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School Girl/Zombie Hunter - Análise

Zombie School/Girl Hunter é mais apropriado.

Um clássico de culto prestes a acontecer.

A Tamsoft entrega um jogo que é tão mau que arrisca a tornar-se bom por isso. Nem sequer consigo entender se é propositadamente mau.

School Girl/Zombie Hunter é o mais recente jogo da Tamsoft no seu relativamente conhecido universo Onechanbara, uma experiência que deixará qualquer um confuso e a pensar se é realmente verdade. SG/ZH é um jogo autenticamente surreal e que vai muito além do que pensas ter visto nessa conhecida série da Tamsoft, é um jogo que é tão inacreditável quanto o seu nome. Na verdade, o nome diz tudo, é tão simples quanto isso. Este é um jogo em que cinco jovens mulheres estão presas dentro de uma escola Japonesa quando acontece uma invasão de zombies. Mais do que lutar pela sobrevivência e impedir que estas malvadas criaturas as deixem sem roupa interior, terão de lutar pela sua sobrevivência. Desde logo, SG/ZH tem o potencial para se tornar num clássico de culto, um daqueles jogos que é tão mau que se torna bom, mas será que consegue?

Os primeiros minutos com SG/ZH podem ser um choque total, especialmente porque ficarás a questionar-te sobre dois pontos muito importantes. Primeiro, este jogo foi mesmo desenvolvido com o Unreal Engine 4? Segundo, eles levaram isto a sério ou estão mesmo a gozar? É o efeito do charme e personalidade deste SG/ZH, algo que não consegues definir e que, por mais incrível que pareça, apresenta coisas que até funcionam. Kirisaku é uma instituição privada onde as alunas aprendem a utilizar armas de fogo e técnicas de combate corpo a corpo, que fica perante a invasão de zombies que dizima todas as alunas, com a excepção de cinco jovens mulheres. Terás de as ajudar a preservar a sua roupa interior. A ajuda não está a caminho.

Eis que começa um jogo de acção na terceira pessoa onde vais percorrer várias missões (com direito a missões opcionais e tudo) com cinco personagens diferentes, que sobem de nível de acordo com a prestação nessa missão. O gameplay é muito simples, os controlos não são propriamente os melhores mas rapidamente estás a dominar os zombies e a preservar a tua roupa. Não que seja muito importante pois podes optar por usar apenas roupa interior. Cada uma destas jovens mulheres é perita num tipo de arma diferente e cada uma tem as suas fraquezas ou forças. Uma forma de inserir variedade e mais profundidade a este School Girl/Zombie Hunter. Ao eliminar os zombies (existe um número muito limitado deles mas algumas variantes de cor), podes apanhar mais armas de fogo ou físicas, novos fatos ou acessórios para modificar as personagens. Começa a gestão de personagens no menu entre missões em que tens decidir qual a arma com melhores parâmetros.

As missões podem crescer de dificuldade a um ritmo brutal, sendo necessário voltar a missões anteriores para subir o nível dessa personagem em particular ou então recorrer ao modo cooperativo online para cinco jogadores. É uma autêntica festa. Os controlos são rápidos e fluídos, provavelmente o aspecto mais bem conseguido do jogo, mas não estão isentos de falhas. Numa tentativa de não transformar isto numa festival de tiros ainda maior, até porque o é, a Tamsoft inclui uma barra de stamina e não podes correr ou atacar fisicamente à vontade. Existe um limite a gerir, tal como o recarregar das armas, é uma das mecânicas que te fará pensar melhor durante os combates. Como se pensar fosse preciso neste jogo. Elas correm a uma velocidade estonteante pelos corredores deste liceu, disparam e tentam escapar aos zombies viciados em roupa interior.

Existem armadilhas que podes montar, granadas para atirar e imagina, os zombies adoram lingerie e uma bem posicionada pode salvar-te a vida. Se imaginas percorrer corredores estreitos (ocasionalmente tens cenários abertos) num jogo desenvolvido com o Unreal Engine 4 mas que parece feito para a PlayStation 2 (uma espécie de remaster ao menos?) então sabes o que te espera neste SG/ZH. Corredores despidos e sem texturas, personagens sem expressividade, bocas que se mexem ocasionalmente e apenas ouves a voz, um enredo inacreditável e surreal, personagens cliché que nem queres acreditar que se portam desta forma numa situação destas. A Tamsoft parece ter feito de tudo para nada funcionar em conjunto que até parece propositado. Será que não foi?

School Girl/Zombie Hunter é um jogo que vai certamente ficar na memória e deu para umas boas gargalhadas. Personagens clichés numa narrativa surreal, um gameplay que surpreendentemente funciona, uma qualidade gráfica má que permite cutscenes com animações fracas e o que poderá ser descrito como um dos piores usos do Unreal Engine 4 na sua história. Assim é este SG/ZH. Ocasionalmente, poderás conseguir encontrar satisfação a afastar os zombies da lingerie destas jovens mulheres, mas é tudo demasiado básico. Este é um daqueles casos de um jogo que se torna conhecido por ser bom de tão mau que é. Será uma curiosa memória que ficará para alguns, um jogo inesquecível de tão mau que é.

School Girl/Zombie Hunter - Análise Bruno Galvão Zombie School/Girl Hunter é mais apropriado. 2017-11-17T12:10:00+00:00 1 5
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