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L.A. Noire Switch - Análise

Um dos mais singulares jogos da anterior geração.

Uma viagem fascinante pela enigmática Los Angeles nos anos 40. Mistério, crime, sedução e muitas acusações para fazer.

O trabalho de conversão é fraco e as arestas ficaram por limar. O seu charme e envolvente personalidade mereciam mais cuidado.

A Rockstar Games sempre se destacou pelos seus projectos ambiciosos e pela forma como quebra moldes, ultrapassa barreiras e ainda adiciona estilo à sua metodologia. Faz-lo com tanta qualidade que até parece fácil. É normal olhar para o catálogo de uma companhia destas e ver jogos que adoramos e até gostaríamos de jogar nas actuais consolas. Possivelmente foi a pensar nisso que a Rockstar Games nos apresenta uma espécie de remaster de L.A. Noire, um dos mais singulares jogos da anterior geração. Provavelmente preferias um remaster de Red Dead Redemption, mas a Rockstar preferiu L.A. Noire. Talvez seja pelo seu charme, pela sua personalidade e por ainda hoje permanecer como uma incrível amostra da ambição com que aborda cada projecto. Apesar das suas falhas e de alguns elementos abaixo do esperado, L.A. Noire continua tão charmoso quanto o foi há 7 anos.

Ainda me recordo de analisar o jogo na sua versão original e ficar completamente rendido ao trabalho da Rockstar Games com a Team Bondi. A Los Angeles dos anos 40 é um local repleto de mistérios e enigmas, um local abundante em histórias sem um final concreto e o perfeito local para uma história sombria envolta em crime e paixão. Desde logo, L.A. Noire distingue-se pelo facto de ser um título Noir e pela forma como manipula o género mundo aberto em comparação com os restantes. Enquanto a grande maioria dos jogos faz do mundo aberto o seu prato principal, L.A. Noire usa-o apenas para reforçar a sua autenticidade e para te maravilhar com a sua recriação da cidade. O mais importante de L.A. Noire está nos seus espaços fechados, está nos seus diálogos, está nas personagens, está no seu charme, naquele fumo que quase sentes a tocar a tua cara quando um rufia é interrogado.

O mundo aberto de L.A. Noire é um dos principais exemplos da ambição da Rockstar Games para este jogo, um meio para criar uma cidade autêntica, um cenário que reforça a imersão em Los Angeles. Percorrer as ruas para encontrar pontos turísticos, carros especiais e impedir ocasionais crimes são as únicas actividades secundárias que podes realizar nesta cidade, pouco que te prenda fora da narrativa principal. A Rockstar até permite que entres para o lugar dp passageiro e o teu parceiro conduz (o que activa um ecrã de carregamento e em segundos estás no local desejado). O mundo aberto é apenas um meio para atingir um fim, para chegar aos locais dos crimes, dos interrogatórios, onde são feitas as investigações. É aqui que L.A. Noire brilha e onde te vai encantar. É pela sua ambiciosa forma de tentar recriar as séries policias que vês na televisão.

Há cerca de 7 anos atrás, L.A. Noire surpreendeu com a sua incrível tecnologia de captura de movimentos e expressões faciais, chamada MotionScan. Na altura, providenciou resultados incríveis e ainda hoje surpreendem, uma prova do seu valor. Para um jogo no qual estarás frequentemente a interrogar suspeitos ou a tentar obter uma acusação, é importante interpretar os movimentos e expressões dos personagens. Desde a forma como fala, aos olhos, às expressões na sua cara, terás de ler os personagens e saber reagir de acordo. É aqui que L.A. Noire enverga todo o seu charme, onde te vai capturar e onde te vai provar que é diferente do resto.

"L.A. Noire permanece como um jogo singular. Esta nova versão destaca o que de bom fez, mas também realça as suas fragilidades."

Sempre que Cole Phelps recebe um caso, este ex-militar galardoado segue para o local do crime/acidente/investigação (dependendo da divisão em que se encontra) para recolher relatos de testemunhas, informações do médico legista, provas ou pistas. Ele anota tudo o que encontras no seu caderno e serão estas as provas que utilizará nos interrogatórios. Os casos são diversos e todos eles se inserem dentro da temática Noire. Sejam crimes de paixão, vingança ou burlas de diferentes tipos por vários motivos. Assim que recolhe as pistas ou interroga as testemunhas (quando existem), Phelps e o parceiro devem seguir o rasto deixado pelas evidências. A tua investigação começa e estarás constantemente a puxar o fio ao novelo para desenrolar e encontrar a verdade. As aparências enganam e nem tudo é o que parece. Pelo outro lado, algo demasiado evidente poderá surpreender-te.

Frequentemente terás de saltar entre locais e decidir quem interrogar e como dar seguimento ao caso, ou até mesmo quem acusar. A complexidade dos casos aumenta e os diálogos constantes com o parceiro reflectem o desenrolar de Phelps dentro da narrativa. O bom samaritano que acredita conseguir fazer sempre o bem que inevitavelmente acabará por ser corrompido pela cidade dos anjos. O grande investimento da Rockstar Games foi para os interrogatórios e as cenas dos crimes que investigas. Esta é a alma de L.A. Noire e passados quase 7 anos ainda é uma experiência singular. Interrogar os suspeitos, escolher a postura certa entre as três opções disponíveis (bom polícia, polícia mau, acusar) ainda hoje é fascinante. Quando deres por ela, estás a olhar para os suspeitos/testemunhas fixamente à procura de sinais, com uma seriedade que seria impensável num outro jogo. Tudo para que possas saber quando uma prova do caderno poderá ser usada para calar o charlatão.

Que L.A. Noire continua um jogo repleto de charme e personalidade ainda hoje, isso está mais do que comprovado. A possibilidade de o jogar na Nintendo Switch significa que Los Angeles poderá passear contigo para qualquer lado. É uma ideia fascinante e resulta muito melhor do que esperado. No entanto, este é um jogo com quase 7 anos e a conversão parece ser demasiado directa. Este é o problema que senti ao jogar L.A. Noire na Nintendo Switch. Tal como nas versões Xbox One e PlayStation 4, a conversão parece ser demasiado simples, focada apenas na actualização e adaptação gráfica. A Rockstar inclui suporte para controlos por movimento ou toque, mas os bugs e falhas nas animações ainda persistem, os ocasionais problemas de câmara também, retirando muito do mérito que esta versão poderia ter. A portabilidade na Switch é um factor altamente atractivo, mas existem compromissos que quebram a imersão, especialmente nas perseguições a grande velocidade no mundo aberto. No entanto, é a falta de polimento e da resolução dos pequenos problemas que já existiam que mais aborrecem.

O que te vai apaixonar por L.A. Noire é todo o charme, execução e trabalho apresentado pela Rockstar Games já em 2011. Esta versão simplesmente pega no jogo e torna-o jogável nas actuais consolas, tão simples quanto isto. Um jogo tão singular e tão repleto de carisma merecia muito mais. Merecia uma correcção de alguns bugs, um ajuste em algumas animações e um afinamento do gameplay de forma a sair beneficiado. Da forma que está, L.A. Noire é o jogo que adorei jogar há quase 7 anos, desprovido de qualquer novidade e assumindo-se quase como um port directo. Para quem já o jogou, é pena não ter sido feito mais para o actualizar, especialmente porque ainda permanece como um jogo único, mas para quem ainda não o jogou, é uma excelente oportunidade para conhecer um dos mais originais títulos da Rockstar Games que usa o mundo aberto como meio de interligar os palcos principais e não como o seu maior destaque.

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