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Under Night In-Birth Exe [st] - Análise

Fantasnimanga.

No Japão, Under Night é distribuido pela Arc System Works.

Não me lembro de um mês tão forte em lançamentos de jogos de luta como o último. Em pouco mais de três semanas, Street Fighter V ganhou uma versão arcade gratuita, Dragon Ball entrou no universo dos "fighting games" pela mão da veterana Arc System Works, enquanto Dissidia Final Fantasy NT ajudou a completar um naipe de obras que ganha assinatura com este surpreendente Under Night In-Birth Exe [st], um jogo de luta muito badalado no Japão, especialmente na sua versão arcade, pela qual se notabilizou.

O jogo revela o melhor esforço, até à data, dos japoneses French Bread (em colaboração com os japoneses da Ecole Software), que em 2012 começaram a batalhar por um lugar cimeiro no ranking dos melhores lutadores, sabendo que nunca teriam uma tarefa tão fácil como desejavam, quando os mais poderosos e experientes estúdios continuam a fazer valer os seus argumentos. A Arc System Works tem sido consistente, mas não vem de tão longe como uma Capcom, presença assídua desde a criação do género e normalmente uma garantia de qualidade, quando não tropeça por distracção. O pequeno e menos experimentado estúdio que nos levou a jogar esta versão [st] para a PlayStation 4, desde há uns anos que é apoiado pela Arc System Works na edição para o território nipónico. O salto para a Europa opera-se por intermédio da PQube (Raiden V: Director's Cut).

Exe [st] é quase o mesmo jogo lançado anteriormente na PS3, mas chega à PS4 com novas personagens, um apetecível modo história e com algumas alterações à jogabilidade, novidades que só por si justificam esta análise. Não ficaram desencantados se jogaram a obra inaugural na PS3, que na verdade pouco fica a dever a obras como Persona 4 Arena e até mesmo Blazblue. A estética animé convence e a isso ainda acresce um bom sistema de jogo, lutadores bastante interessantes e um bom desempenho em termos gráficos. Apesar de arredado da grande montra, talvez devido às restrições orçamentais para publicidade, quem já conhece os cantos desta casa sabe que este é "fighting game" muito sólido e competente, apto tanto para novatos como para jogadores mais experientes.

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O desempenho gráfico é muito bom, com movimentos rápidos e boas animações

A primeira grande novidade é a existência de um modo história, aquilo que os franceses podem apelidar de "grand fondue". Mais diálogos, um desenvolvimento das personagens e suas personalidades para lá dos combates. É a opção mais ajustada para quem pretenda iniciar a série e começar a jogar com os novos lutadores, ou simplesmente a descobri-los. Em resultado, a experiência torna-se gratificante, depois de conhecermos as motivações e o que conduz cada personagem até à entrada em cena. A história é ao começo um pouco difusa. Sabemos que na "Hollow Night", as criaturas monstruosas chamadas "Voids" surgem, servem-se do poder despertado por essa noite, o mesmo sucedendo aos "In-Birth", que apesar de atingidos pelos Voids, mantém um certo discernimento, não sucumbindo por completo. Hyde é um desses, que juntamente com Linne, parte para uma investigação que o levará ao encontro de uma organização chamada "Amnesia".

Todas as personagens se encontram envolvidas neste misterioso e rebuscado enredo. A existência de um modo história dá seguimento à relação estabelecida entre as personagens, até ao derradeiro e definitivo duelo. Vale a pena investirem nesta componente, até porque o jogo é desconhecido da maioria e como tal as personagens são uma novidade para quase todos, mesmo para quem tenha jogado o original. Aí, o desenvolvimento não foi muito grande, por oposição ao actual contexto, gerador de atenção e detalhe.

O roster é suficientemente elástico, composto por personagens de diferentes géneros e estilos, o que confere bastante diversidade e permite eleger alguns lutadores consoante o nosso estilo de combate: mais ofensivo, equilibrado ou simplesmente de marcação ao adversário, através de golpes efectuados à distância. Apesar de existirem jogos com mais de 20 lutadores, há outros que apresentam menos e nem por isso deixam de mostrar um equilíbrio no plantel.

