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Nintendo Switch - Análise

Um salto de fé.

A Switch deixa-te jogar em qualquer lado.

No papel a Nintendo Switch é uma consola de sonho. Há muito que os jogadores desejam uma consola que possa ser transportada para qualquer lado e que não tenha qualquer compromisso face a uma consola caseira. É este o sonho que a Nintendo quer cumprir com a Switch. Desde que a consola foi revelada em Outubro 2016 que têm surgido muitas questões e dúvidas. Será que a Switch é poderosa o suficiente? Será capaz de competir com a PlayStation 4 e a Xbox One, que estão no mercado há mais tempo e já estabeleceram uma base respeitável de utilizadores? Quanto tempo dura a bateria? São os Joy-Con ergonómicos? Os 32 GB de armazenamento são suficientes? O preço é justificado? Estamos aqui para responder a todas estas questões e também para revelar as nossas conclusões depois de usarmos a Nintendo Switch durante mais de uma semana.

Antes de mais, já referimos na nossa antevisão que a Nintendo Switch é precisamente aquilo que a Wii U deveria ter sido. Depois de mais dias a utilizar a nova consola, isto é mais evidente do que nunca. A Wii U tinha um segundo ecrã, mas nunca podia sair de casa. No máximo podiam levá-la para outras divisões, mas mesmo assim, a ligação começava a ficar fraca depois de alguns metros. A Nintendo pretendia que o segundo ecrã da Wii U fosse usado pelos criadores de videojogos de formas criativas, mas em retrospectiva, poucos jogos aproveitaram esta funcionalidade (um dos raros exemplos é ZombiU). Ultimamente, o conceito da Wii U falhou em atrair os consumidores e, como consequência, a maioria produtores afastaram-se da consola.

Podes jogar em qualquer lado...

À partida, o conceito da Nintendo Switch é muito mais apelativo e directo. É uma consola para levar para todo o lado. Acima de tudo, é mais uma consola da Nintendo, que a cada geração tem jogado com conceitos diferentes. Na Wii foram introduzidos os controlos por movimentos, na Wii U foi incluído um segundo ecrã, e na Nintendo Switch o conceito gira em torno de uma consola híbrida. Na realidade, a Switch combina elementos das duas consolas anteriores. Tem a portabilidade alargada que a Wii U não tinha e os comandos Joy-Con tem sensores de movimento. A consola também procura trazer de volta a partilha de videojogos com amigos. Em alguns jogos (por exemplo, Snipperclips) cada Joy-Con pode ser utilizado como um comando individual, o que torna a partilha mais fácil.

... mas existem limitações

Por outro lado, é uma consola que chegará às lojas com limitações evidentes. O software é extremamente limitado e básico. Não há navegador da Internet nem qualquer leitor de multimédia. A funcionalidade de partilha está limitada, por enquanto, a imagens. Os 32 GB de armazenamento são impensáveis em 2017 (a Wii U já tinha 32GB e o seu armazenamento já era limitado). Há suporte para expansão de memória através de cartões microSD, mas implica um custo extra para o consumidor. Podem tentar ao máximo poupar o armazenamento da consola ao comprar os jogos em formato físico, mas numa portátil o formato digital é cada vez mais apetecível visto que permite transportar uma grande quantidade de jogos sem andarem com os cartuchos atras de vocês.

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O passado e o futuro da Nintendo.

São falhas que a Nintendo poderá corrigir com o tempo. O software pode ser expandido com mais funcionalidades através de actualizações e mais tarde poderão surgir modelos da Switch com mais memória interna. Erros de design como o suporte vertical, que é pouco estável devido a apoiar apenas um dos lados da consola, também poderão ser corrigidos com versões melhoradas da Switch, que nos parecem inevitáveis se olharmos para o historial das portáteis da Nintendo. Há outro factor inegável e que tem que ser mencionado. O hardware da Switch, embora seja mais do que suficiente para uma consola portátil, não tem estofo para competir com as consolas caseiras como a PlayStation 4 e Xbox One.

