Joe Danger Infinity - Análise

É uma grande macacada!

A diversão casual a dignificar os sistemas iOS enquanto plataformas de jogo.

Penso que atualmente é impossível não simpatizar com o Hello Games. É um estúdio pequeno, que recentemente foi alvo de inundações, mas que ainda assim continua a tentar mostrar todo o seu talento. Foram estas pessoas que nos deram um vislumbre de um futuro indie com o qual nem sequer nos atrevíamos a sonhar, falo de No Man's Sky claro, mas também foram responsáveis por um dos meus jogos independentes favoritos até à data, falo de Joe Danger. Mais do que um jogo, Joe Danger é já uma série que cresce em popularidade e qualidade a cada novo lançamento. Já vamos a caminho do quarto com este Joe Danger Infinity, o jogo que tive o prazer de analisar e que aqui abordamos neste artigo.

Depois de Joe Danger em 2010 e da sequela Joe Danger 2: The Movie em 2012 (dois jogos fantásticos que devem jogar), Joe Danger chegou em 2013 aos aparelhos iOS com Joe Danger Touch, uma versão adaptada para os ecrãs táteis que tentava dignificar a experiência e os sistemas ao mesmo tempo. O Mestre do Desastre estava a correr a toda a velocidade para fora da TV da sala para aparelhos móveis que podemos utilizar em todo o lado. O principal elogio que Touch poderia receber foi a sua divertida gameplay e a forma simples como a fórmula Joe Danger não foi convertida para recriar a das consolas e dos seus comandos mas antes como foi moldada para quase fazer sentir que nasceu assim.

Ao longo de todos os jogos Joe Danger que joguei tive sempre a sensação que o nome do estúdio poderia ser Hello Games como poderia ser We Like Games ou We Like Fun, ou até We Like Fun Games. Isto porque a criatividade e o engenho na hora de desenhar o jogo pareciam estar sempre direcionados para uma descomprometida boa disposição, simples, engraçada, e completamente desenfreada. Quase como se fosse a versão em videojogo da Academia de Polícia ou algo do género, numa versão centrada num duplo.

Joe é um verdadeiro Danger, não só para ele como para todos os rivais que se atrevem a cruzar o seu caminho. Ele não é o tonto que pensam, apenas é desajeitado, e o seu lugar é lá em cima, nos céus do sucesso. Para isso regressa novamente aos sistemas iOS com Joe Danger Infinity e aqui duas coisas parecem ser infinitas, a genialidade do estúdio e a diversão: dois condimentos mais do que bem-vindos na hora de conhecer um jogo.

Muito se debate atualmente sobre como os jogos iOS/Android perdem em profundidade e essência ao estarem desprovidos de controlos físicos e formas de interação mais completas do que o simples toque. O principal e primeiro elogio que quero fazer a este JDI é que é um dos poucos jogos que não me deixou pensar em "como seria com um comando?" Isto porque o jogo até consegue quase enganar o jogador e o fazer acreditar que nasceu aqui, nas plataformas mobile com os seus controlos por toque.

Infinity é divertido, não me canso de o dizer, é como ir à farmácia e pedir um comprimido para a boa disposição. Em qualquer lado, seja qual for a quantidade de tempo que tiverem no momento, é de louvar como este estúdio consegue oferece algo que dá tanto prazer de jogar. É o melhor companheiro iOS que poderia pedir para ter comigo no bolso para a ele recorrer em qualquer momento. Tudo isto graças a uma estrutura de jogo simples e recompensadora de mãos dadas com um visual colorido e muito bom humor.

Tal como nos anteriores, JDI coloca o jogador num plano a duas dimensões na qual a pista tem três faixas e teremos que percorrer até ao final saltando pelos obstáculos e apanhando os itens pelo caminho. Arrancando furiosamente na nossa moto, vamos furiosa e dinamicamente romper pelas pistas da bravura e do desconhecido para incendiar de paixão os corações aventureiros que no mundo colorido mostram que os bigodes e as macacadas são precisas nesta era do stress. Diversão de bolso no verdadeiro sentido da palavra, sem qualquer outro tipo de sentido.

Aqui temos um combo que coexiste em espantosa sintonia: o jogador diverte-se a completar os níveis, recebe estrelas pelo seu desempenho que lhe permitem aceder a mais níveis e pelo caminho recebe extras e bónus que melhoram as suas possibilidades de subir nas tabelas classificativas. Além de Joe Danger e da sua equipa, temos outras equipas como a do grupo rival, personagens estranhas e caricatas que nos dão mais bónus. Temos igualmente mais veículos e estes são provavelmente os principais protagonistas deste novo jogo.

Desde motos a jipes do exército, passando por foguetes, talvez mais do que o papel que tinham em Joe Danger 2, aqui os veículos moldam a gameplay e a forma como nos comportamos nos níveis. Imaginem um macaco em cima de um foguete de cabeça abaixada a passar por um cano e conseguem ter uma ideia do tipo de parvoíce bem-vinda e até singular que temos aqui. A acompanhar os visuais coloridos que recorrem ao motor de jogo adaptado para os iOS, o design de níveis é mais simplificado mas tudo isto para não permitir que o esquema de controlo se sinta denegrido.

Este é outro dos principais pontos fulcrais de Infinity, a forma como interagimos com o jogo. Ao contrário do jogo tradicional de consola no qual temos que pressionar os respetivos botões para acelerar ou recuar, aqui os veículos movem-se automaticamente e o jogador terá que tocar ou deslizar os dedos pelo seu aparelho tátil para controlar os procedimentos. Tocar no ecrã permite saltar, pressionar permite agachar e pelo caminho temos que tocar nos cenários para recolher os itens. Desta forma, a fórmula de Joe Danger é adaptada para os aparelhos táteis e apesar de simplificada sente-se natural sendo difícil existir o desejo de ter um comando.

O encanto está quando temos um jogo mobile em todo o seu direito, casual e imediato, divertido que pode ser jogado de forma tão rápida e simples sem grande dedicação do jogador, mas cujo pleno potencial apenas estará ao alcance dos dedicados. Quando o estúdio baralha a gameplay simples com uma estrutura de níveis mais difícil o jogo fica ainda melhor mas mesmo nos momentos mais simplificados é um produto iOS acima da grande maioria. Infinity é um produto que vos irá tirar alguns cafés mas em troca será o melhor companheiro para este mês de Janeiro.

Joe Danger Infinity é dos mais agradáveis jogos que terão o prazer de oferecer ao vosso iOS. Tal como nas consolas dedicadas, onde é uma série que pode ser jogada nas pausas das experiências AAA, é diversão imediata para a qual não estão agora "presos" à TV principal da casa. As acrobacias, o desejo de completar os níveis e atos a 100%, o desbloquear de segredos e o fascinante bigode do Sr. Gumball, estão ao vosso dispor em qualquer lugar. Atualmente este estúdio pode estar debaixo da mira de todos pela sua enorme e profunda experiência, em perspetiva, em No Man's Sky, mas por enquanto volta a mostrar com toda uma certeza que sabe o que é preciso num videojogo casual.

9 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação Joe Danger Infinity - Análise Bruno Galvão É uma grande macacada! 2014-01-09T11:33:00+00:00 9 10

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