Dust: An Elysian Tail - Análise

Em busca da memória perdida.

Versão testada: Xbox 360

Há por aí uma onda de críticas desmesuradamente favoráveis ao jogo da HyperDuck Soundworks, como se fosse uma espécie de última referência do género "metroidvania". Ora, este jogo exclusivo para o XBLA pretende oferecer uma aventura de ação montada sobre elementos de role play e orientada para agradar aos fãs de antigas produções como Castlevania e Metroid. Vimos ainda recentemente que este segmento posto a funcionar dentro dos actuais motores gráficos pode gerar resultados bastante surpreendentes, levando-nos a concluir que este género está longe de entregar a alma aos criadores. Mas se algumas das produções mais recentes se acomodaram melhor perante a necessidade de evoluir e reacender o interesse dos fãs, Dust como que pára no tempo e não oferece mais do que um universo de locais já visitados, sem ostentar grande chama ou matéria para convencer alguém a escolher esta opção para ocupar algum do seu tempo livre.

Não sendo Dust uma cópia no papel, não deixam de ser evidentes as influências e inevitáveis comparações alguns desses clássicos começados com a geração 8-bit. A sua mecânica é muito simples. Somos levados a seguir um guerreiro que empresta o seu nome ao jogo e que terá perdido a memória devido a circunstâncias desconhecidas. De modo a reencontrar a sua verdadeira identidade e apurar sobre os acontecimentos que estiveram na origem daquele estado de amnésia, Dust terá de combater hordas de inimigos e deambular por diferentes territórios. O contacto com as figuras que encontra pelo caminho levam-no a angariar mais peças de um puzzle pouco auspicioso.

A primeira coisa que esta estranha e curiosa personagem recebe é uma espada ancestral capaz de comunicar consigo e de lhe providenciar concelhos de utilidade só perceptível no quadro de um "manual de instruções". Os territórios criados em duas dimensões explodem de cor, sombras e há um toque especialmente animado que justificam a chamada à pena do seu autor; Dead Dodrill. Este artista de animações norte-americano é o grande responsável pelo design do jogo. Revelando ter-se servido de influências dos clássicos Metroid e Castlevania para as plataformas 8-bit, esta sua produção para o XBLA constituiu uma oportunidade para refazer algumas das convenções incluídas nesses jogos. Isso fica bem patente nos mapas que se vão preenchendo à medida que avançamos para a direita ou esquerda e para cima ou para baixo e com locais secretos abundantes. Tudo bem explorado é mais do que pano para mangas.

Dust: An Elysian Tail - Trailer de lançamento

Acontece que os originais, quando bem feitos, são sempre muito complicados de escalar se muitas vezes o que se pretende é render-lhes homenagem. Bem podem, numa primeira análise, facilitar a chegada aos resultados pretendidos, mas existe um peso que é o seu valor que os definiu como clássicos e lidar com essa fasquia é um grande desafio. No meio desta corrente há elementos que sobrevivem melhor em Dust, outros nem tanto. No fim são vários os desapontamentos que se acumulam e que acabam por prejudicar a experiência, ou deixá-la abaixo do que se poderia pensar.

Dust sofre na comparação. Sofre porque a história é fraca, demasiado simplificada e contada quase ao ritmo de um desenho animado de Sábado de manhã na SIC. Às personagens falta-lhes carisma, adesão e chama, com muitos diálogos a pautarem-se pelo óbvio e com vozes de assento infanto-juvenil que não caem bem numa audiência fora desse "target". Além disso, por muito que seja notório algum esforço em destacar a qualidade visual de alguns cenários, nunca os mesmos chegam a surpreender verdadeiramente, revelando-se persistentes, previsíveis e aborrecidos. Isto não faz de Dust um mau jogo. Não é, mas fica bem distante daquilo que poderia almejar, se a intenção era prestar um justo tributo aos clássicos.

Do lado positivo Dust destaca-se nos seus elementos de role play, no sistema de evolução da personagem e principalmente dentro da estrutura de combate ao oferecer um conjunto de poderes partilhados com a co-protagonista Fidget, um ser próximo da espécie dos gatos capaz de enviar diferentes projécteis na direcção do inimigo. Esse ataque, partilhado com a possibilidade de causar um golpe que mais se assemelha a um furacão inflige danos simultâneos e permanentes nos inimigos. As combinações começam por ser simples e bastante práticas, abrindo as portas para combates rápidos e frenéticos.

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