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A forte componente anime e manga.

A novidade desta edição é a junção de quatro novos lutadores: Phonon, Mika, Enkidu e Wagner. A primeira é uma jovem senhora com imenso poder e habilidade. Nas mãos de um jogador capaz de dominar a Muniel (uma arma poderosa), pode tornar-se letal, sendo muito indicada para marcação à zona, com grande variedade de ataques através do chicote e projécteis. Mika, de aspecto carinhoso, é inconfundível graças aos seus braços elásticos, mais parecendo uma personagem proveniente de Arms, mas é muito forte, sobretudo quando chega perto e combina uma série de golpes de elevada atrocidade. Não a menosprezem se não querem ver a vossa barra de vida reduzida a nada.

Enkidu está ligado ao misterioso grupo "Amnesia". É um lutador reservado, de parcas palavras e punhos de ferro. Graças ao seu poder não precisa de grandes combinações para causar dano nos adversário. A média ou curta distância é suficiente para lutar com sucesso. Por fim, Wagner é óptima para a luta a curtas distâncias, especialmente através dos seus poderosos combos. Em suma, as novas personagens acrescentam mais variedade e traços específicos, com destaque para Mika e as suas divertidas animações.

No que respeita às mecânicas de combate, existem algumas alterações mas no geral o sistema é o mesmo, com botões para golpes leves, médios e pesados e um para a barra dos movimentos super. É com base nela que muito se decide e se joga numa oportunidade estratégica. Encarar cada combate do ponto de vista puramente ofensivo pode ser a abertura da porta de saída. A barra enche com golpes bem sucedidos, mas para que se torne útil é bom que não sofram danos nem se deixem levar por uma toada irreflectida, acabando punidos às mãos do adversário.

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Mika em acção.

Entre antigas habilidades e novos elementos estratégicos como o sistema "veill off" (introduz uma oportunidade para fabricar mais combos), a jogabilidade permanece equilibrada, premiando os jogadores mais esclarecidos e habilitados a extrair o máximo de cada personagem no momento certo. É um jogo mais cerebral e de toada moderada, com repuxo na parte final do combate, quando tudo se decide. Isso torna as lutas particularmente agradáveis de assistir, sempre com o factor imprevisibilidade a espreitar.

Os mais novos nisto beneficiam da comodidade que é o "tutorial". Extenso quadro de explicações práticas sobre tudo o que há para saber, entre o básico, fundamental e o acessório. O passo seguinte é o modo dedicado às missões, algo regulares e cada vez mais indispensáveis. Nele treinamos os combos e golpes mais difíceis das personagens. Aqui o nível de exigência é maior, mas sempre gratificante quando nos dão a saber o que é preciso para brilhar ao mais alto nível.

Por fim, destaque para os 19 cenários, sendo quatro deles exclusivos desta edição. A cafetaria, parque de diversões, Momiji Alley e a Cathedral of the Far East. Variedade, embora sem o detalhe e a riqueza de um BlazBlue ou Guily Gear. Não obstante, a estética animé e manga emoldura de forma muito artística certos locais, conferindo beleza e uma associação à "Hollow Night", o tema narrativo do jogo. As personagens bebem da mesma inspiração e traço artístico. No entanto a qualidade do desenho é mais apurada, resultando em boas animações e renderização. O trabalho de produção é notável, sobretudo na organização e esforço para criar um "fighting game" seguro. Para lá do potencial, concretiza muito daquilo que procuramos numa experiência do género, mas falta-lhe comunidade. Under Night In-Birth Exe [st] é equilibrado no seu sistema de combate, composto por um número aprazível de personagens e extensos modos de jogo, beneficiando de um "tutorial" à medida. Esta chegada à PS4, no ocidente, pode ditar um passo seguro na construção desse agregado indispensável, porque no Japão e nas arcadas, dispensa apresentações.

Under Night In-Birth Exe [st] - Análise Vítor Alexandre Fantasnimanga. 2018-02-10T09:00:00+00:00 4 5
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