Saint Seiya: Brave Soldiers - Análise

A peça que faltava no puzzle.

Variedade de opções presas num sistema simplista.

Ainda recentemente me coube a responsabilidade de analisar o Sanctuary Battle, possivelmente a melhor adaptação da série Saint Seiya ou Os Cavaleiros do Zodíaco como ficou conhecido aqui em Portugal, para um videojogo. Como tive a oportunidade de referir na altura, tratava-se de um "Hack and Slash" muito virado para os fãs do Anime, desejosos pelo calor nostálgico de vestir a pele de um dos cavaleiros de Atenas.

Ora, este Brave Soldiers volta a aproveitar-se desse efeito nostalgia, ainda que numa toada de "gameplay" diferente, passando do "Hack and Slash", para um estilo puro de luta (Vs) em arenas 3D. A questão é que apesar da sua maior amplitude, consegue ser ainda mais restrito em termos de público-alvo, terão pouco nele a encontrar, se não são fãs da série.

É amplo porque oferece não só o capítulo do Sanctuary, onde os cavaleiros de bronze Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki enfrentam os cavaleiros de ouro. Mas traz também os dois capítulos seguintes, contra Poseidon e os seus generais, e depois a saga de Hades. Em termos práticos a estrutura dos capítulos funciona da mesma forma, com séries de combates até à luta final, a história é francamente mal apresentada, mas felizmente os modelos das personagens são os mesmos do jogo anterior.

A história nos três momentos da série é enorme. Certo que a primeira parte do Sanctuary diz respeito apenas ao momento em que os cavaleiros de bronze sobem pelas casas do zodíaco, mas mesmo o enquadramento desta cena, assim como o do restante desenvolvimento narrativo, é pobre, e transmitido por sequências de imagem e texto, com informação que os fãs já conhecem, e que os outros não têm paciência para ler.

Mais sobre Saint Seiya: Brave Soldiers

Trailer lançamento Saint Seiya: Brave Soldiers

Felizmente existe uma oferta de lutadores bastante superior à de Sanctuary Battle, não só os cavaleiros de bronze/prata/ouro, mas também os deuses e espetros, num total de cerca de 50 lutadores. Durante a história em single-player terão de respeitar o lutador determinado por cada quadro, mas depois nos modos versus e online podem escolher qualquer cavaleiro, incluindo as diferentes armaduras, que mudaram da primeira série para as restantes. Continuo a achar as antigas bem superiores esteticamente.

Mas sendo um jogo de luta, a jogabilidade das batalhas, opções e variedade de opções de combate são o mais importante da experiência. Além da vida, cada lutador tem uma barra de cosmos utilizada para desencadear os poderes da sua constelação, e uma outra que determina o desbloqueio do sétimo sentido do cavaleiro, aumentando temporariamente o poder dos seus golpes.

Os combos funcionam de forma simples em dois botões apenas, e depois temos um gatilho como modificador para desencadear os vários poderes característicos de cada cavaleiro. Podemos como sempre, queimar o cosmos para encher a barra, ou partir para o confronto direto e aumentar o cosmos com ataques repetidos ao inimigo.

Há algum espaço para "skill", já que podemos por exemplo realizar séries de combos aéreos com a temporização correcta e algum cosmos para gastar, mas não existem multiplicadores, e a inteligência artificial é demasiado fraca para que tenhamos que nos esforçar em demasia. São frequentes as vezes em que o adversário fica a andar de um lado para o outro sem norte, ou pior, em que fica parado e indefeso a queimar cosmos à espera que avancemos com tudo para cima dele.

Isto ficaria resolvido com a imprevisibilidade de enfrentar outro humano de modo local ou no modo online, mas mesmo estes combates acabam por se tornar mais numa luta de cosmos, do que num confronto de cavaleiros. Eu explico, é possível bloquear, mas acabamos por nunca o fazer, já que temos a opção de contra-atacar gastando um pouco de cosmos e saltando para as costas do inimigo.

Contra a inteligência artificial isto é o garantir de um combo nas costas do adversário, contra outro jogador, torna-se numa dança em que cada um contra-ataca o contra ataque do outro, se é que isto faz sentido, até que um deles fique sem cosmos para gastar, e indefeso perante a presença do adversário nas costas.

Associado a cada lutador, está uma série de esferas (Orbs) que lhe atribuem potencialidades adicionais, como maior recuperação de cosmos ou mais vida total. Estas podem ser compradas utilizando uns pontos que vamos adquirindo com o passar das batalhas. Adicionalmente existe um sistema de pontuação, relacionado com a velocidade com que terminamos cada batalha, e a vida restante que temos na hora do K.O.

O controlo é rápido e fluido, se fizermos por exemplo uma investida gastando cosmos, o cavaleiro move-se rapidamente de forma intermitente, representando bem o estilo de combate da série, onde os lutadores possuem poder e velocidades sobrenaturais. O prazer de desencadear um "Big Bang Attack" num adversário é algo que só os fãs perceberão na sua real plenitude, esse é o nome que o jogo dá aos ataques especiais de cada cavaleiro. Podem imaginar um "Ryu Sei Ken" ou um "Rozan Sho Ryu Há" em toda a sua glória em "cutscene".

"Quem me dera ter acesso a este tipo de representações quando a série passava na televisão há anos atrás."

Estes poderes são o que distingue cada personagem, porque na verdade, tudo o resto é muito igual. Uns são mais fortes com as pernas, outros com os punhos. Certos poderes requerem maior proximidade do que outros, fazendo com que cavaleiros como Shun de Andrómeda sejam fortes à distância, e outros como Shiryu do dragão excedam no combate corpo a corpo. Ainda assim, é seguro afirmar que jogando com um cavaleiro, serão competentes com todos, toda a estrutura de golpes e movimentos de combate são muito iguais entre eles.

O visual das personagens e armaduras é excelente, quem me dera ter acesso a este tipo de representações quando a série passava na televisão há anos atrás, já eram surpreendentes no Sanctuary Battle, continuam aqui ainda com mais armaduras. As arenas é que contrastam fortemente com os intervenientes, sempre vazias, monocromáticas e bloqueadas por paredes invisíveis que nos gritam aos ouvidos "não há Ring Out!".

Vou terminar como comecei, enfatizando que Saint Seiya Brave Soldiers tem pouco a oferecer a quem não gosta, ou até nem conhece a série escrita por Masami Kurumada. Como "Fighting game" tem pouca profundidade para se generalizar, mas ao mesmo tempo, é como um completar da experiência que os fãs tiveram com o Saint Seiya Sanctuary Battle. Para os que se recordam, era fácil jogá-lo e sair com a sensação que podia ter suporte para modo versus, Brave Soldiers vem preencher essa "lacuna".

5 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação Saint Seiya: Brave Soldiers - Análise Aníbal Gonçalves A peça que faltava no puzzle. 2013-12-03T11:27:00+00:00 5 10

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