Bloodforge - Análise

Falar grosso não chega.

Existem certos jogos que nos deixam uma imensa curiosidade e vontade de os jogar. Os motivos podem ser do mais variado que podemos imaginar, mas o certo é que não podemos deixar de sentir um enorme furor nos momentos que antecedem o lançamento. Quando a Microsoft anunciou o evento Arcade Next, este Bloodforge foi mesmo o título que mais me cativou e tendo em conta as inúmeras e prazerosas experiências que o Xbox Live Arcade já me deu ao longo dos anos, aprendi a não menosprezar as minhas expetativas em relação aos produtos que são lançados no serviço. Assim sendo, deixei a minha curiosidade ganhar asas e voar livremente até que chegou finalmente a hora de jogar Bloodforge.

Tendo em conta o género no qual se insere, e pelo seu aparato visual que quase parecia gritar mini God of War, Bloodforge tinha tudo para se afirmar como um produto de referência no mundo dos produtos distribuídos digitalmente, afinal de contas um hack'n'slash descomprometido com ambições épicas a um baixo preço é algo que facilmente se prova interessante. Estando inserido num género tão popular e com cartas dadas, fórmulas pré-estabelecidas e possíveis erros bem traçados, dificilmente se poderia acreditar que a Climax falhasse com o seu Bloodforge.

O primeiro contacto com o jogo deixava antever potencial mas rapidamente atestamos que Bloodforge não passa de nada mais que uma amálgama de clichés que quando não lidados com cuidado se tornam demasiado letais para si próprio. Aqui somos Crom, um guerreiro que lembra Conan o Bárbaro cuja aldeia é alvo de um ataque e por um infortúnio do destino acaba por matar a sua mulher. Um guerreiro repleto de raiva, alvo de uma partida por forças maiores, divinas diriam alguns, enlouquecido e motivado pela vingança é um dos maiores clichés que podemos encontrar no jogo, e isto é para começar.

A história de Bloodforge, na qual Crom vai enfrentar os exércitos dos tiranos que manipularam o seu destino, é fraca e desprovida de interesse. A certo momento até acreditamos que menos poderia ter resultado e toda a procura por complexidade é mesmo desnecessária. O apelo de Crom é inexistente e o elenco que acompanha toda a trama pode até ter algum interesse para quem conhece algumas lendas Celtas mas nada mais. Onde a narrativa influência diretamente a gameplay é quando Crom recebe uma luva que absorve o sangue das suas vítimas e estamos prontos para conhecer uma das bases fundamentais das mecânicas de jogo.

Mais sobre Bloodforge

Hack'n'Slash atualmente é sinónimo de martelar botões e de "portões" que bloqueiam o progresso enquanto o jogador não eliminar os inimigos necessários. Muitos conseguem atenuar quaisquer frustrações e sensações de monotonia que um esquema repetido vezes sem conta poderia causar mas Bloodforge até parece ter um prazer masoquista em se forçar perante o jogador. Suportada por uma câmara incompetente que mais parece ter vida própria, seria preferível ser fixa, a gameplay vai tentar levar o jogador a acreditar que é divertido seguir por corredores estreitos e sem inspiração martelando botões vezes sem conta.

Existe uma enorme quantidade de movimentos disponíveis para cada arma, Crom pode usar várias para além da espada inicial, e melhores combos oferecem mais sangue e melhor pontuação (o sangue permite obter melhorias em pontos específicos) sendo que quando um inimigo fica tonto podemos desencadear uma brutal execução. O festim visual de sangue e brutal não tem, por exemplo, a irreverência e estilo de MadWorld, não pelo contrário, rapidamente se torna monótono. É todo um exagero visual que perde o seu fator "wow" ao fim de vinte e tais execuções em menos de cinco minutos.

Nem mesmo quando temos enormes bosses pela frente, cujos padrões para os derrotar falham também em invocar interesse, temos um jogo que satisfaz o jogador. O problema de bloodforge é que não evita demonstrar que é um produto mal concebido e realizado pois na sua essência tinha tudo para triunfar. A prova disso são os seus visuais que mais parecem uma oportunidade falhada em alcançar algo bom e singular. Monocromáticos, sem interesse no seu design e sem referências que cativem o jogador. Demasiado iguais na maioria do tempo e quase que conseguimos ficar irritados por a climax não ter tido algo que se assemelhe mais a ambição.

"Um jogo com mais estilo, com uma gameplay mais divertida e que apelasse a maior empenho do jogador teria sido melhor."

Exemplo disso são funções básicas como Crom poder saltar e depois al longo do jogo não termos algo que explore em termos de progressão isto mais a fundo. O esquema de combate que procura oferecer profundidade ao tom dos produtos de topo consegue até mostrar que tem algo para apresentar mas está muito escondido debaixo de uma camada de controlos cuja resposta podia ser melhor e por inimigos que não desafiam o jogador. Temos até magias para aprender mas raramente nos vamos lembrar que existem quando martelar os dois botões de ataque funciona.

Primeiro trailer de Bloodforge

Como é da praxe, um hack'n'slash precisa de uma mecânica defensiva para equilibrar o pendente ofensivo que transparece. Em Bloodforge temos a possibilidade de esquivar dos ataques inimigos e Crom rebola pelo chão. Este rápido movimento é outro exemplo da má execução de que o jogo é alvo. Tenta insinuar que deve ser usado frequentemente para melhor progressão e na verdade até o é mas a sensação com que ficamos é de algo barato e fácil, sem desafio ou profundidade. Carregamos o botão na altura, demasiado, óbvia, e lá nos esquivamos para continuar a martelar. Não existe a sensação de exigência ao jogador.

Um jogo com mais estilo, com uma gameplay mais divertida e que apelasse a maior empenho do jogador teria sido melhor. Como se apresenta Bloodforge mais parece uma tentativa de enganar o jogador a acreditar que é um hack'n'slash em formato mini mas com validade para se jogador. Poderia e deveria ter sido melhor, tinha tudo para isso e acabou por deitar por terra quando não soube aproveitar e usar as melhores e mais aclamadas ferramantas e características do género e quando ao mesmo tempo não soube evitar os erros mais graves que o assolam.

Bloodforge tinha tudo para ser diversão desmedida e sem barreiras mas na verdade prendeu-se em demasia a clichés, passa tanto tempo a tentar copiar o que de bom se faz sem conseguir que até se esqueceu de ser divertido. O jogo da Climax consegue até mesmo ser irritante e quando temos exemplos recentes de jogos digitais a ir tão alto nos seus géneros ficamos extremamente desiludidos por Bloodforge não conseguir ser algo mais que uma banalidade desastrosa.

3 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação Bloodforge - Análise Bruno Galvão Falar grosso não chega. 2012-05-02T15:25:00+01:00 3 10

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