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Bloodborne: The Old Hunters - Análise

Uma boa razão para voltar a Yharnam.

Preparem-se para morrer muitas vezes, outra vez.

Se estão com saudades de Bloodborne mas já fizeram tudo ou quase tudo o que havia para fazer, então a expansão mais recente é a perfeita desculpa para regressar a Yharnam. Expansão é o termo apropriado. The Old Hunters não é um mero DLC, é um conjunto de conteúdos que expande e acrescenta variedade ao jogo original, adicionado novos bosses, mais armas, e novas armaduras. Mais do que expandir o jogo, a expansão relembra-nos que este é um dos melhores jogos do ano, e caso vos tenha passado despercebido em Março, The Old Hunters volta a colocar os holofotes sobre o jogo da From Software para a PS4.

Antes de avançar, convém sublinhar algumas coisas. Primeiro, The Old Hunters não é uma expansão standalone, ou seja, é obrigatório ter o jogo para desfrutar dela. Em segundo, para aceder aos novos conteúdos precisam de ter feito algum progresso, nomeadamente, ter derrotado a Vicar Amelia. O nível recomendado pela From Software para enfrentar os novos bosses e inimigos é de 65, no entanto, se entretanto avançaram para New Game Plus, não seria má ideia ter o dobro do nível recomendado. Em New Game Plus os bosses são geralmente mais agressivos, têm mais vida, e por sua vez, os ataques deles tiram-vos mais vida.

Já lá vão alguns meses desde que joguei Bloodborne pela última vez, e apesar de ser sem dúvida um jogo difícil, não tenho memória de sofrer tanto como nesta expansão. Se já passaram o jogo mais do que uma vez e estão confiantes que a experiência que ganharam facilitará a expansão, não podiam estar mais enganados. Foi com este pensamento que mergulhei em The Old Hunters, mas o primeiro Boss deu-me um estalo metafórico e literal, abalando toda a confiança inicial que tinha. Depois de muita paciência, berros, insultos, e de horas de tentativas, consegui superar o desafio.

Mais sobre Bloodborne

O primeiro boss serviu de alerta para o resto da expansão. The Old Hunters não é fácil. Há momentos em que supera facilmente a dificuldade do jogo original. De certo modo, parece que a From Software desenhou a expansão para agradar àqueles que ainda preferem Demon's / Dark Souls. Uma das áreas da expansão herdou o espírito destes jogos, estando cheia de armadilhas, inimigos escondidos atrás das portas, e de passagens escondidas. Nesta área, o jogo nunca chega a ser injusto, apenas nos pune por entrarmos sem cuidado nos quartos e por não olharmos com atenção para o chão.

The Old Hunters começa numa área familiar, numa versão antiga e diferente da Grande Catedral. É familiar, mas não é conteúdo reciclado. Há várias zonas novas nesta área com segredos para descobrir e armas para apanhar. As seguintes áreas, às quais terão acesso depois do primeiro boss, são completamente novas. Cada área culmina com uma luta com um Boss, que no total são cinco nesta expansão. A dificuldade não é propriamente regular. O primeiro Boss é um verdadeiro desafio, mas os dois seguintes já são mais acessíveis. Já o quarto Boss é um autêntico pesadelo, e o último, bem... respirem fundo e tentem não atirar o comando contra a parede.

Como já referi, existem novas armaduras para apanhar, mas são as novas armas que merecem maior destaque. Antes da expansão Bloodborne já oferecia uma variedade razoável de escolha no que toca às armas, mas com The Old Hunters, a variedade é muito maior. Existe um martelo flamejante, uma espada mágica capaz de atacar à distância, uma espada-arco, uma serra rodopiante, um bastão que se transforma numa espécie de chicote, uma arma inspirada na Amygdala, e mais algumas. Por mais que gostassem de jogar com todas, Bloodborne obriga-vos a escolher apenas uma ou duas devido à necessidade de melhorar as armas com as Pedras de Sangue. No meu caso, optei pela Serra Rodopiante, que depois de melhorada na totalidade, tem uma escala de "S" na categoria da força.

Uma das novidades introduzidas na mais recente atualização (v1.07), e presente nesta expansão, é a possibilidade de invocar NPCs antes de alguns Bosses a custo de 1 de Insight. Embora os NPCs possam ser uma ajuda, nem sempre o são. Quando invocam um NPC ou outro jogador, a quantidade de vida do Boss é aumentada para que a luta não se torne demasiado fácil. O problema dos NPCs é que se comportam de forma estúpida. Arriscam demasiado e expõe-se aos ataques, muitas vezes morrendo antes da luta terminar. Quanto o NPC morre, o Boss continua com a mesma quantidade de vida, portanto, não estou seguro se os NPCs são uma ajuda ou na verdade um handicap. Depende da situação.

"The Old Hunters é uma grande despedida de Yharnam."

O maior pecado de The Old Hunters é falhar em expandir a história. A expansão vem adicionar mais lore, mas a narrativa é ainda mais fraca do que no jogo original. Quanto tratamos do último Boss, nem a uma cinemática temos direito (correcção: existe uma cinemática com apenas alguns segundos). Os jogos da From Software, nomeadamente Demon's Souls e Dark Souls, nunca primaram por este aspecto, mas não deixa de ser um desperdício ter um lore riquíssimo que passa despercebido para a maioria. O lore existe nas descrições das armas, armaduras, itens, ferramentas de caçador e outras coisas que encontram a explorar. Além de ser aborrecido ter que ler a descrição de todos os itens, é difícil unir todos os pedaços de informação para perceber a história.

De resto, The Old Hunters faz justiça ao que o original nos trouxe, mantendo o mesmo padrão de qualidade. Yharnam continua a encantar os seus visitantes com cenários góticos, sobretudo com as grandes catedrais. A expansão também consegue ser mais macabra. Preparem o estômago para passar por rios de sangue e salas com experiências dignas de um cientista maluco. Bloodborne é descrito como um RPG de acção, mas classificá-lo como um jogo de terror não é completamente errado. Alguns dos Bosses são criaturas grotescas, com carne viva à mostra, que nunca na vida gostariam de conhecer na realidade.

Como uma sequela de Bloodborne é incerta, e estando Dark Souls 3 já no horizonte, The Old Hunters é uma grande despedida de Yharnam. Se gostaram do jogo, então vão gostar da expansão. Os novos Bosses oferecem confrontos épicos (não posso deixar de referir a excelente banda sonora durante estes momentos), há novas armas intrigantes para experimentar e que podem utilizar nos conteúdos antigos, e mais horas com a mixórdia de sofrimento / gratificação na qual a From Software se tornou perita. Se mais atenção tivesse sido dada à história, The Old Hunters estaria muito perto da perfeição.

A expansão Bloodborne: The Old Hunters já se encontra disponível na PS Store por 19.99 euros. Também é possível adquirir a expansão juntamente com o jogo (GOTY Edition) por 59.99 euros

Bloodborne: The Old Hunters - Análise Jorge Loureiro Uma boa razão para voltar a Yharnam. 2015-12-01T12:45:00+00:00 4 5

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