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Mighty Gunvolt Burst - Análise

O sucessor espiritual de Mega Man?

Uma conjugação de esforços entre dois estúdios. Mega Man ainda é uma referência que esta produção não é capaz de destronar.

Detentora da franquia Azure Striker Gunvolt, seria uma questão de tempo até o Inti Creates, um estúdio japonês conhecido por albergar, entre o seu staff, membros da Capcom que trabalharam em 10 jogos Mega Man, criar um jogo em conjunto com o estúdio Comcept, liderado por Keiji Inafune e responsável por Mighty Nr. 9, capaz de atar as duas séries. É verdade que nem tudo correu bem com este último, o jogo dirigido por Keiji Inafune, também conhecido por ser o criador de Mega Man, e que até há uns anos era um dos mais proeminentes produtores da Capcom, mas o mesmo não se pode dizer de Azure Striker Gunvolt, que na sua toada animé, retro e platforming conseguiu um espaço digno de menção.

Se esta é a vocação de ambos os estúdios, apontar ao retro e continuar a desenvolver sob um design e arte clássicos, porque não experimentar novos desafios? Talvez Mighty Gunvolt Burst seja um interregno até algo maior ou simplesmente o desejo de consolidar esta devoção pelos clássicos. Desde logo porque é um jogo que transpira retro e paixão 8 bit pelos poros, mas será isso suficiente? A sua composição é muito mais próxima e alinhada por um clássico cartucho da NES do que um renovado Azure Gunvolt ou Mighty Nr. 9. As raízes são fundas e esse é o maior desiderato nesta produção, mas será suficiente para se destacar e posicionar como jogo emblemático, para lá da nostalgia e desafio retro que normalmente está associado?

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A jogabilidade é na sua maioria uma herança de Mega Man.

O jogo começa de forma bastante simples, dando a oportunidade ao jogador de optar por uma de duas personagens, algo justificável quando estamos perante um jogo que funde dois mundos. Existem espaços save em número suficiente para começarem as partidas, desde o zero, quando quiserem. Assim, podem escolher entre Beck e Gunvolt, cada um com a sua história, por detrás. No primeiro, terão que defrontar todos os chefes de Mighty Nr. 9, atendendo a que o herói está preso numa câmara de realidade virtual. Gunvolt, por seu turno, enviado para uma área onde se encontra destituído de poderes, terá que enfrentar outros robôs num torneio. As premissas são simples e logo nos embrenhamos nos primeiros níveis, saltando entre plataformas e abatendo inimigos estrategicamente posicionados, até nos locais mais inesperados.

A jogabilidade é uma herança maioritária de Mega Man. É quase impossível não nos lembrarmos do clássico da Capcom. 8 níveis para percorrer, com 8 diferentes chefes, sacando a arma no final do combate. As nuances surgem sob a forma do sistema Burst, que basicamente é uma forma de aumentar a dificuldade, forçando a eliminação dos inimigos através de ataques à queima roupa. Isto contribui para aumentar a pontuação, em catadupa até que eliminem um inimigo fora da distância necessária. O problema é que é uma forma de incrementar a dificuldade, especialmente quando enfrentamos os bosses. Muitos continuarão a jogar da forma habitual, usando todo o poder de alcance das armas.

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Vencendo o boss, ficam com a arma dele.

A isto acresce um sistema que nos deixa alterar o "set up" da arma, mudando configurações básicas como os elementos, o poder de fogo, etc. Até mais de uma vintena de parâmetros podem ser personalizados. Em determinados pontos é quase obrigatório reconfigurar a arma, já que acaba por facilitar na pontaria e eficácia, ao mesmo tempo que confere mais alguma dinâmica. Mas o nível de personalização é tão grande e composto por vários menus que ao princípio pode tornar-se desorientador e moroso, ao ponto de quebrar o ritmo. E muitas vezes experimentar algumas alterações significa testar e perceber que não foi tomada a melhor opção, potenciando perdas de créditos. Apesar de tudo é uma boa adição que gratifica os jogadores mais afoitos, que não se preocupam em somar alguns contratempos antes de abrirem caminho a toda a força.

Quanto ao design dos níveis, pode dizer-se que a maioria deles são agradáveis mas como evolução dos clássicos parece faltar mais qualquer coisa. Não é apenas o grau de dificuldade, porventura menor, que está em causa, é sobretudo uma reposição de temas de forma algo previsível, com alguma falta de carisma, sobretudo nos "bosses". Alguns são eliminados quase à primeira e isso pode deixar os saudosistas de Mega Man algo desiludidos. Claro que enquanto jogo 2D de plataformas, Mighty Gunvolt Burst proporciona um satisfatório momento, mas não dá o salto esperado, em termos de criatividade e jogabilidade (com poucas inovações). Mega Man ainda é rei, e enquanto a Capcom não se decidir sobre o que fazer pela série, esta é uma alternativa à consideração dos amantes do retro.

Mighty Gunvolt Burst - Análise Vítor Alexandre O sucessor espiritual de Mega Man? 2017-08-03T12:24:00+01:00 3 5
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