Embora a Nintendo queira passar a mensagem de que a Switch consegue ser também uma consola caseira, é acima de tudo uma consola portátil, e está longe de poder competir no campo caseiro com as suas rivais. Quando olhámos para a consola sem os Joy-Con nas laterais, torna-se compreensível que um hardware deste tamanho (bem mais pequeno) não consiga competir com consolas que foram pensadas para ficar permanentemente debaixo da televisão. Quando vemos The Legend of Zelda: Breath of the Wild a correr no modo televisão, isto é, com a Switch colocada na dock, o jogo não tem um aspecto tão apelativo como no modo portátil. O ecrã da Switch é pequeno e, com uma resolução de 720p, consegue esconder muitas das falhas apenas visíveis num ecrã maior. No entanto, no modo televisão, são reveladas muitas texturas fracas, um horizonte estático e vazio, e nalguns locais um aspecto visual deslavado.

Será que a Switch vai atrair apoio third-party?

As limitações expressadas por The Legend of Zelda: Breath of the Wild são um forte indício de que jogos como Red Dead Redemption 2 e Mass Effect Andromeda nunca chegarão à Nintendo Switch devido a limitações de hardware. Tal já aconteceu com a Wii U, que foi lançada na transição para a PlayStation 4 e Xbox One mas que em termos de hardware não tinha estofo para a concorrência. Se a consola tiver sucesso, o apoio third-party poderá surgir na forma de títulos desenvolvidos especificamente para a consola ou em jogos menos exigentes. Claro que isto não será um problema para quem já tem outra consola ou um PC para jogos, afinal, há quem compre as consolas da Nintendo para jogar exclusivamente os títulos first-party. Neste aspecto a Nintendo promete não desiludir e no lançamento já temos acesso a The Legend of Zelda: Breath of the Wild, um grande argumento a favor da Nintendo Switch (embora exista também uma versão para Wii U).

Os Joy-Con são fantásticos

Apesar disto tudo, a Nintendo Switch tem charme. Adorámos os Joy-Con e o maravilhoso clique que fazem quando são encaixados nas laterais da consola. Os Joy-Con estão muito bem desenhados e cumprem de forma excelente o conceito de portabilidade associado à Switch. Também adorámos as várias formas de usar os Joy-Con: nas laterais da consola; segurando cada Joy-Con em cada mão; ou encaixados no Grip. São sem dúvida a melhor peça da Nintendo Switch. Como já referimos, cada Joy-Con também pode ser usado como um comando individual. Para isto basta encaixar as correias que vêm incluídas com a consola. Acima de tudo, encaixar e desencaixar os Joy-Con e peças como as correias é incrivelmente fácil.

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Os Joy-Con em Azul e Vermelho são mais apelativos.

O jogo que melhor expressa a versatilidade dos Joy-Con é 1-2 Switch. É um jogo composto por 28 mini-jogos simples mas divertidos quando desfrutados em grupo. Há mini-jogos, como aquele em que tiramos leite a uma vaca, em que mostra as capacidades dos sensores de movimento. A capacidade Rumble HD dos Joy-Con é demonstrada num mini-jogo em que temos que adivinhar quantas bolas estão dentro de uma caixa. Isto é feito ao abanar com cuidado o Joy-Con para sentirmos a vibração das bolas a deslocarem-se de um lado para o outro. Embora não seja muito intensa, a vibração dos Joy-Con é incrivelmente precisa. Nem todos os jogos deverão tirar partido do Rumble HD, mas esta funcionalidade é de facto uma mais valia e tem potencial.

