Gears of War 3: Raam's Shadow - Análise

Bem-vindos ao 7-6.

Devo começar por elogiar a intenção da Epic em expandir o seu universo que se estreou em finais de 2006 e hoje é muito mais do que um "simples" shooter genérico. É atualmente um padrão, um destaque, uma referência qualitativa que já estendeu o seu alcance muito para lá do formato videojogável. A expansão do universo Gears of War e a exploração do seu mundo Sera levou a série para o mundo da banda desenhada, para romances escritos e até para figuras de ação colecionáveis. Ao longo dessas incursões por outros formatos que não de videojogo, foram-nos dados a conhecer personagens novas igualmente cativantes quanto as que vemos nos jogos que jogámos. Na verdade, muitas delas tiveram um aprofundamento digno nesses meios, algo que lhes faltou nos videjogos devido às necessidades de manter um ritmo alto e frenético de que um shooter moderno precisa.

Algumas dessas personagens, como Jace Stratton, marcaram presença no terceiro jogo mas outras como Michael Barrick não o poderiam fazer porque morreram durante eventos ocorridos entre os primeiros dois jogos da série, relatados na banda desenhada. No entanto, conseguiu conquistar o seu espaço entre os mais dedicados e com um potencial tão grande, não é de estranhar que seja a figura de destaque neste capítulo adicional para Gears 3 que é bem especial. A seu lado vai ter Minh Young Kim, que pereceu às mãos de Raam no primeiro Gears, Tai Kaliso que vimos cometer suicídio em Gears 2 e uma personagem completamente inédita, Alicia Valera. Face a personagens tão repletas de potencial mas com um desfecho já certo e conhecido, não é de estranhar que a Epic tenha recuado no tempo, para eventos pré-Gears 1, para os recuperar. Bem o merecem e é um serviço espantoso que é aqui prestado a todos os fãs do universo Gears como um todo.

Esta nova campanha começa então numa Sera ainda na ressaca do Emergence Day, o dia em que os Locust subiram à superfície e se deram a conhecer à humanidade. A arma mais poderosa dos Locust são os Kryll, as pequenas criaturas que surgiram em Gears 1, e escurecendo os céus para que estes possam voar livremente, os Locust estão a dizimar as cidades a grande ritmo. A ação decorre toda em Ilima, a primeira oportunidade na série em jogar numa cidade antes dos ataques com o Hammer of Dawn, para ver um pouco do esplendor de Sera e testemunhar em primeira mão a inocência que ainda rodeava todo o confronto. A humanidade estava longe de pensar na escala que a guerra iria assumir, uma luta pela sua própria sobrevivência, e o uso do Hammer of Dawn era ainda feito como que sem medição das potenciais consequências.

Raam's Shadow torna-se ainda mais interessante para os que tem acompanhado os romances escritos pois permite-lhes jogar em eventos similares aos que leram no mais recente livro. A humanidade não sabe a força destes novos monstros e apenas tem uma missão, salvar vidas. É esta a missão do Zeta Squad, evacuar a cidade antes que anoiteça para salvar as pessoas do ataque devastador dos Kryll. É precisamente aqui que o jogador assume o comando de Michael Barrick, caso seja o primeiro jogador pois em modo cooperativo pode ser qualquer um dos restantes, a quatro horas da próxima KryllStorm que os Locust preparam. A missão é salvar vidas e eliminar as forças que nos tentam impedir.

Jogar com o Zeta Squad apresenta uma experiência maioritariamente idêntica à fórmula base de Gears of War, na sua versão 3.0 com os refinamentos surgidos no mais recente jogo. Algumas animações relacionadas com armas como a Shotgun parecem diferentes, mais rápidas e mais brutais, mas na sua essência tudo é muito similar. No entanto, como estamos numa Sera pré-Lambent e pré-afundanço de Jacinto, os Locust ainda são o principal problema da humanidade e a sua forma de entrarem na cena é pelos buracos, os meat-holles como lhes chamam o Zeta Squad. Isto significa que vamos ter uma experiência em termos de jogo mais ao encontro do que vimos no primeiro Gears. Com uma quantidade de munição bem gerida e a ser um dos principais pontos no estabelecimento de um equilíbrio da dificuldade, o jogador pode apostar no uso de granadas para fechar os buracos e evitar reforços, tornando o seu uso alvo de cuidada gestão.

