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Digital Foundry - Xenoblade Chronicles 2 é demasiado ambicioso para o modo mobile?

Impressionante na dock, mas em mobile tem problemas.

Este está a ser um ano espantoso para a Nintendo Switch e a Monolith Soft assegura um final forte com Xenoblade Chronicles 2. Construído com a tecnologia que nos trouxe Xenoblade Chronicles X na Wii U, este novo jogo melhora o motor de várias formas e permite novos efeitos visuais fixes, mas esta ambição deparou-se com inesperadas contra-partidas que afectam a apresentação, incluindo uma das resoluções mais baixas que já vimos. Os programadores tiveram um trabalho complicado no equilíbrio entre novas funcionalidades e os limites da híbrida da Nintendo e não temos a certeza se recompensou.

Xenoblade Chronicles 2 cumpre em vários aspectos, apresenta-te um mundo enorme para explorares com a liberdade pela qual a série é conhecida - mas desta vez, não é evidente desde logo. Ao contrário do anterior, Xenoblade 2 foca-se na narrativa e a primeira hora do jogo foca-se em envolver os jogadores nessa história. Resulta e quando chegares à primeira grande área aberta, tens um objectivo para te motivar.

E que mundo! Xenoblade 2 é um jogo lindo, com paisagens que se prolongam até perder de vista, conseguindo uma sensação épica de escala. Explorar as ilhas e cidades suspensas acima das nuvens canaliza uma sensação que não sentíamos desde que jogamos Skies of Arcadia na Dreamcast. É desde logo tentador explorar os seus locais mais remotos, mas é ao visualizar as grandes paisagens do jogo que o primeiro problema se torna aparente - a qualidade de imagem.

Xenoblade X na Wii U - a base para o motor de Xenoblade Chronicles 2 - corre a 720p nativa. Ao jogar na dock, os jogadores Switch jogam na mesma resolução, apesar de relatos de conversão dinâmica de resolução. Temos também uma forma extrema de anti-aliasing. É uma solução temporal, que remove o aliasing mas introduz um blur severo e artefactos no movimento. Em certos casos, a impressão é de uma resolução superior, mas encontramos 720p em todas as contagens. Apesar da resolução ser a mesma de Xenoblade X, a TAA ajuda a limpar a imagem. É menos nítida no geral, mas os artefactos da aliasing tradicional são resolvidos.

Um jogo lindo que corre melhor na dock - eis uma análise à tecnologia em Xenoblade Chronicles 2.

No entanto, tudo muda em modo portátil e a qualidade de imagem desce imenso. Ao contrário do modo dock, jogar em modo portátil revela uma resolução dinâmica. Os resultados variam entre 552p ou 432p, descendo até 368p. Provavelmente existem mais valores, mas o jogo nunca fica perto da resolução nativa do ecrã da Switch. Na verdade, é uma das resoluções mais baixas que já encontramos desde os tempos da PS Vita.

Pior ainda, existe um forte filtro de nitidez por cima da baixa resolução e anti-aliasing temporal, resultando numa imagem muito má. Existem indícios deste filtro no modo dock, mas não é tão forte quanto no modo mobile, deixando as arestas mais evidentes. Não há dúvidas: Xenoblade 2 tem a pior qualidade de imagem num jogo Switch em modo mobile.

Tendo em conta o quão excelente é a Switch em modo portátil, isto é um problema - e é pena pois as melhorias feitas ao motor são excelentes, a apresentação está muito melhor sobre Xenoblade X na Wii U. Os programadores puxaram a valer pela GPU, introduziram motion blur por objectos, que fica muito bonito nas cutscenes. A animação é excelente e o uso de realces especulares nas cenas com chuva está fantástico. Outra novidade impressionante é a simulação de nuvens. A equipa criou um método para renderizar nuvens e isto ajuda a dar-lhes volume tanto às de cima como às de baixo. Explorar o mundo revela mais melhorias: reflexos na água muito melhores e o uso de reflexos screen-space, uma grande melhoria sobre os mapas estáticos de Xenoblade X.

