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Forza Motorsport 7 - Análise

Elevada performance.

Ponham o capacete, apertem o cinto e liguem o motor.

Levando mais de uma década de produções da série Forza Motorsport, a experiente norte-americana Turn 10 é nesta altura uma das mais conceituadas produtoras no género racing. Os seus jogos são normalmente sinónimo de grande qualidade e desenvolvimento aos limites. A produzir para 3 gerações de sistemas, tudo começou com o auspicioso Forza Motorsport, para a Xbox, no já longínquo ano 2005, ao qual se seguiram 3 edições para a Xbox 360, tendo a última deste trio atingido uma fasquia elevada. Agora, depois de duas edições para a Xbox One, verifica-se uma nova superação, para gáudio não só dos fãs mas de todos os adeptos das corridas virtuais a que a Turn 10 tão bem acostumou.

Desde há uns anos que se verifica uma alternância com Forza Horizon, um racer de mundo aberto, com primazia para carros desportivos de luxo em locais exóticos e de cortar a respiração, marcado por uma condução arcade e acessível, mas não menos desafiante. Tendo em conta os conteúdos presentes tanto em Horizon como Motorsport, não deixa de ser incrível ver ambas as séries sucederem-se ano após ano, com uma ambição desmesurada em criar mais e melhor sob o mesmo crivo de qualidade.

Mas, enquanto que Forza Horizon promove corridas como quem não tem preocupação pelos limites de velocidade e a espectacularidade é nota dominante da condução, no filão Motorsport a base das corridas opera essencialmente em circuito, com uma grande maioria dedicada a provas e competições oficiais, como os campeonatos de turismo ou os fórmulas. Sendo esse o foco e a natureza da esmagadora maioria das competições, nota-se uma preocupação da Turn 10 em alargar o género, através de diferentes iniciativas, nomeadamente exibições constituídas como momentos específicos de uma prova ou então, como sucede nesta sétima edição, com a inclusão das corridas de camiões. Estas provas não são o reduto máximo da espectacularidade, até porque os veículos são lentos, mas como em qualquer carro dos 700 presentes no jogo, a sensação de física é impressionante e revela o esforço da produtora em alargar os tipos de eventos disponíveis.

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O novo circuito do Dubai, imaginado pelos designers, é uma novidade em Forza 7 (todas as fotos foram tiradas através do modo foto)

Desde a quinta edição que os circuitos citadinos originais têm merecido particular incremento pela Turn 10, como Praga ou Rio de Janeiro, desenvolvidos para quinta e sexta edições, respectivamente. Para a sétima edição, os produtores elegeram as arábias, idealizando um percurso serpenteante no Dubai, onde a areia do deserto varada pelo vento atravessa o asfalto, formando pequenos fluxos numa secção intermédia, e uma zona montanhosa serve uma trajectória ascendente de negociação delicada. Estas pistas idealizadas em grandes cidades primam pela extensão e quantidade de edifícios, bem como estruturas envolventes, deixando claro como os produtores e designers criam, mais do que pistas, verdadeiras obras de arte.

Desenvolvido a pensar nas capacidades superiores da Xbox One X, FM7 capitaliza imenso os recursos adicionais da nova consola, especialmente se juntarem um televisor a 4K, embora seja um jogo que opera perfeitamente na Xbox One, com a qualidade em termos de física e fluidez imprimida pela Turn 10. É uma das primeiras notas mais salientes, a versatilidade deste "racer", que não sendo um simulador puro como um rfactor e até mesmo um Assetto Corsa, revela óptimos sinais de aproximação a uma condução mais realista mas ao mesmo tempo estimulante, passível de ser desfrutada através de comando ou por via de um volante. Dos principiantes aos jogadores que acompanham a série desde a primeira fornada, todos encontram razões para prosseguir: seja pelo factor novidade ou pela forma como saem premiados pela fidelidade ao longo da evolução da série (se tiverem saves de FM5 e FM6 serão compensados com uma série de itens, mods e carros).

A extensa personalização ao nível das assistências permite acomodar os jogadores casuais, que procuram uma experiência rápida, sem grandes compromissos e riscos envolvidos a partir do momento que se abrem os semáforos verdes, bem como os veteranos das corridas, que vão desligando as assistências até sentirem o domínio perfeito do carro, um sistema de condução muito Forza que pode ser plenamente desfrutado a partir do comando, capaz de replicar com precisão a abordagem a cada curva do circuito. É com menos assistências que se correm mais riscos, de perder uma corrida e ver fugir uma vitória quase certa, mas os fãs vão apreciar o controlo adicional do carro, um melhor contacto e um poder de aceleração mais genuíno e realista. Se forem ousados, poderão até eliminar a trajectória ideal (de curva) e correr sem qualquer indicação (o que exige mais concentração e uma memorização do percurso).