Se algo este Raam's Shadow me fez lembrar em termos de experiência de jogo foi mesmo o primeiro Gears com o uso da fórmula de sucesso da Epic, um confronto de escala maior num ambiente aberto e diurno em contraste com os ambientes interiores mais escuros em corredores fechados que se lhe seguia. É precisamente o aprimorar desta fórmula que temos aqui e a dado momento quase sentimos que a Epic quis prestar uma homenagem a outro género e o shooter baseado na cobertura mais parece se tornar num survival horror. Tenta mudar um pouco o ambiente e coloca o jogador numa espécie de luta pela sobrevivência em ambientes escuros e de espaço reduzido, quase como se quisesse ter um ambiente hostil e claustrofóbico em que a cada esquina se espera uma nova ameaça.

Por entre momentos de grande classe e confrontos de grande tom que não vamos querer aqui divulgar, Raam's Shadow permite-nos ainda conhecer o outro lado do confronto, ou seja, jogar como Raam e participar nos eventos que levam à queda da cidade. Aqui está provavelmente a grande diferença em termos de experiência de jogo pois jogar com o general de Mirrah é completamente diferente de tudo o que já tivemos na série. Mesmo os que ficam privados de o utilizar no modo cooperativo vão ter acesso a algo novo e enquadrado com o enredo.

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Um dos mais fantásticos bosses para combater. Eis RAAM em toda a sua glória.

Raam recorre à sua enorme faca e aos Kryll que se tornaram numa das suas principais marcas e referências em Gears 1. O seu escudo de Krylls é uma das suas grandes ferramentas de guerra e o seu uso terá que ser medido pelo jogador. É a sua principal arma mas quando a usamos para atacar o escudo desaparece e temos que o gerir com o uso de pontos de cobertura. O ritmo da experiência é bom, altamente dinâmico e não temos sequer tempo para nos cansarmos de qualquer uma das perspetivas. Numa campanha que me durou cerca de 3 horas e meia para terminar, a momento algum senti cansaço ou senti estar a ser enganado pela Epic, pelo contrário, todos os momentos tem valor e não existe nada para artificialmente prolongar a experiência. São mais de três horas de campanha que podiam muito bem ser mais.

Uma das maiores atrações é mesmo o enquadramento temporal, a curiosidade de visitar uma era inédita em termos videojogáveis no mundo de Gears, e o uso do general dos Locust. Pelo meio vamos ter vários momentos altos e uma especial atenção ao detalhe em vários pontos. Ficamos a desejar mais, ficamos perfeitamente convencidos que Gears pode continuar sem o Delta Squad, e que este mundo está cheio de momentos e personagens que merecem ser conhecidos pelas massas e não só pelos mais dedicados aficionados.

Gears of War 3: Raam's Shadow chega já no próximo dia 13 de Dezembro a um preço de 1200 MSP, grátis para os que compraram o Season Pass, e justifica completamente o seu preço. É uma experiência complementar de grande valor como, infelizmente, poucas vezes visto na indústria. Vale cada cêntimo investido e reforça ainda mais a solidez de Gears 3 enquanto pacote repleto de diversão e entretenimento. É especialmente dedicado a todos os que "consomem" tudo o que gira em torno de Gears e são exatamente esses que se vão sentir elogiados pelo que aqui é oferecido.

8 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação Gears of War 3: Raam's Shadow - Análise Bruno Galvão Bem-vindos ao 7-6. 2011-12-08T16:55:00+00:00 8 10

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