DockedMobile

As diferenças entre dock e mobile são desde logo perceptíveis. Inferior resolução e qualidade de sombras, activa um forte filtro de nitidez.

DockedMobile

O filtro afecta negativamente a qualidade de imagem, criando arestas mais pronunciadas. Não fica bem.

DockedMobile

A anti-aliasing temporal exibe vestígios perceptíveis nas arestas, visíveis a olho nu mesmo no ecrã pequeno da Switch. Na dock, ajuda a minimizar a aliasing.

DockedMobile

Pelo menos o HUD está nítido em modo portátil. Na dock, a interface é convertida de uma resolução inferior ao invés de ser apresentada a 1080p nativa.

A densidade e qualidade da vegetação também foram melhoradas, as plantas apresentam destaques especulares realistas visíveis ao explorar o mundo. Infelizmente, nenhuma vegetação reage ao personagem. A distância de visão é aceitável, mas o pop-in é perceptível nas planícies maiores. Mesmo assim, é uma grande melhoria sobre o anterior.

A qualidade dos materiais também está muito superior, a luz interage de forma mais correcta com os materiais - o metal reflecte e a madeira tem melhor aspecto. A oclusão ambiental também está presente. Quando permaneces fora da luz directa, existe uma sombra de contacto presente atrás do personagens e nos cantos. Mas este é na mesma o motor de Xenoblade X e alguns elementos estão iguais. As sombras agem praticamente da mesma forma - estão presentes e surgem sobre o teu personagem e objectos de maior tamanho, mas apesar do ciclo dia e noite, permanecem fixas, desaparecendo quando fica de noite.

Pelo outro lado, a detecção de colisões está mais robusta. Em Xenoblade X, os jogadores podiam correr através de vários objectos, o que era estranho - apesar de ajudar a poupar na performance da CPU. Apesar de ser possível passar por árvores mais pequenas em Xenoblade 2, a maioria dos objectos apresentam colisão, impedindo o jogador de passar por objectos sólidos.

Xenoblade na Wii foi altamente impressionante - eis a nossa análise.

As funcionalidades visuais foram melhoradas, mas e a performance? É aqui que as coisas ficam mais complicadas em Xenoblade 2. Observamos o que podes considerar como zonas mais exigentes - áreas que causam quedas na performance. No entanto, o impacto destas quedas persiste quando regressas a áreas onde não existiam quedas. Isto sugere um afunilamento na performance que não está relacionado com o que é renderizado no ecrã - e o impacto pode ser forte, criando quedas para 20fps. Encerrar o jogo e reiniciar restaura o rácio de fotogramas correcto, o que sugere um bug sério. Regressar à zona exigente voltou a causar o impacto prolongado na performance - algo que persiste ao testar a versão digital a partir da memória interna e cartão MicroSD.

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Ainda assim, a performance em geral mantém-se perto dos 30fps, mas existem momentos como este que podem afundar o jogo. Em termos da performance portátil, não temos forma de medir um jogo a 30fps, mas a sensação geral é que corre de forma igual à dock.

Fica a sensação que Xenoblade 2 é um jogo de duas metades - uma experiência visualmente superior ao anterior e que se aguenta muito bem na dock, mas a experiência portátil não está à altura desse padrão. O jogo é impressionante, mas comparado com os trabalhos excelentes da Nintendo este ano, Xenoblade 2 parece um retrocesso. Tem pior aspecto e corre pior do que Zelda, isso é certo, e sem muitas das suas funcionalidades de renderização avançadas. Dito isto, o jogo em si é muito divertido - os personagens são adoráveis, o mundo apelativo e a banda sonora é soberba. Pode ter arestas por limar e não acreditamos que o modo portátil se aguenta muito bem, mas é na mesma um excelente JRPG para os donos da Switch.

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