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Noitu Love: Devolution - Análise

Uma produção de amor e devoção.

Explosão 16 bit.

Noitu Love: Devolution ou Noitu Love 2 (2008) é o mais recente trabalho de Joakim Sandberg - oriundo do frio escandinavo/sueco (MP2 Games fez o obséquio nesta publicação), também conhecido por Konjak (vejam por aqui o seu trabalho. Nessa página podem até descarregar e ouvir a música deste jogo) a chegar às plataformas da Nintendo (3DS e Wii U). Com bastante tempo de atraso mas chegou. Ao adquirirem uma versão podem comprar a outra com 50% de desconto. Um pouco à semelhança dos recentes títulos independentes que aqui analisámos para as consolas da Nintendo, também esta arrojada produção evidencia traços e um design substancial da gloriosa época 16 bit, encontrando talvez nas produções da Treasure (Gunstar Heroes, Dynamite Headdy) algumas ligações.

No actual momento, encontra paralelo nos trabalhos WayForward (Shantae, Mighty Switch Force), na acção frenética e constante rebuliço de adversários, sendo essencialmente um beat'em up com algumas batalhas de dimensão assinalável embora com menos puzzles e mecânicas um tanto mais lineares. O espaço temporal do jogo é o ano 2288 (bem lançado no futuro) e uma organização chamada Peacekeepers League protege a cidade (isto depois dos acontecimentos de Noitu Love). A sensação desta trupe chama-se Xoda Rap, que tem em mãos a difícil tarefa de exterminar um exército robótico liderado pelo professor Darnacus Damnation. Enquanto que a história começa por entreter, sujeitámo-nos a um breve segmento de apresentação das mecânicas antes de mergulharmos na aventura.

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Existe suficiente variedade dentro dos níveis, tanto em mecânicas como em obstáculos.

Originalmente, Noitu Love: Devolution foi pensado para ser jogado com o rato, no PC. Na passagem para as consolas da Nintendo, o ecrã táctil transformou-se na base da esmagadora maioria dos movimentos, sendo que o analógico permite controlar a personagem e o gatilho esquerdo opera saltos. Todas as outras opções são executadas através do ecrã táctil. Esta é talvez a maior crítica que se pode fazer.

"o título em apreço sustenta outras virtudes. Desde logo a qualidade dos níveis, design, arquitectura e visuais, com grande qualidade e muito bonitos, na linha desses jogos 16 bit arcade"

De facto, a transposição para a 3DS ou Wii U poderia ter sido acompanhada de uma adaptação ao comando por botões, o que resultaria numa abordagem mais clássica e mais eficiente. Não que seja complicado executar certos movimentos através do ecrã táctil, o problema surge quando pretendemos um pouco mais de precisão e isso não é possível, não sendo ideal a conjugação entre o salto (botão L) e os restantes. Nalgumas batalhas podemos sofrer um pouco, especialmente quando temos em mãos uma consola portátil (embora na Wii U a situação não seja muito diferente). Claro que ao fim de algum tempo habituamo-nos, mas convém referir que este modelo não é o que melhor se ajusta ao tipo de jogo.

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Não teremos sob controlo apenas Xoda. Outras personagens são chamadas, como nesta secção, ao jeito de um shmup.

Felizmente, o título em apreço sustenta outras virtudes. Desde logo a qualidade dos níveis, design, arquitectura e visuais, com grande qualidade e muito bonitos, na linha desses jogos 16 bit arcade. A acção é bastante rápida e frenética, através de múltiplas explosões, permanentes confrontos (poucas vezes temos tempo para respirar), ao mesmo tempo que recupera aquele aspecto "cartoon" de Metal Slug. Não é um jogo muito comprido e os seus sete níveis percorrem-se em pouco tempo, se estiverem dedicados e com os dedos a escaldar. E embora a sua arquitectura seja similar ao modelo "side scroll" horizontal, frequentes são os segmentos de desvios verticais e obstáculos que obrigam a algum trabalho e precisão, através dos tais movimentos que terão que socorrer-se como as alavancas para abrir portas ou a colocação de um escudo sob uma zona de labaredas de modo a prosseguirem em frente. Embora contenha bastante linearidade e os níveis sejam bastante simples, a organização e a forma como estão criados aguçam o nosso interesse.

A estética é igualmente apelativa, muito colorida, repleta de animações e bosses de dimensões significativas, chegando a ocupar, alguns deles, quase metade do ecrã. A acção é fluída, sem quebras, com uma imagem muito nítida e detalhada. Se quiserem pensem num cruzamento de Metal Slug com Gunstar Heroes, só para terem uma ideia do que vos espera. A dificuldade tem picos, mas não é frustrante nem nos impede de abordar e conseguir a melhor estratégia para superar os chefes finais.

A SNK e Treasure há séculos que não fazem novas produções de muitos dos seus jogos de acção em 2D, mas enquanto existirem produtores como Joakim Sandberg, entre outros que não receiam mostrar o seu gosto e admiração por muitos clássicos 2D, especialmente do foro arcade e 16 bit, os fãs poderão estar mais descansados. Desde logo porque Noitu Love: Devolution é um trabalho muito meritório e bem conseguido, que peca apenas pela falta de adaptação aos botões, nesta entrada para as consolas da Nintendo. Uma produção cuidada e bonita que merece a vossa atenção, especialmente se tiverem em conta o preço (quatro euros e meio, porque neste momento o jogo está em produção). Se lhe derem uma oportunidade, por entre os lançamentos loucos neste final de ano, não se vão arrepender.

Noitu Love: Devolution - Análise Vítor Alexandre Uma produção de amor e devoção. 2016-11-24T12:00:00+00:00 4 5
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