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Fast RMX - Análise

Velocidades estonteantes.

O regresso à F1 do futuro.

Lançado no final de 2015 para a Nintendo Wii U, naquele que foi o último grande ano da consola da Nintendo, Fast Racing Neo, uma produção dos germânicos da Shin'en, sedeados em Munique, perfilou-se como um regresso às corridas futuristas de máquinas anti-gravidade, na onda de F-Zero e com influências de Wipeout. Fast Racing Neo transbordou em termos de velocidades estonteantes: esmagar o acelerador era tudo, enquanto que o travão servia só para emendar algumas curvas feitas por largo. Sem um novo F-Zero e depois da alusão em Mario Kart 8, através do DLC que recuperou algumas pistas do icónico Blue Falcon, Fast Racing Neo depressa emergiu como uma carismática opção. O ano passado o jogo recebeu um conteúdo descarregável que adicionou novas pistas e troféus, mantendo activa a chama das corridas futuristas, ainda na Wii U.

Agora, no lançamento da Nintendo Switch, a nova versátil consola da Nintendo, o jogo regressa debaixo dos holofotes de um novo sistema, rebaptizado de Fast RMX. Atendendo a que o parque de consolas Wii U não é muito grande, as possibilidades de encontrar mais destaque e audiência na passagem para a Switch são bem maiores, ainda que esteja sujeito a algumas limitações, nesta fase. Por ser um dos jogos de lançamento ganha em termos de visibilidade, mas o parque de consolas ainda está em formação. No entanto, é uma segunda oportunidade para encontrar novos utilizadores dispostos a tentar estas corridas ultra futuristas, considerando que este jogo está a ser vendido por 20 euros, um preço altamente competitivo e um convite à compra imediata, atendendo à qualidade e o conteúdo disponíveis.

"A sensação de velocidade mantém-se como um dos maiores atributos deste jogo"

Desde logo porque ao conteúdo original e ao DLC, somam-se seis novas pistas, uma garantia elevada em termos de conteúdo, que garante vários troféus para vencer em diferentes categorias de dificuldade, assim como uma componente multiplayer local e online capaz de proporcionar um incremento da competição. É notável o trabalho do estúdio germânico nesta obra que até à data perfila-se como uma das mais emblemáticas. Na passagem para a Switch, o estúdio foi capaz de injectar uma resolução superior, capaz de rodar a 1080p quando colocada a consola na "dock station", baixando no entanto para 720p quando em modo portátil. Em termos de performance, a sensação de velocidade mantém-se como um dos maiores atributos deste jogo, pautada por um equilíbrio na jogabilidade, na qual acelerar a fundo não chega para passar a meta em primeiro. Existem pistas rápidas, com imensos saltos e quebras de piso, o que obriga a algumas manobras arriscadas, mas esse é talvez o maior desafio, colocar no risco as fichas para a vitória, sabendo que a possibilidade de estoirar na curva seguinte é medonha.

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Atenção ao boost. Em certas zonas pode lançar a nave para fora da pista.

E tudo isto com apenas quase 900 megas, a lembrar a memória de um cartucho Neo Geo. De certo modo é um jogo que está em grande forma e cada mega é músculo, estando o resultado final à mostra quando se contempla a magnífica sensação de velocidade. É certo que os cenários não são muito trabalhados, as estruturas criadas em torno da pista são um pouco mais moderadas, mas mesmo assim estamos perante uma produção muito convincente e segura, capturando bem a essência daqueles jogos arcade de corridas dos anos noventa, em especial a produção F-Zero AX, uma produção que envolveu a participação da Bandai Namco e da Sega.

Os efeitos de luz são particularmente notáveis, com ambientes verdadeiramente credíveis, especialmente em cenários onde as condições são extremas. Em espaços naturais, como o deserto, a neve ou a selva, erguem-se estas montanhas russas para pilotos de outro mundo. O design das pistas é particularmente eficaz, oferecendo diferentes irregularidades, nomeadamente ausência de barreiras em certos sectores, o que motiva saídas de pista para os mais destemidos e prováveis embates em rochas exteriores. Outras vezes é a eliminação de uma parte do piso, para ser retomado adiante, o que implica um salto e a tomada de direcção certa. Tudo isto a 60 fps é altamente alucinante e passa tão depressa que quase nem temos tempo para dar conta da direcção certa.

Entre as novas seis pistas destaque para a selva em Tepaneca Vale. Sob um autêntico dilúvio as máquinas anti gravidade formam luzes que se propagam por toda a extensão da pista. Os efeitos climatéricos estão muito bem conseguidos e o traçado oferece bifurcações e trajectos suplementares, assim como elevações causadas assim que activamos o propulsor da máquina de acordo com a cor indicada na pista.

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Fazer curvas rápidas a fundo sem tocar nas barreiras é de uma satisfação enorme, mas um embate num adversário pode causar um atraso irreversível.

Basicamente existem dois propulsores, azul e laranja, que podem ser alterados com a pressão num botão, quando verificarem adiante na pista um ponto na pista demarcado com uma das cores. Activado o propulsor usando a mesma cor, a máquina ganha temporariamente mais velocidade, um "boost" algo similar ao registado quando activamos o poder das "orbs" recolhidas em certos pontos. Estas "orbs" são como "power ups" que garantem mais velocidade, um suplemento de risco não à prova de contágio.

"Os efeitos climatéricos estão muito bem conseguidos"

Os aparelhos anti-gravidade são em grande número, com novas máquinas adicionadas nesta edição. A escolha não deve ser realizada por acaso. Cada nave apresenta três parâmetros que têm de ser tidos em conta consoante o design das pistas e esta é talvez a maior dificuldade, pois os troféus são compostos por 3 provas (anteriormente eram 4), com 3 pistas diferentes. Se numa delas a máquina tem vantagem, noutra poderá ficar em desvantagem. De resto estas provas são mais curtas, podendo ser completadas em quadros de dez minutos, o que é óptimo para breves sessões em modo de jogo portátil.

Nesse capítulo importa registar que para lá do modo lan, o jogo contempla opões online (até oito jogadores), um multiplayer muito semelhante à versão da Wii U. Porém, com a vantagem de ser desfrutado em modo "table top" para dois ou quatro jogadores, através de ecrã dividido, segurando cada jogador o seu "Joy-con". Destaque para o modo Hero uma opção que abrange várias categorias de dificuldade, nas quais existem provas onde vos é pedido que terminem em primeiro. Só para heróis.

Em termos de aproveitamento da tecnologia da vibração em alta definição, Fast rmx é um excelente exemplo, com vibrações muito precisas e notórias quando injectamos boost, atravessamos uma zona colorida ganhando velocidade ou temos a máquina sujeita a fortes ventos quando atravessa duas secções de pista separadas entre si pelo abismo. Apenas algumas pistas mais tubulares podem ser menos agradáveis no aproveitamento deste efeito, mas de um modo geral potenciam a vibração proporcionada pelos comandos tornando estas corridas em velocidade supersónica mais "vivas".

Depois de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Fast rmx é a melhor opção do conjunto de jogos disponíveis para a Switch, nesta fase de lançamento. Por 20 euros compram um jogo de grande qualidade e dotado de conteúdo suficiente para umas largas horas, seja em competição a solo, com outra pessoa ou em rede. Corridas estonteantes, imensos veículos, imensas pistas e um grande "design".

Fast RMX - Análise Vítor Alexandre Velocidades estonteantes. 2017-03-13T12:04:00+00:00 4 5
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