pelo menos na teoria – aprender como funcionam os controlos. Digo na teoria, porque enquanto nos vídeos tudo isto funciona muito bem, já na prática terão que esmurraçar muito oxigénio em vão até realizarem a menor das conquistas.

Enquanto vos pedem para realizar apenas um Hook ou um Straight tudo funciona (mais ou menos) bem, mas quando é pedido que realizem uma sequência de movimentos toda a mecânica cai por água abaixo, revelando-se imprecisa e muito pouco (ou nada) divertida. Se o tutorial não vos adaptar aos controlos, pelo menos irá preparar-vos para a frustração que é jogar Don King Boxing.

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O Guitar Hero dos pugilistas.

Logo de seguida começa a verdadeira aventura. Inicialmente irão combater em cenários pequenos, algumas vezes com o objectivo de angariar fundos para a caridade (não que isso tenha grande implicância no jogo). Relembro que o grande objectivo é tornarem-se uma estrela e neste jogo esse objectivo significa trabalhar para o Don King, o único capaz de vos dar a projecção que ambicionam. Para isso terão que ir seguindo a corrente de combates que vai surgindo. Cada combate é seguido e antecedido por uma sequência de vídeo onde se relatam acontecimentos relacionados com os objectivos a que se propõem.

Se combater – e consequentemente jogar – é a parte má de Don King Boxing, então ver estes comentários feitos por pessoas reais é sem dúvida a parte mais divertida do jogo. A ideia até é boa e a sua aplicação rasga o razoável. A mecânica do jogo é sempre a mesma: combate, relatos, combate, relatos, e por aí fora.

Da mesma forma, talvez na tentativa de prolongar a longevidade e imprimir alguma variedade ao jogo, são por vezes apresentados alguns combates de lendas do desporto. Mais uma vez a ideia não seria má, o problema é que os controlos são uma porcaria e a opção artística de colocar o ecrã num histórico preto e branco também não ajuda em nada.

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