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Os eventos de desmontração servem como aperitivo para o que vos espera adiante, ainda o modo carreira está a começar.

É verdade que ao olharmos para o global de Forza Motorsport 7 vemos um jogo que assenta em grande medida sobre as duas produções anteriores, refazendo-se nestes dois anos, tendo como ponto de partida as edições 5 e 6 enquanto bases de desenvolvimento. Daí que FM 7 seja mais um jogo de continuidade e evolução, do que ruptura. Mas em tudo é um jogo mais refinado, com mais motivos de interesse e sobretudo um incremento do universo automóvel. Os carros (mais de 700 nesta edição) são apresentados com particular destaque, assim como os circuitos, aproximadamente 30, compostos por diferentes variantes. As condições atmosféricas dinâmicas estão implementadas de forma particularmente estrondosa, especialmente ao nível dos efeitos visuais e do impacto que produzem na condução, mas ainda não operam num ciclo completo.

Sendo certo que toda a experiência que compõe FM 7 foi alvo de tratamento noutros jogos, ou seja, não existem elementos inovadores em termos de gameplay, é na execução e aperfeiçoamento dos aspectos técnicos que se alcançam as maiores proezas, ao ponto de fazer desta edição a mais entusiasmante da série, onde qualquer corrida, seja com um carro de competição ou através de um veículo de estrada, apresenta motivos suficientes para nos manter agarrados desde a primeira volta. Até nalgumas categorias porventura mais desinteressantes (para mim são os SUV's pelo seu peso suplementar), a dinâmica de algumas corridas pode quebrar alguma monotonia. Mas basta mudar as configurações, se acharmos que estamos demasiado rápidos e a travar atempadamente, para nos sentirmos mais desafiados e à procura da melhor solução para acabar uma corrida na frente.

Ainda que compostos por diferentes versões, FM 7 poderia ser uma experiência mais gloriosa caso fossem implementados mais circuitos, assim como condições atmosféricas dinâmicas em todos, num ciclo mais abrangente e não em momentos predeterminados. Isto priva um pouco os utilizadores do que seria uma experiência mais próxima da simulação, com maiores imponderáveis no decurso da corrida, sendo justo referir que mesmo assim tanto ao nível dos efeitos visuais como da consequência de passagem do seco para a chuva, ou vice-versa, a condução é claramente afectada. Experimentem fazer uma corrida no velho Nurburgring para perceberem como uma corrida à chuva é mais exigente que dantes. Mas, antes de passarmos aos efeitos da condução, destaque para o modo carreira.

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O barulho dos rateres é audível mesmo dentro do carro e contribui para uma dose de realismo extra.

O Forza Driver's Cup é constituído por seis divisões, que se abrem à medida que obtêm os pontos (SP) necessários. Estes pontos são obtidos através da pontuação nas corridas, consoante o lugar na classificação. Se saírem vencedores de um torneio (composto por 4 ou mais provas) obterão a totalidade dos pontos, o que significa que ficam mais perto dos pontos necessários para subirem de divisão. O que acontece é que os pontos necessários para a promoção ao escalão seguinte vão sendo em maior número, o que vos obriga a terminar muitas corridas.

De resto, existem provas de diferentes categorias, dos clássicos aos veículos de competição, passando pelos fórmulas, desportivos e carros de turismo, até aos sempre tentadores clássicos. Em que categoria pretendem prosseguir isso depende do vosso gosto e interesse. Uma experiência interessante é a existência dos chamados eventos de demonstração, nos quais a participação se resume a uma particular modalidade ou prova. Normalmente é um desafio, que pode ir de um desafio ao Ken Block, até à ultrapassagem de 48 carros a bordo de um Porsche 918 Spyder. Se vencerem essas provas o veículo que conduziram entra para a vossa garagem.

