Catherine - Análise de Leitor
O persona 3 é para mim um jogo muito especial, numa altura em que a nova geração estava a todo gás e os lançamentos para a ps2 eram cada vez mais escassos mudei a minha ps2 para o quarto e liguei a a uma pequena tv de 20 polegadas para quando sentisse saudades de jogar alguns clássicos. Qual não foi a minha surpresa quando comprei o Persona 3 FES depois de o encontrar á venda por um preço irresistível e este se tornou no meu ultimo grande jogo para aquela que para mim foi a geração de ouro dos vídeo jogos. Por isso foi com grande expectativa que acompanhei o lançamento japonês de Catherine o novo jogo da Atlus, um jogo de puzzles com um toque de horror. Antes de começar a falar do jogo propriamente dito queria avisar os leitores de que tendo jogado o jogo em japonês e tendo apenas uma noção muito básica da língua tive de depender de uma live translation e portanto apesar de ter desfrutado por completo da trama principal não poderei dizer o mesmo das várias conversas que podemos ter com personagens npcs onde a qualidade da tradução a que tive acesso variava entre boa, incompleta ou inexistente, tendo esclarecido este ponto passemos então á análise em si.
Catherine conta a estória de Vincent Brooks que depois de conhecer uma jovem rapariga chamada Catherine e de ser seduzido por esta (o que é um problema visto ele ter já uma namorada chamada Katherine) começa a ter estranhos sonhos em que é uma ovelha e que é perseguido pelos seus mais íntimos temores e receios ao longo de verdadeiras montanhas de blocos que se vão-se desmoronando, tudo isto numa altura em que noticias de jovens que são encontrados mortos enquanto dormem começam a ser comuns nos noticiários. Vincent partilha os seus sonhos com outras ovelhas/pessoas que também elas tentam sobreviver a mais uma noite em que o que reina é a lei do mais forte e onde muitas não hesitam em tramar outras ovelhas (Vincent incluído) chegando mesmo a tentar envia-las em direcção ao abismo se isso lhes facilitar a escalada, mas nem todas se comportam assim existindo mesmo algumas que se juntam nas pausas das escaladas tentando desenvolver e partilhar estratégias que os ajudem a chegar um pouco mais longe.
O jogo segue um esquema rígido e que está repartido em três partes, começamos por explorar o bar Stray Sheep onde podemos falar com os clientes e com os colegas de trabalho e receber ou enviar sms, tudo acções que vão modificando o decorrer do jogo dependendo das decisões de Vincent que vão fazendo pender uma barra para o bem ou o mal de uma forma muito parecida com o que acontece no Mass Effect 2. Seguimos a seguir para o mundo dos sonhos onde teremos de ultrapassar as várias fases dos níveis até finalmente enfrentar-mos os medos da personagem principal em forma de gigantescas criaturas. Por fim quando finalmente chegamos á cobiçada porta que nos transporta para o fim do sonho vemos o avançar da trama na forma de cutcenes tanto compostas pelo motor de jogo como por cenas em anime que não ficam a dever em qualidade a uma qualquer série animada japonesa. A partir daqui o esquema repete-se até chegarmos ao final do jogo.
Apesar da bizarria que são os sonhos da personagem principal os problemas com que ele se depara na vida real são problemas comuns a muita gente, questões como a infidelidade e o medo com o compromisso e com a parentalidade são tópicos comuns e problemas que teremos de enfrentar no jogo em ambas as realidades, aliás ser perseguido por um bebé recém nascido gigante com veias proeminentes enquanto ele grita papá abraça-me é um dos momentos mais perturbadores do jogo. Perturbador e frustrante não fosse este jogo de uma dificuldade bastante acima da média, se não estão habituados a jogos de puzzles e costumam seleccionar a dificuldade normal quando começam a jogar um jogo novo então preparem-se para ver o ecrã de retry muitas vezes. A premissa de Catherine é bastante simples á primeira vista, puxar e empurrar blocos de maneira a formar um caminho para chegar a uma porta que leva Vincent a acordar de mais um conturbado sono, mas quando se começa a juntar blocos que se desfazem ao mínimo toque, blocos de gelo que nos enviam em direcção ao abismo sem qualquer piedade ou até blocos explosivos que danificam todos os blocos á sua volta tornando-os assim propícios ao desmoronamento tudo isto enquanto os blocos abaixo dos nossos pés se começam a desprender dos seus pares ou somos perseguidos por um bebé gigante ou por uma noiva enraivecida com uma katana então temos todos os ingredientes para secções de jogo de arrancar cabelos principalmente nos níveis de dificuldade mais avançados, devo dizer que tendo eu jogado no modo normal á muito que não via tantas vezes o ecrã de gameover num jogo. Mas nem tudo é mau, nos níveis mais complicados podem contar com checkpoints e quando perdemos o recomeço do nível é instantâneo não existindo qualquer tipo de loading, para além disso espalhadas pelos níveis existem almofadas que quando apanhadas funcionam como vidas extra ao bom estilo dos jogos de antigamente, ao longo dos níveis podemos também coleccionar moedas que podem ser usadas mais tarde para comprar itens como blocos,que podemos usar onde quisermos entre outros objectos que nos facilitarão a árdua tarefa que é completar o jogo.
Uma das principais qualidades de Catherine é oferecer uma experiência refrescante e inédita tanto a nível de jogabilidade como a nível de enredo o que para alguém como eu que joga desde os tempos da master system é de louvar. È por isso que apesar não ser um jogo para toda a gente se estão fartos de fps e de jogos pseudo revolucionários recomendo vivamente este jogo ainda por cima agora que foi confirmado o lançamento no Ocidente.
Mas nem tudo são rosas e tal como em todos os jogo há alguns problemas principalmente a nível de jogabilidade onde por vezes quando estamos agarrados a blocos e nos movimentamos até á parte de trás do cenários os controlos ficam um pouco confusos, para além disso a estrutura por fases, a dificuldade elevada dos níveis mais avançados do jogo e principalmente a pouca variedade da jogabilidade poderá afastar alguns jogadores. Como ultimo ponto devo ainda referir que no final de cada nível recebemos uma pontuação e um troféu que varia entre ouro,prata e bronze dependendo da rapidez com que acabamos os níveis. Estes troféus para além do orgulho servem também para desbloquear níveis num modo secundário denominado Babel que basicamente são vários trials no mesmo esquema do jogo principal.
- Perfeitos para o que se pretende para este jogo de estilo anime, apesar dos níveis serem um poucos básicos.
- Existem alguns slowdowns quando há muita acção no ecrã mas nada que prejudique a experiência geral de jogo, para além disso em certas alturas os controlos podem ficar um pouco confusos.
- Grande experiência sonora pop/rock japonesa muito ao estilo do que se viu nos anteriores títulos anteriores da Atlus da série Shin Megami Tensei. Existe também o pormenor delicioso de ao desbloquearmos troféus ou achivements ganharmos acesso a musicas numa Juckebox no bar Stray Sheep tanto do jogo Catherine como de outros jogos da Atlus como o Nocturne ou da série SMT, a nível vocal estamos também muito bem servidos com actuações de 5 estrelas de alguns actores conhecidos japoneses (a voz de Vincent é representada pelo mesmo actor que deu vida a Spike da série Cowboy Beboop), mas como o resto do jogo o género musical pode não agradar a toda a gente.
- Bastante grande tendo em conta o género em que se insere, e uma vez passado podemos sempre repetir para nos dirigirmos numa diferente direcção em termos de enredo existindo vários finais diferentes para visualizar.
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