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Ark: Survival Evolved - Análise

Mais olhos do que barriga.

Podes juntar-te com amigos e caçar dinossauros gigantes.

A premissa de Ark: Survival Evolved é atraente, mas a concretização fica aquém das expectativas.

Ark: Survival Evolved é um daqueles que jogos que, depois de vermos um dos trailers promocionais, ficamos com vontade de experimentar imediatamente. Um gigantesco mundo aberto, inúmeras possibilidades e domar dinossauros gigantes é uma proposta que, à primeira vista, tem um enorme apelo para qualquer jogador. No entanto, a realidade é diferente. Embora seja possível realizar as diversas coisas que o trailer mostra, Ark: Survival Evolved é um jogo com grinding excessivo que o torna rapidamente aborrecido e com problemas técnicos graves.

A melhor forma de descrever Ark: Survival Evolved é pensar num jogo de sobrevivência com dinossauros à mistura. No início do jogo temos que criar uma personagem e começar praticamente sem nada. Tudo o que temos é um pano para tapar as partes privadas e as nossas mãos para apanhar recursos. Para sobrevivermos à noite, temos que construir a nossa casa. Primeiro só podemos construir uma casa de palha, e mais tarde, quando estivermos num nível superior e com acesso a mais habilidades de crafting, é que podemos construir uma casa mais resistente com outros materiais como madeira.

Inicialmente construí uma grande casa, mas depois comecei a perceber que era inútil. Quando desligamos o jogo, a nossa casa fica completamente vulnerável a ataques de outros jogadores. Sempre que voltava a entrar no jogo, isto já no dia seguinte, encontrava a minha personagem morta, sem nada, e a casa tinha desaparecido do mapa. Tenho consciência que é um jogo de sobrevivência e que isto implica estar em risco perante jogadores agressivos, no entanto, ter que voltar a construir tudo de novo todos os dias torna-se aborrecido.

Se calhar estão a pensar que poderia fazer outra coisa a não ser construir casas, mas inicialmente é a única forma de progredir e de subir de nível. Portanto, se estão a pensar que vão entrar em Ark e montar um dinossauro gigante, tirem essa ideia da cabeça. No início o jogo mais parece um simulador de construção de casas em palha e madeira. Eventualmente, temos nível suficiente para construir armas melhores, o que nos permite caçar e/ou domar dinossauros. Para domarem um dinossauro, têm que o deixar inconsciente, meter comida no seu inventário e deixar que acorde. Depois resta-vos repetir o processo até que, de tanta paulada, comece a gostar de vocês.

De cada vez que subimos de nível, desbloqueamos um ponto para evoluir as estatísticas da nossa personagem. Podem investir em saúde, alimentação, hidratação, força, stamina e diversos outros parâmetros que governam a personagem que criaram. A cada nível também desbloqueiam pontos para investir em crafting. É desta forma que vão aprender a construir paredes, telhados, armas, montadas para os dinossauros e outros utensílios. Obviamente que, para construírem estas coisas, vão precisar de recursos. A maior parte do tempo que passei em Ark foi a deitar abaixo árvores e a apanhar paus do chão. É um jogo com uma estrutura simples de progressão, mas que requer muitas horas para chegar ao miolo.

" No início o jogo mais parece um simulador de construção de casas em palha e madeira."

Pode parecer apelativo para quem procura um jogo com muitas horas, mas depois de algum tempo, torna-se aborrecido. Jogar com amigos e criar uma tributo ajudam a anular alguns dos efeitos negativos de Ark: Survival Evolved. Também é uma forma de evitarem que a vossa casa seja destruída sempre encerram o jogo. Uma das situações mais caricatas que me aconteceu em Ark, foi ser raptado. Dois jogadores atacaram-me, deixaram-me inconsciente e fecharam-me dentro de uma jaula de madeira dentro da sua tribo. Para sair de lá tive que comer as minhas fezes até morrer. Ao mesmo, foi um pouco frustrante, ficar impotente dentro de uma jaula, mas reforça o facto de que Ark é um jogo de sobrevivência.

A versão final conta com quatro grandes mapas para explorar - o mapa original da Ilha, o Centro, Scorched Earth e Ragnarok. Cada mapa tem zonas mais fáceis, com dinossauros pacíficos, e zonas mais complicadas, com dinossauros que vos atacam caso sejam avistados. O ideal é começar numa zona acessível (com água por perto para não morrerem desidratados) e progredir com calma. Mais tarde poderão construir uma tenda e explorar outras zonas. Não há dúvidas que Ark: Survival Evolved é um jogo com uma dimensão colossal. Não sei quantas horas são necessárias para explorar devidamente todos os mapas, mas certamente mais de uma centena. No entanto, estamos perante um caso em que menos seria mais.

Apesar dos seus diversos mapas, Ark: Survival Evolved tem problemas de optimização na versão PlayStation 4 (que foi a que testamos). Antes de mais, há duas opções no que toca aos gráficos. Podemos escolher o modo normal, que corre 640p na PS4 base e a 720p na PS4 Pro, e o modo de detalhe, que corre a 720p na PS4 e a 1080p na PS4 Pro. Em qualquer um destes modos a framerate está desbloqueada e, na maioria dos casos, não consegue ficar estável. Tal como na versão PC, é possível desactivar o V-Sync, o que torna a experiência ligeiramente mais suave. Seja como for, e apesar de haver possibilidade de configurar alguns aspectos, a optimização é fraca. Há rasgos de ecrã, artefactos visuais e erros constantes nas animações das criaturas e do sistema de física. É um caos.

"A experiência é melhor se tiveres um grupo de conhecidas para jogar, caso contrário, arriscas-te a ser atacado sempre que desligas o jogo"

A jogabilidade não é muito melhor. Ark: Survival Evolved é um daqueles jogos em que parece que estamos a controlar um robô. Os movimentos não são fluídos e os combates são péssimos. Recordo-me de andar a perseguir um dinossauro para lhe bater e falhei metade dos golpes, mesmo quando estava a curtas distâncias. Embora Ark: Survival Evolved esteja disponível nas lojas numa suposta versão final, a realidade é que continua a ser um jogo de Acesso Antecipado. Entretanto, a Wildcard Studio parece mais interessada em continuar a fazer novos conteúdos (uma nova expansão, Aberration, será lançada em Outubro) do que optimizar e tornar a experiência mais suave.

Ark: Survival Evolved não é um jogo mau, mas nem todos estarão dispostos a viver com os seus inconvenientes. A experiência é melhor se tiveres um grupo de conhecidas para jogar, caso contrário, arriscas-te a ser atacado sempre que desligas o jogo (podes sempre jogar offline). De realçar ainda que a interface da versão para as consolas é demasiado parecida com a da versão para PC, o que num comando é pouco intuitivo. Portanto, se queres um jogo com centenas de horas e jogas do género da sobrevivência com os dinossauros pelo meio, Ark: Survival Evolved tem algo para te oferecer. Mas antes de procederes à compra, mentaliza-te de que não é um jogo finalizado e que ainda há arestas por limar.

Ark: Survival Evolved - Análise Jorge Loureiro Mais olhos do que barriga. 2017-09-19T17:20:00+01:00 3 5
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