God of War III - Análise de Leitor
Já lá vão 3 anos desde a primeira vez que vi Kratos a morrer às mãos de Zeus, a ressuscitar graças a Gaia e a vingar-se recorrendo às Sisters of Fate. Três anos desde que joguei o que é, na minha opinião, o melhor jogo PS2 de sempre.
Desde esse dia que anseio pela continuação da saga dum dos anti-heróis mais fantásticos da indústria dos videojogos, seja pela sua arte a manusear as Blades of Chaos/Athenas, seja pela brutalidade com que eliminada todos os obstáculos que lhe vão surgindo.
Foi, por isso, num clima de ansiedade crescente e com as expectativas elevadíssimas que abracei o desafio de terminar a vingança de Kratos em God of War III.
O enredo é retomado exactamente onde acaba o segundo jogo (com Kratos a subir o Monte Olimpo à boleia de Gaia, a Titã da Terra) e o objectivo de Kratos mantém-se: matar Zeus. Este parece-me ser um dos principais defeitos do jogo: a única motivação de Kratos é essa e só depois do meio do jogo é que algo de novo surge e, por isso, acredito que os criativos dos estúdios de Santa Monica podiam ter trabalhado um pouco mais o enredo. Algumas revelações são feitas pelo caminho e o final decepcionou-me (esperava algo diferente mas são gostos).
Contudo, as minhas desilusões ficaram por aí. A saga é conhecida pelo seu aspecto épico e God of War III é como o algodão, não engana. Enquanto subimos o Monte Olimpo com Gaia, percebemos o quão pequeno é Kratos relativamente aos Titãs e essa sensação chega a ser esmagadora. A maneira como a câmara e o cenário se movem, como tudo acontece tão rápido e, dum momento para o outro, deixamos de ter sequer tempo para respirar.
De cortar a respiração estão também os gráficos: Kratos deve ser o personagem mais perfeitinho da indústria dos videojogos e todos os ambientes estão muito bem conseguidos. Atrevo-me a dizer que GoW3 faz o Uncharted 2 parecer um pouco desactualizado e, por isso, acredito que será um dos candidatos a vários prémios nessa categoria.
Também de cortar a respiração mas também membros, cabeças e dorsos, está o sistema de combate. Kratos continua a dar preferência às suas Blades (que voltam a mudar) mas, desta vez, recebe ao longo do jogo mais três armas: duas parecidas com as Blades e as Gauntlets. Apesar de as armas não serem assim tão diferentes, as magias estão associadas a cada uma das armas, ou seja, para usarem uma certa magia terão que estar a manusear uma certa arma.
Claro que a troca de armas se faz duma forma muito rápida e, por isso, quase nem se dá por ela. Para além disso, certos combos usando as Blades e trocando rapidamente para as Gauntlets, por exemplo, são devastadores.
A juntar à festa, Kratos tem ainda à sua disposição o Arco de Apollo que, tal como as pistolas em Bayonetta, servem para manter a acção a decorrer, tornando os combates mais intensos. Para isso, também podemos contar com um ou dois tweaks ao sistema de combate (quem jogou os jogos anteriores, sente-se em casa) como, por exemplo, o facto de podermos agarrar um adversário e carregarmos sobre ele com um simples pressionar L1+Círculo.
Todos estes truques e armas serão extremamente necessários uma vez que Kratos luta com as mais diversas criaturas que requerem estratégias diferentes. A evolução quer da IA quer do design ou das animações progrediu bastante relativamente aos jogos anteriores. As medusas estão soberbas (a cauda parece feita com escamas reais), os Ciclops estão fantásticos e até os inimigos comuns estão mais detalhados.
O auge atinge-se nas diversas lutas de bosses espalhadas ao longo do jogo e, diria, são simplesmente memoráveis. Não vou estragar a surpresa mas, acreditem, algumas destas batalhas são simplesmente avassaladoras.
God of War III é o fim duma trilogia que marca profundamente a indústria dos videojogos. É um jogo robusto, lindíssimo e que, apesar de ser curto (8-10h) e não dar o melhor desfecho em termos de história, garante diversão e brutalidade acima da grande maioria dos jogos. Senhores, aqui têm o Senhor dos Jogos...
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