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Dishonored: Death of the Outsider - Análise

Rubik.

Cada nível é um engenhoso quebra-cabeças que solucionas com as habilidades e exploração.

Qualquer jogador que tenha terminado Dishonored 2 certamente ficou deslumbrado e com a sensação que este universo tem mais para dar. Felizmente, a Bethesda e a Arkane Studios concordaram e enquanto preparam o futuro da propriedade, decidiram encerrar o arco narrativo Caldwin que começou com o primeiro jogo. O resultado é uma expansão chamada Dishonored: Death of the Outsider, que chega praticamente um ano depois do anterior. Sendo uma expansão, são esperadas imensas similaridades com esse jogo, mas num gameplay tão rico e libertador quanto o de Dishonored, isso não é um mau sinal. Em Dishonored: Death of the Outsider, vais seguir as aventuras de Billie Lurk, que ajudou os protagonistas no anterior jogo, numa missão para matar o The Outsider. Para isso, ela precisa utilizar os seus poderes para navegar pelo submundo de Karnaca.

Os poderes que te são concedidos são as formas através das quais podes expressar a tua interpretação deste gameplay. Não existe uma forma certa ou errada de actuar, apenas existe a forma como utilizas os poderes e recursos de Billie Lurk para alcançar o objectivo. Existem diferentes entradas nos locais onde se encontram os objectivos, podes ser letal e directo (nada recomendado e o caminho para uma morte rápida) ou podes mover-te de forma furtiva e sem jamais ser visto. O que te der mais gosto. A melhor forma de circular pelo mundo de Dishonored é utilizar os poderes de Billie, que além de conseguir escutar ratos para receber dicas, consegue assumir a forma de um NPC que deixa inconsciente e tele-transportar-se rapidamente ente dois pontos.

Tal como nos dois anteriores, os poderes são o grande destaque do gameplay. A capacidade de assumires temporariamente a imagem de um NPC permite-te navegar pelos níveis com maior liberdade e até abordar as missões de uma nova forma. Já o poder de tele-transporte permite explorar a verticalidade dos níveis e contornar guardas ou chegar a locais de outra forma inacessíveis. Estes dois poderes são as grandes referências de Dishonored: Death of the Outsider e na grande maioria do tempo as tuas melhores armas para progredir. Sendo uma expansão, Death of the Outsider assenta os seus alicerces em Dishonored 2, mas o poder de te transformares em NPCs molda de uma forma muito válida a forma como encaras os níveis.

Quando joguei Dishonored 2 em Novembro de 2016, fiquei com a clara sensação que a Arkane Studios tinha conseguido algo que pode ser considerado puro ouro, uma experiência num patamar difícil de igualar. Dishonored: Death of the Outsider não chega a esse patamar, mas nem o pretende. É o fecho de um arco narrativo, do arco Caldwin, e uma experiência mais pequena, mas com todos os condimentos que nos deixaram rendidos nos dois jogos anteriores. No entanto, se em Dishonored 2 senti que a qualidade gráfica precisava de melhorias, ao jogar Dishonored: Death of the Outsider na PlayStation 4 Pro fiquei ainda mais com essa sensação. A Arkane precisa melhorar a sua tecnologia para o futuro da série.

O motor gráfico do jogo não consegue satisfazer na mesma dose que conseguiu no ano passado. O deslumbrante design artístico da Arkane é a sua mais valia e será frequente ficares encantado com os cenários. Pelo outro lado, o streaming tardio de texturas, a fraca qualidade de algumas texturas e a pobre qualidade de alguns modelos de personagens (sem esquecer a repetição de modelos ao longo da expansão), tiram força à experiência geral. Juntamente com as falhas na inteligência artificial e os bugs, torna-se no elemento que mais enfraquece uma experiência cujo gameplay fascinante não merecia ser traído por estes detalhes.

Dishonored: Death of the Outsider relembra muito bem o porquê de nos termos apaixonado pela série da Arkane Studios. Cada nível é um cubo de rubik cujos lados se vão alinhando consoante exploras os níveis e aumentas a tua compreensão de como podes tirar partido das oportunidades disponíveis. O gameplay de tentativa e erro raramente se torna frustrante pois o jogo conquista o teu respeito, ensina-te que a culpa é tua, és tu que não estás a saber interpretar o nível, os caminhos, os poderes. No entanto, não existe certo ou errado, jogas como queres, apenas terás de aceitar as recompensas ou contra-partidas de cada forma de actuar. Death of the Outsider é mais uma incrível jornada neste deslumbrante universo, que nos faz sentir vontade em ver mais desta série, mas que também nos lembra que existe muito que a Arkane terá de melhorar no futuro.

Dishonored: Death of the Outsider - Análise Bruno Galvão Rubik. 2017-10-01T16:32:00+01:00 4 5
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