Deus Ex: Human Revolution - The Missing Link - Análise

Ficheiros secretos.

Para os utilizadores que não adquiriram a edição especial de Deus Ex aquando do lançamento do jogo em Agosto e que por isso preteriram o primeiro conteúdo descarregável, podem sempre adquirir a título suplementar esta porção do jogo que encaixa num dado momento do jogo principal.

Em The Missing Link é-nos revelada uma pequena narrativa sobre como Adam Jensen conseguiu sobreviver e escapar após ter sido feito prisioneiro e transportado a bordo de um cargueiro de mercadorias. Depois de ter sido detido foi severamente espancado até às últimas e destituído do equipamento que transportava. Diante de si uma líder do grupo que chefia as operações no navio acredita que Jensen é um espião do governo ou então de alguma corporação. Ciente do seu estado de refém, estranhamente é colocado em condições que lhe permitem encetar uma fuga e diligenciar imediatamente pelo equipamento que está algures numa secção do navio.

Quando Jensen julga estar em contacto novamente com Pritchard, o sinal algo distorcido da comunicação põe em foco uma nova personagem disposta a dar-lhe uma ajuda, apontando-lhe o percurso de saída e a melhor forma de abandonar aquela pesada e labiríntica embarcação. Por um lado é verdade que é algo inconsequente a ligação deste novo enquadramento narrativo com o resto do jogo. Nem o protagonista lança essas questões, como parece entrar num estado de maior alheamento. Por um lado esta decisão contribui para gerar mais algum pendor sobre o conteúdo, ao atribuir-lhe autonomia, mas que também acaba por se afastar progressivamente do argumento principal.

Deus Ex: HR Missing Link - Trailer

Pese embora o afastamento, o conteúdo mantém uma série de coordenadas centrais: continua o peso das decisões, persuasões, "hacking", combate, atuação furtiva, num quadro de "augments" e opções já conhecidos. E muito embora o protagonista tenha sido despojado desses "augments" poderá sempre restaurar o estado anterior consoante tenha progredido no "plot" principal. Além disso ainda conta com um bónus de 7 pontos de praxis que se revelam bem úteis para o caso de não terem desenvolvido a personagem de modo compatível com algumas sequências.

De resto há dois pontos distintos neste DLC em termos de localização. A embarcação (onde começa o DLC) é um espaço repleto de curtas e estreitas secções, com significativas patrulhas a bloquear acessos. É por aí que terão de começar por dar a volta ao texto. No fundo não se mostram muito diferentes dos cenários compostos para a aventura principal já que a atuação acaba por ser algo similar, entre fazer "hacking" para abrir portas ou então adotar uma postura mais furtiva evitando o contacto. Nesse sentido a estrutura da embarcação favorece uma atuação mais focada na eliminação dos adversários sem causar alarme ou barulho. Sim, lá continuam os aparelhos que disparam o alarme ao mínimo toque, mas a lógica durante os primeiros momentos do jogo favorece uma atuação furtiva e sairão dela recompensados se optarem por esse método.

Outra porção do DLC irá colocar Jesen num ambiente que acaba por lhe ser mais familiar em termos de ritmo de exploração, mas também distanciado o suficiente pelo efeito da novidade. A presença constante de militares numa zona de cariz militar permite que a atuação do protagonista se desloque tanto quanto possível entre o que é capaz de evitar em combate e as tentativas de persuasão numa vertente social. É verdade que apesar das novas personagens que marcam presença neste conteúdo, a variedade não é tão grande como seria de esperar por comparação com o jogo principal. Muito dependerá das escolhas que fizerem para a personagem em termos de "augments", mas sempre podem favorecer a sua vertente social.

Por regra os adversários reagem depressa e com alta eficácia à nossa presença. Sair de um ponto de segurança para total exposição é o primeiro passo para o insucesso. Contudo, haverá que repensar a estratégia quando tiverem de defrontar valiosos inimigos, especialmente o "boss" final. E sobre isso diria que a Eidos foi capaz de reparar algumas das dificuldades que encontramos nos "bosses" do jogo principal, oferecendo um desafio bem mais moldado à actuação da nossa personagem.

Com uma duração possível entre quatro a seis horas, dependendo do interesse em completar as missões secundárias, The Missing Link é uma boa opção para prolongar por mais algum tempo a experiência de quem já completou a demanda principal. As duas novas grandes áreas proporcionam uma envolvência que nos traz à memoria algumas localizações de Metal Gear Solid, contemplando uma boa diversidade, ainda que seja discutível se conseguirão ombrear com as áreas de Detroit e Xangai, bem mais expansivas. Para os fãs, The Missing Link está dentro das expectativas.

8 / 10

Lê o nosso Sistema de Pontuação Deus Ex: Human Revolution - The Missing Link - Análise Vítor Alexandre Ficheiros secretos. 2011-10-27T14:51:00+01:00 8 10

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