O tablet, que é onde a força motriz da Switch, é robusto. Por outro lado, as barras pretas em volta do ecrã (que é táctil) poderiam ser menores, visto que ocupam um espaço considerável. Na parte superior a consola tem uma saída de ventilação para que não fique demasiado quente. A dock, tal como já referimos na nossa antevisão, está praticamente vazia por dentro. Inicialmente pensava-se que a dock serviria para aumentar a capacidade da Switch no modo televisão, mas na verdade esta peça limita-se a passar o sinal da consola para a televisão. Isto só reforça a sensação de que, de facto, a Switch é uma consola portátil com a funcionalidade de ser ligada à televisão.

Como funciona o online e a eShop?

Não sabemos. Parece inacreditável, mas ainda não tivemos acesso às funcionalidades online da Nintendo Switch. Sabemos que haverá uma actualização no dia de lançamento para activar a eShop, mas de resto, estamos às escuras. A Nintendo já adiantou que tem planos para um serviço online pago à semelhança da PlayStation Network e Xbox Live, portanto, será de esperar algo sólido. Ainda assim, a Nintendo nunca apresentou um serviço online sólido, o que levanta dúvidas à sua capacidade para oferecer um serviço que rivalize com as suas concorrentes. No lançamento a consola nem terá suporte para a Virtual Console, que permite jogar clássicos de outras consolas da Nintendo. Em certos aspectos, como este, a Switch parece uma consola Early Access.

"Isto só reforça a sensação de que, de facto, a Switch é uma consola portátil com a funcionalidade de ser ligada à televisão"

A Switch custa 329.99 euros. O preço é justificado?

Em primeiro lugar, aqui na Europa estamos a ser prejudicados com o preço da Switch. A consola tem um preço de 299.99 dólares na América do Norte que foi definido pela Nintendo. Na Europa a Nintendo diz que o preço é definido pelos retalhistas e a maioria das lojas está a vender a consola por 329.99 euros. É inevitável uma comparação com a concorrência. Tanto a PlayStation 4 como a Xbox One custam menos do que a Switch e têm neste momento um catálogo muito maior. Lançar uma consola a meio de uma geração é desvantajoso, mas a Nintendo poderia ter-se colocado numa melhor posição com um preço mais apelativo.

O maior problema no preço da Switch para a Europa são os custos escondidos. A compra de um cartão microSD para expandir a memória parece-nos inevitável. Depois, o Joy-Con Grip incluído na consola nem tem uma entrada micro-USB para carregar os comandos (é um acessório à parte vendido por 24.99 euros). Em adição, o Joy-Con Grip não é tão ergonómico e confortável como o Pro Controller, mais um acessório que é vendido à parte por um valor que oscila entre 69.99 e 79.99 euros dependendo da loja. Ou seja, a Nintendo está a vender a Switch por um preço Premium mas ultimamente a consola não passa essa sensação.

"Na Europa estamos a ser prejudicados com o preço da Switch"

Também há questão dos jogos confirmados para a Nintendo Switch. Como já foi dito, ter The Legend of Zelda: Breath of the Wild no lançamento é um grande argumento, mas nos próximos meses não haverá nada tão forte. Mario Kart 8 já saiu na Wii U e Splatoon 2 parece mais uma afinação do primeiro do que propriamente uma sequela. É um problema que qualquer consola enfrenta no lançamento, mas no caso da Switch, o problema ganha mais ênfase devido à concorrência.

Conclusão

A Nintendo Switch tem um conceito apelativo, mas não nos enganemos, é uma consola portátil que pode ser jogada numa TV. A bateria, de acordo com os nossos testes, não dura muito mais do que três horas em jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild. É uma duração aceitável para um formato portátil, permitindo jogar em viagens e em intervalos regulares. A consola tem prós como a portabilidade e a versatilidade dos Joy-Con, mas os contra dificultam a justificação do preço pedido pela Nintendo. Olhando para o caso da Nintendo 3DS, que desceu de preço poucos meses após o lançamento, comprar uma Nintendo Switch no lançamento parece um investimento arriscado, já para não falar que existe uma grande probabilidade da consola eventualmente passar por uma revisão, semelhante ao que aconteceu com a 3DS.

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