Defiance - Análise

Um desafio à resistência.

Versão testada: PlayStation 3

Não fosse este um dos projectos mais ousados dos últimos anos, Defiance era capaz de resultar melhor. A ligação entre videojogo e série televisiva não é inédita, mas nos moldes desenvolvidos entre Tryon Worlds e a Syfy, a tentativa de levar os seguidores da série a jogarem os acontecimentos vistos na televisão a partir da consola está muito aquém da projecção inicial. No que toca à audiência portuguesa, Defiance vai passar em canal privado a partir do dia 5 de Maio. Ora, a versão videojogo já saiu há algumas semanas e possivelmente nem todos os jogadores possuem uma assinatura televisiva que lhes permita acompanhar a programação televisiva.

Pouco se perderá, no entanto. As ligações entre série e jogo, segundo revelam os produtores da série televisiva, não se apresentam tão interligadas quanto se antevia e, na verdade, só algumas personagens da série serão reconhecidas no jogo sob a forma de parceiros controlados pelo computador e ao longo de alguns enquadramentos narrativos. Isto significa uma limitação ao que estava inicialmente acordado entre os produtores de ambos os projectos, mas se não fosse tão complicado articular um jogo com uma série televisiva, por certo que Defiance não seria único neste trajecto.

O risco consciente da Trion Worlds mede-se também na extensão de um jogo de características típicas de um jogo MMO de tipo role play em forma de shooter na terceira pessoa. Poucas são as produtoras que arriscam projectos desta envergadura, sabendo bem sobre as exigências para proporcionar um mapa gigantesco capaz de albergar milhares de utilizadores e, mais do que isso, erguer uma experiência eficaz . Nesta aposta o resultado é francamente desolador e nem as sucessivas actualizações do jogo eliminam os grandes males de que padece.

Apesar disso, Defiance não deixa de ser um jogo minimamente funcional e, a espaços, até proporciona alguns momentos divertidos, mas temos que ser tão complacentes às falhas e tão pacientes para aceitar um jogo que parece ter obtido luz verde para edição numa fase intermédia de produção, que em vez de um produto de entretenimento fica a impressão de nos estar a ser imposto um castigo só por querermos ficar mais algum tempo dentro do jogo a descobrir o seu funcionamento, quando o que resulta desse contacto não passa de um misto de frustração e previsibilidade.

Defiance - Trailer de lançamento

No começo somos levados a criar a nossa personagem. O editor nem é particularmente generoso como noutros jogos, mas pelo menos não nos obriga a perder muito tempo com uma série de aspectos a definir. A nossa personagem é um soldado que integra um grupo conhecido como Arkhunters, contratados por Karl Von Bach, para se deslocarem até à baía de S. Francisco onde devem seguir uma série de objectivos. O argumento não é diferente de muitos outros contextos que envolvem a humanidade em mais uma luta contra diversas espécies alienígenas que descobriram o nosso planeta. Numa cidade praticamente destruída por tempos constantes de conflito, São Francisco é um campo de guerra onde os humanos e uma espécie alienígena conhecida como Votans, conjugam forças para derrotar mais forças alienígenas e criaturas mutantes.

Os primeiros momentos do jogo servem de "tutorial" às principais funções da nossa personagem. Após a queda do enorme aparelho voador onde seguíamos, procuramos por pistas e por indicações que nos levem a eventuais sobreviventes. Com a preciosa ajuda de uma parceira controlada pela inteligência artificial, qual Cortana, somos levados a percorrer uma série de eventos onde colocámos à prova os nossos poderes EGO, um conjunto de habilidades expansíveis representativas a nossa personagem.

"Defiance não deixa de ser um jogo minimamente funcional e, a espaços, até proporciona alguns momentos divertidos"

À nossa disposição estão quatro poderes EGO mas só podemos escolher um, sendo que ao fazê-lo podemos expandir diversos segmentos do mesmo poder. As opções dividem-se por mais poder de fogo, invisibilidade temporária, danos superiores e criação de um holograma para enganar os adversários. À partida pode parecer um sistema deveras simplificado, mas a possibilidade de o expandirmos e acrescentarmos diferentes melhoramentos ao mesmo poder gera um quadro de opções bem mais do que razoável para o combate. Infelizmente, estes poderes não distinguem as personagens como gostaríamos, já que as suas finalidades são todas de ataque e algo similares, ao invés de proporcionar personagens com vocações distintas.

A entrada na história oferece mais do que um mero contexto de poderes e em poucas horas já estaremos a efectuar outras operações, como resgatar um conjunto de civis, estabelecer ligações telefónicas, recuperar antenas e transmissores, entre muitas outras missões. Enquanto eventos ordenados para progredir na campanha, há uma lógica e um fundo narrativo relevante, embora pouco cativante para nos motivar a sério nesta aventura. É aqui que a série pode assumir alguma relevância, mas como a mesma ainda não se encontra em exibição por cá, não podemos tirar daqui uma conclusão minimamente segura. No entanto, apesar da boa ligação entre os eventos narrativos, muitas vezes são processos que se repetem; ir a locais diferentes, derrotar todos os inimigos e activar certos mecanismos, e assim sucessivamente. Tantas vezes, quando esperávamos colher momentos de maior envolvência e até missões dotadas de um outro alcance, mais parece que andamos de um lado para o outro a fazer a mesma tarefa.

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