Enquanto pilotos, a vossa experiência não só é posta à prova em corridas mais desafiantes como premiada através de pontos de experiência, os reconhecidos XP. Estes pontos são atribuídos no final de uma prova, em consonância com a vossa prestação. Desde ultrapassagens bem executadas, boas passagens em curva, não utilização da função "rewind", tudo isso entra para a contabilidade. Ao subirem de nível, ganhando mais XP, podem escolher um de 3 prémios, desde créditos (a juntar aos créditos ganhos por corrida consoante o nível de dificuldade e as assistências seleccionadas, bem como adição de mods, com efeitos para obter mais créditos), desconto na aquisição de um carro e um fato de piloto. Neste aspecto, é a primeira vez que escolhemos o fato para o nosso piloto e aqui podemos escolher um equipamento relacionado com uma marca que nos é favorita, criando assim maior afinidade.

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Podem dar uso ao modo Forza Vista nas boxes. Diga-se que os menus do jogo e a música que os acompanha estão bem conseguidos.

Esta edição a Turn 10 introduziu um novo sistema de coleccionismo, que significa que para comprarem certos automóveis terão que ter acesso a uma série de categorias organizadas por "tiers". No quadro mais básico estão os veículos mais acessíveis, enquanto que na categoria dos carros lendários não só estão os mais caros como os mais rápidos ou difíceis de obter. Com maior experiência e participando em certas provas, comprando carros e mods, paulatinamente sobem de "tier", mas convém lembrar que é um processo gradual. Algumas provas da primeira divisão começam requerem carros do "tier 4" o que significa que mais adiante poderão voltar atrás e disputá-las. Há uma grande liberdade no que toca à escolha das provas.

Os "mods" estão mais uma vez presentes, o que significa que podem criar desafios adicionais para obter mais XP. Trata-se de consumíveis que podem ser utilizados no mínimo uma vez. Os "mods" podem ser obtidos a partir de caixas de prémios, que integram uma vasta gama, das mais baratas compostas por um mod e um carro, até às mais dispendiosas que podem dar acesso a um carro lendário para a vossa garagem. No final, a utilização destes amplificadores de créditos e bónus repousa no critério de cada jogador. Os preços são diferenciados e abrir-se-á aqui um mercado com algumas especificidades que, no extremo, poderão criar alguns desequilíbrios na progressão da carreira, mas isso é um opcional que depende de cada um.

Percorrer os "tiers" pode ser um regalo para a vista. Existem cerca de 700 veículos modelados com o máximo rigor e brilho. Tal como sucedera em edições do passado, certas marcas voltam a estar em destaque, nomeadamente a Porsche, Lamborghini e Ferrari. No caso do construtor germânico, uma vez expirado o acordo de exclusividade que ligava à Electronic Arts, a Microsoft garantiu o novo Porsche 911 GT2 RS como capa e um dos carros destaque desta sétima edição. Um assomo de potencia e engenharia técnica que seguramente fará as delícias dos fãs. No entanto, há mais veículos, não só os carros de estrada clássicos, mas veículos de competição. Existem carros de ralis, alguns Fórmula 1 clássicos e actuais, os novos Fórmula E, entre muitos outros.

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Preparador Hoonigan contempla uma série de veículos.

Trata-se de uma impressionante lista de marcas, com carros integrados em inúmeras categorias desportivas. Pena que neste capítulo não tenham sido dadas as condições plenas para a prática dos ralis. Não existem percursos off-road e por isso as corridas com carros de ralis não se afastam das tradicionais corridas em formato circuito. Mesmo a gymkhana com Ken Block, sob a forma de um evento de demonstração, consiste numa série de 2 voltas ao traçado de Long Beach. Ainda que com algumas variantes, o número de pistas disponíveis e autódromos, podia ser maior e mais diversificado. A qualidade gráfica dos circuitos é muito boa (Road Atlanta tem aquela poeira cor de tijolo junto dos correctores), mas muitos deles regressam, criando uma certa repetição. Com tantas pistas icónicas e espalhadas pelo mundo, teria sido melhor solução acrescentar pelo menos mais uma dezena.

Depois, há que ver que nem todos estes 30 circuitos apresentam sujeição às condições atmosféricas dinâmicas. Muitos deles só podem ser percorridos à luz do dia ou à noite. Outros são mais versáteis, como o grande Nurburgring ou Suzuka, onde aí sim as condições atmosféricas, com particular incidência para a chuva e transição para o seco se reflectem de forma espantosa, especialmente após uma bátega autêntica, entre raios e trovões, audíveis mesmo no interior de um carro particularmente ruidoso. À medida que as nuvens escuras dissipam os céus, uma luminosidade ganha avanço, a suficiente para começar a secar a pista. De resto, se atentarmos nas nuvens, mesmo com tempo seco, reparamos que há uma constante deslocação, produzindo sombras em sítios onde até há momentos havia sol. Isto contribui para um maior realismo e beleza, particularmente em circuitos como o de Abu Dhabi, que à noite oferecem um jogo de luz adorável.

