Mass Effect 3 - Análise

O fim é sempre um início.

Versão testada: Xbox 360

Se quiserem saber mais sobre o jogo, não deixem de ler a Mass Effect 3 - Guia completo, truques, dicas, troféus.

O arrependimento é um dos sentimentos que impera em cada humano. O poder de decisão entregue a cada ser humano possibilita a chegada de erros, muitas vezes derivados de consequências ou resultados diretos não calculados. Poderei ir mais longe, afirmando que muitas vezes esquecemo-nos que uma decisão nossa provoca um efeito ou efeitos em cadeia, os quais raramente podemos controlar. A maioria dos videojogos não permite esta abordagem às personagens jogáveis, mas existem algumas raras exceções que dão ao jogador um enorme poder de decisão, com efeitos devastadores.

Mass Effect 3 é para mim, talvez a par de Heavy Rain, o jogo que mais me marcou a este respeito. O poder de decisão é tal que senti-me genuinamente arrependido por ter tomado determinada decisão. Muitas vezes não sabemos os resultados que derivarão das nossas decisões, e quando temos o destino de todo o universo nas nossas mãos, incluindo todos os seres vivos e sintéticos, então temos que ter muito cuidado com as decisões que tomamos. O estúdio BioWare está bem habituado a este tipo de narrativa complexa. Mass Effect 2 é um dos exemplos, merecendo na altura a nota máxima na Eurogamer Portugal.

Tenho que também começar por louvar a atitude da BioWare para com a franquia Mass Effect. O universo do jogo ou da série é enorme. Quando digo enorme, quero dizer gigantesco. A complexidade das relações, as imensas raças do universo são de tal forma ricas que facilmente o estúdio poderia ter colocado outra equipa a explorar em formatos de spin-off outros elementos da série. (Aqui não incluo os jogos ou pequenos formatos do iOS, pois não considero um aproveitamento desnecessário). Existe uma enorme riqueza e atenção ao detalhe. Quem não conhece a série, dificilmente poderá entrar de cabeça em Mass Effect 3. Se o fizer está a perder todo um trabalho de anos, onde foram criadas relações sólidas entre as diversas personagens que culminam neste último jogo da trilogia.

Mass Effect 3 é uma sequela e seguimento direto do segundo jogo da série. Poderão aproveitar e pegar também nos DLCs lançados para Mass Effect 2, que irão compor a história, mas nada de grave. Nesta análise falarei sempre da personagem base, o que costumo chamar do genuíno Comandante Shepard. Desde o primeiro jogo sempre escolhi o tradicional, talvez por achar que esta é a visão fidedigna e sem alterações dos estúdios BioWare. Mas poderão jogar com a vossa personagem de Mass Effect 2, influenciando por quem morreu no jogo, e claro, levarão as personagens específicas para o terceiro jogo. Se quiserem ainda poderão jogar com a FemShep, uma visão ainda mais adulterada (desculpem quem joga com a FemShep) do formato original.

O Comandante Shepard inicia a sua jornada desde o nosso planeta Terra (fruto de um dos DLCs de ME2). Os Reapers, uma raça sintética extremamente antiga e poderosa, cumpre com as ameaças e faz um ataque feroz contra o planeta Terra. A humanidade vê-se confrontada com uma ameaça com poder de fogo para além do que consegue suportar, e as baixas começam a crescer rapidamente. A única esperança está em Shepard, mais precisamente na sua capacidade de reunir todo o universo na mesma causa. Vencerem os Reapers.

Este é à partida um enredo nada extraordinário. A humanidade vê-se novamente perante a aniquilação global e um herói é sempre necessário nestes momentos. Mas a tarefa não será fácil. As diversas raças do universo têm os seus próprios problemas e poderão não estar interessados em disponibilizar recursos que poderão fazer falta noutras frentes. Temos por exemplo a eterna guerra entre os Quarian e os Geth, ou entre os Turian e os Krogan. Não esquecer ainda as estranhas intenções da organização Cerberus e o seu líder misterioso The Illusive Man. Estamos assim dentro de um caldo a ferver pronto para entornar a qualquer momento.

A principal tarefa de Shepard é reunir o maior número possível de aliados para a batalha na Terra. Para isso irá viajar por todo o universo, criando alianças e resolvendo as diversas divergências para que todos se entendam e tenham um objetivo em comum. Derrotar os Reapers. Aqui poderá começar uma das maiores críticas a Mass Effect 3. Diferente dos anteriores, principalmente de Mass Effect 2, aqui temos um planeta Terra completamente cercado e atacado por ferozes máquinas maiores que arranha-céus que dizimam tudo à sua frente num piscar de olhos. A demanda por ajuda demorará o seu tempo e pelo caminho ainda temos tempo para missões extras que retiram um pouco do senso de urgência e pânico que se vive. Nem mesmo o choro de uma personagem masculina que acabou por perder o seu marido é razão para pressas. Na verdade poderão andar mais rápido, cumprindo com as missões principais e têm mais de 22 horas de jogo. Mas deixam para trás imensas missões laterais.

Shepard a humanidade precisa de ti. Estás preparado?

Logo no início somos confrontados com uma escolha que altera por completo o jogo. Agora e talvez na onda de atingir um maior número de jogadores, podemos optar por jogarmos todo o jogo como um autêntico shooter, sem qualquer tipo de poder de decisão, relegando o RPG para segundo plano, e escolhas de frases. Aqui as cinemáticas decorrem sem qualquer tipo de paragem. É uma visão alternativa mas que retira todo o sentido a Mass Effect, e ainda bem que é uma opção.

Pegando ainda neste assunto, Mass Effect 3 é ainda mais um jogo de ação que Mass Effect 2. Apesar de podermos optar por diversos tipos de classes, muitas das batalhas resumem-se a deitar chumbo e essa será certamente a tendência de todos os jogadores. Isto mesmo que optem por serem inicialmente um jogador Adept. A forma que os confrontos estão criados deixa pouca margem de manobra para outra forma de os abordar. Embora tenha que referir que terão que misturar os estilos de luta muitas vezes, pois de outra forma nunca conseguirão ultrapassar determinadas batalhas.

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