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Marvel vs. Capcom: Infinite - Análise

Dois universos populares voltam a encontrar-se.

O universo de Mega Man tem grande importância no novo Marvel vs Capcom.

Marvel vs. Capcom: Infinite é uma oportunidade desperdiçada. Dois universos colidem mais uma vez, mas de forma muito menos espectacular.

Seria de esperar que depois de Street Fighter V, a Capcom tivesse aprendido alguma coisa, todavia, continua a cometer erros com as suas franquias mais importantes e consequentemente a desiludir os fãs. Com Marvel vs Capcom: Infinite, a companhia japonesa tentou capitalizar no enorme sucesso que os filmes da Marvel estão a ter nos cinemas, mas esqueceu-se de coisas cruciais que tornaram os jogos anteriores da série inesquecíveis.

Na geração anterior passei horas incontáveis a jogar Marvel vs Capcom 3. Com o novo jogo da série, pensei que o mesmo iria acontecer, mas infelizmente Infinite não tem a mesma magia dos anteriores. Os problemas são vários, desde a alteração do sistema de combate para um esquema de dois contra dois, que torna as lutas menos frenéticas e explosivas, uma escolha questionável de personagens, e gráficos que nos fazem deitar as mãos à cara, principalmente quando olhamos para as caras das personagens.

Já devem ter percebido que Marvel vs Capcom: Infinite está longe de ser perfeito, no entanto, nota-se que a Capcom quis fazer um jogo mais completo. Para começar, existe um modo de história com uma linha narrativa e com cinemáticas a acompanhar. O modo história mostra uma aliança entre os heróis da Marvel e da Capcom para combaterem Ultron Sigma, uma fusão entre Ultron, do universo da Marvel, e Sigma, do universo da Capcom (mais propriamente de Mega Man). A história também envolve as seis Infinite Stones, que serão o tema central do filme Avengers: Infinity War.

As Infinity Stones são a grande novidade da jogabilidade. Antes de cada combate têm que escolher uma das seis Infinity Stones. Cada Infinity Stone terá dois efeitos diferentes, o Infinity Surge e o Infinity Storm. O Infinity Surge pode ser usado a qualquer momento carregando no L1 ou R1, enquanto o Infinity Storm está dependente de uma barra e só pode ser activado quando esse barra estiver metade cheia. As Stones têm vários efeitos, como aumentar o carregamento do super ataque, ressuscitar companheiros mortos, aumentar a velocidade de deslocação ou até prender o adversário numa área restrita.

"A introdução das Infinity Stones nos combates vêm dar uma maior profundidade à jogabilidade e mais possibilidades"

A introdução das Infinity Stones nos combates vêm dar uma maior profundidade à jogabilidade e mais possibilidades. Por outro lado, mecânicas familiares para os veteranos da série como as assistências foram removidas, o que não é propriamente mau. Em vez disso, o novo sistema permite que troquem quase imediatamente de lutador, sendo desta forma possível prolongar um combo. O problema de Marvel vs Capcom: Infinite não é o sistema de combate. A Capcom sabe fazer jogos de luta e temos aqui um exemplo de um jogo com bastante profundidade para aqueles dispostos a dedicarem tempo suficiente para aprenderem, ainda que a troca para combates de dois contra dois o tenha tornado mais calmo.

O maior problema de Marvel vs Capcom: Infinite é que não parece ser um jogo especial. Os crossovers são extremamente raros e deviam ser uma celebração de dois universos, juntando as personagens de cada lado de formas engraçadas e criativas. Neste caso nada disso acontece. O modo história começa dezenas de dias após a convergência, um evento em que Ultron utilizou as Infinity Stones para juntar os dois universos. Como tal, as personagens agem como se já se conhecessem e aquela magia de ver dois universos a encontrarem-se pela primeira vez ficou perdida. Ainda há alguns momentos engraçados, mas no geral, o modo de história é desprovido de emoção, até porque passamos a maior parte do tempo a lutar contra os robôs de Ultron.

marvel vs capcom infinite faces

As caras das personagens estão estranhas.

A escolha de personagens é outro aspecto criticável. Os X-Men sempre foram personagens populares em Marvel vs Capcom, mas foram deixadas de fora neste novo capítulo. É compreensível que a Marvel esteja mais interessada em promover as personagens dos seus filmes, contudo, os X-Men continuam a fazer parte do universo da Marvel, mesmo que os direitos dos filmes X-Men pertençam neste momento a outra companhia. Do lado da Capcom, excluir personagens como Wesker, Akuma, Trish e Viewtiful Joe, e optar por incluir Arthur e Spencer parece-nos sem sentido. Depois temos a questão de que personagens como o Black Panther e Monster Hunter, que aparecem durante o modo história, foram deixadas de parte para o Season Pass.

Pior que a escolha de personagens é a apresentação. As caras das personagens são horríveis (parecem daqueles bonecos de imitação) bem como a formação corporal, isto no caso das personagens masculinas. As personagens do sexo masculino têm tanto músculo que quase ficam desformes. É um exagero. As personagens do sexo feminino não são muitas, mas pelo menos têm uma formação corporal dentro dos padrões da normalidade. Para Infinite, a Capcom escolheu um estilo visual mais realista, abandonando o aspecto de banda-desenhada de Marvel vs Capcom 3. O resultado não é satisfatório e não tem o mesmo impacto.

Depois de concluírem o modo história, resta-vos o modo Arcade, que permite desbloquear mais cores para os fatos das personagens, o modo Online, para competirem com outros jogadores, e o modo de Treino em que podem praticar combos com as diversas personagens. Em termos de conteúdos, não é tão parco como Street Fighter V no lançamento, mas não ombreia com Injustice 2. Para os novatos, a Capcom inclui um modo fácil em que é possível realizar um combo e super ataque simplesmente carregando no mesmo botão. É apelativo para aquelas pessoas que acham os jogos de luta demasiado complexos, mas não transforma ninguém num perito. Um jogador experimente terá sempre vantagem comparativamente àqueles que usarem esta ajuda.

Se cresceste a jogar Marvel vs Capcom nas arcadas e/ou nas consolas caseiras, Infinite vai deixar-te com um sabor amargo. Não é um jogo tão espectacular e especial como os outros Aproveita-se o sistema de combate, que graças às Infinity Stones tem mais possibilidades e variedade, mas o resto poderia ser muito melhor. A apresentação é desinteressante, não apenas no que toca ao design das personagens, mas até nos menus de navegação. Como um fã do anterior, não conseguido esconder a sensação de desilusão. Marvel vs Capcom merecia um jogo melhor do que este. Felizmente, podes comprar a versão HD do anterior para a PS4, Xbox One e PC.

Marvel vs. Capcom: Infinite - Análise Jorge Loureiro Dois universos populares voltam a encontrar-se. 2017-09-25T13:20:00+01:00 3 5
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