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Nintendo Pocket Football Club - Análise

Bit da Costa.

Os treinadores de bancada, mestres da táctica e verdadeiros conhecedores da bola, encontram em Nintendo Pocket Football Club um jogo à medida. Criar um clube de futebol, escolher 25 jogadores e começar a treinar e jogar em divisões secundárias antes de chegar ao pináculo da competição mundial, é um prospecto irresistível. Conhecido no Japão como Calciobit, nem mesmo a adaptação do nome à Europa fez cair o mais elementar toque distintivo desta experiência; a sua simplicidade, ao ponto de caber no bolso do casaco. A designação de futebol transportável espelha bem a ideia: algo que pode ir da aquisição de talentos, às soluções específicas de treino.

Em bom rigor, NPFC é uma boa surpresa, e um jogo deveras irresistível. Pese embora a sua simplicidade de mecânicas e sistemas por comparação com outros modelos de gestão mais evoluídos, a apresentação e design peculiares sobressaem num primeiro momento. Capaz de lembrar Sensible Soccer e até Nintendo World Cup, visualmente recupera a tradição dos velhinhos 8-bit, descartando por completo visuais realistas ou um minimalismo moderno. Há toda uma classe e um sentido estético muito vincados, com sonoridades perfumadas de ritmos brasileiros, como se estivéssemos a jogar num Game Boy melhorado. Isto torna a experiência mais empática e deveras amigável, como se os jogadores fossem pequenos caixotinhos com braços e pernas, mas igualmente capazes de desferir potentes remates, travar bolas disparadas com força ou saltar sobre espaços de uma escada pousada sobre a relva do campo de treinos.

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As partidas de 90 minutos oferecem mais cartões de treino.

Não leva muito tempo até descobrir que o "segredo" do NPFC reside na aplicação de cartões obtidos durante os treinos, amigáveis e jogos oficiais. É a partir da sua aplicação e combinação que se opera a evolução do plantel e se obtém o máximo de potencial revelado por cada jogador. No entanto, fãs dos jogos de gestão de futebol rapidamente descobrem as limitações deste título criado pela Parity Bit. Durante os jogos poucas alterações às tácticas podem ser efectuadas e isso só é possível de cada vez que um jogador é substituído. A atribuição de funções específicas a cada jogador durante uma partida também não é possível, e fora do campo a relação com os média é inexistente, sendo dada, em alternativa, uma percentagem de gratidão dos adeptos pela nossa gestão. Assim, resultados positivos como vitórias e subidas de divisão colhem o entusiasmo dos adeptos, enquanto que derrotas e empates deixam os apoiantes desejosos de nos verem fora do clube. Até aí, tudo normal.

Enquanto que outros jogos de gestão futebolística quase que levam um jogador menos experiente a perder-se no seu portal de opções, a maior simplicidade de NPFC apela mais depressa ao interesse daqueles que não querem ser consumidos por tamanha empreitada, preferindo algo mais simples mas simultaneamente não distante das mesmas mecânicas, capaz de servir um mesmo propósito: gerir um plantel de futebol, executando tarefas de presidente e treinador. Haverá muitos jogadores a quem os jogos de gestão pouco dizem mas para quem NPFC pode suscitar interesse e ao mesmo tempo tornar-se numa experiência desafiante.

Sem beneficiar de qualquer tipo de licença ou parceria, os clubes e jogadores disponíveis entram todos no campo da ficção, embora possamos editar o nosso clube de acordo com as nossas preferências, escolhendo as cores do equipamento principal e alternativo, depois de designado e escolhido o emblema. Até podemos editar o nome dos jogadores de modo a atribuirmos nomes mais ou menos realistas para que possamos mais facilmente identificá-los.

Naturalmente, a fase inicial do jogo prepara o jogador para o desafio. Nisso, não há nenhuma circunstância desmoralizante. Antes pelo contrário. Primeiramente, através de uma secretária que nos leva por uma visita guiada a conhecer as instalações do clube, até ao contacto com o treinador no relvado de treinos (onde começamos por ver os jogadores do clube, de equipamento de treino a realizarem exercícios com ou sem bola), depressa descobrimos que os diferentes departamentos estão próximos entre si, à distância de um toque no ecrã táctil. No entanto, é com a definição do orçamento para a temporada que tudo começa, afectando-se esses valores ao pagamento dos salários dos jogadores. Como nesta primeira parte gerimos um clube de pequena dimensão, o pouco que resta do orçamento não permite grandes veleidades. Há jogadores livres mais baratos para diferentes posições, mas também é possível comprar jogadores com contrato, desde que eles aceitem o salário proposto. As negociações podem demorar algumas semanas. Uma vez que o banco é constituído por poucos jogadores e a época é longa, revela-se essencial esgotar o orçamento, adquirindo o máximo de atletas possível, até ao máximo de 25 jogadores inscritos.

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Vista geral do centro de gestão.

Não menosprezem essa necessidade. A utilização dos mesmos jogadores tem como consequência uma afectação imediata do seu rendimento, especialmente se os jogadores não forem muitos fortes em termos de resistência. Depois, há o problema das lesões, que obrigam à paragem dos atletas por algumas semanas, causando uma diminuição das suas qualidades em virtude da paragem prolongada. Os cartões amarelos e vermelhos forçam paragens, pelo que é essencial ter sempre um plantel forte e equilibrado. Na verdade, há um grande conjunto de variantes que podem fazer desabar toda a construção.

O calendário para o ano é longo, embora os campeonatos, compostos por poucos clubes, não sejam particularmente longos. A última divisão é composta por quase uma dezena, pelo que não terão que disputar muitos desafios oficiais. No entanto, o espaço entre os jogos é normalmente de duas semanas, pelo que poderão ocupar esse tempo com jogos-treino ou amigáveis contra clubes da mesma ou de divisões superiores.

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