À semelhança dos jogos anteriores é possível melhorar a performance dos carros através de uma série de updates e kits de potência, sendo que essas mudanças afectam a divisão do veículo. Encontram ainda uma variedade de pinturas, podendo criar os vossos trabalhos se tiverem veia artística e imenso tempo para fazer um trabalho digno de partilha com outros utilizadores. O modo Forza Vista permite ver os carros com detalhe, tanto por dentro como por fora. Isto é um serviço em prol dos fãs dos automóveis, com uma observação interior ao detalhe, podendo abrir as portas, as malas e o capôt para um exame minucioso. É-vos permitido ligar o motor e premir o acelerador para ficar com uma ideia do barulho do motor.

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Percursos urbanos são uma marca de Forza Motorsport 7.

Nesse capítulo FM 7 é extraordinário, não só na captação autêntica do ruído dos motores como na reprodução adequada, produzindo uma sensação muito próxima da realiadde. Se há segmento no qual FM sempre primou pelo sucesso, a física, desta vez volta a estar em destaque, especialmente se não dispõem de um volante e o comando é o único acessório que dispõem. Dentro dos jogos que pendem para a simulação, FM é o que melhor resultado atinge. É sempre constante a sensação de peso do carro, sendo especialmente notória a força do carro obtida pela tracção, quando o mesmo segue colado ao asfalto, mas também quando sentimos a perda de aderência.

A ondulação do asfalto produz oscilações e agora é mais perceptível uma perturbação da perspectiva, especialmente na câmara exterior, quando atingem velocidades elevadas, como acontece na realidade, e a vibração é maior. Os carros de afinação desportiva detectam facilmente as irregularidades mas possuem aderência maior, o que permite explorar os níveis de pista a velocidades incríveis. Depois há carros fascinantes como o Porsche GT2 RS, que bem doseado em curva, apesar da dificuldade, sobretudo se jogarem com poucas assistências, consegue grandes proezas. Normalmente os carros de tracção às quatro rodas são os melhores para andarem a fundo sem se preocuparem com fugas da traseira ou saída de frente. Mas se levarem um Porsche 911 Turbo S para Mount Panorama, em Bathurst, preparem-se para mais algumas dificuldades no miolo ascendente e descendente da pista.

No que respeita às restantes opções de jogo, podem sempre jogar no modo livre, definindo uma corrida, através da selecção do carro e pista. Podem escolher o número de adversários e estabelecer as condições atmosféricas ou não, caso estejam contempladas na pista eleita. Por fim, o multiplayer, a opção que vos deixa continuar a acumular pontos de experiência e créditos indispensáveis à aquisição de veículos. As corridas online funcionam até 24 jogadores e contemplam uma grande variedade de modalidades e provas. Dos clássicos até às competições de Gran Turismo e resistência em circuitos como Le Mans ou SPA Francorchamps, existe uma grande variedade de provas. Até ao momento os servidores têm funcionado bem.

Como notas finais, Forza Motorsport 7 é facilmente uma experiência recomendada a todos os fãs do mundo automóvel. Esta é porventura a edição mais forte da série, a que melhor conjuga uma incrível sensação de física, com fluidez e qualidade gráfica. Corridas a 60 fps, uma excelente modelação dos automóveis e uma reprodução muito consistente dos ruídos e barulhos envolventes, criam uma sensação de imersão deveras eficaz. Mas ainda há espaço para melhorar. Achamos que o número de pistas pode ser maior, especialmente no que toca à diversidade de pisos, depois do conhecimento da Turn 10 com Forza Horizon, que contempla circuitos off-road, a inteligência artificial ainda pode ser melhorada e sobretudo as condições atmosféricas dinâmicas deverão extender-se a todos os circuitos. Ainda assim, a qualidade dos efeitos visuais à chuva, os desequilíbrios causados pela acumulação de água, estão já a um nível superior à edição passada. Nota-se uma evolução sustentada e gradual, como se cada edição passada fosse uma base para uma nova partida. FM 7 é um jogo de excelência e de exacerbada paixão pelo mundo automóvel, capaz de o reproduzir de forma musculada e vital.

Forza Motorsport 7 - Análise Vítor Alexandre Elevada performance. 2017-10-04T12:02:00+01:00 4 5
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