Galaga Legions DX

Inferno de balas.

Versão testada: Xbox 360

A opção da Namco por cristalizar sucessos de fundo como Pac-Man Championship e agora Galaga Legions sob a forma de DX, ou seja, edições "deluxe" que pontuam um sublimar do estado de arte, tem permitido manter na ordem do dia géneros que de algum modo vão perdendo resistência ao esboroar do tempo. A tradição dos "shooters" ou antro dos clássicos (numa aceção mais lata para abarcar outras referências) dificilmente deixará de conhecer contendores, mas acaba por entroncar no problema das cada vez menos editoras que arriscam vender meia dúzia de milhares de cópias/descargas e aquelas fórmulas mais inovadoras e até desconcertantes como Space Giraffe enfrentam a tenacidade de alguma crítica menos disposta a tolerar desvios drásticos.

No meio deste ardor visual capaz de ocupar uma tela inteira num assomo de girândolas em sobressalto que é Galaga Legions DX, ainda assim e com a devida distância, acabei por encetar algumas comparações com a girafa de Minter, bloco gerador de sinais gráficos de várias ondas e dos mais eficientes sintetizadores.

Galaga Legions DX integra o portfólio da Namco Generations e sucede a Pac-Man Championship DX na lista das recuperações de clássicos com novo apelo visual, renovada jogabilidade, alterações que valorizam a experiência e lhe acrescentam uma maior profundidade bem notória na velocidade de jogo e na perseguição dos inimigos. Quer pelo ritmo frenético, quer pela composição sonora e visual, mais demarcada e cintilante, são patentes algumas ligações com Pac-Man. Sente-se o pulsar do desafio e à medida que vagas e mais vagas de inimigos são despachadas ao longo dos cinco níveis normalmente previstos para cada área sobra a sensação de ficarmos cada vez mais fortes e imbatíveis até verificarmos que o resultado final fica ainda distante das melhores pontuações.

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Obrigatória a luta contra o crono.

Contudo, Galaga Legions DX é provavelmente dos jogos que permite uma rápida entrada em cena. Menos frustrante e exigente por comparação com outros jogos, o que facilita em termos de desafio é suficiente para abrir uma nova margem de progressão e alcançar esse topo é claramente uma mais valia, já num patamar de aperfeiçoamento. No Japão, nas poucas arcades que ainda conservam intacto o apelo dos "shmups" há jogadores que dedicam horas e horas suplementares até conseguirem vencer um "boss" com facilidade e não estamos propriamente a falar do desafio sazonal inscrito no "retro games master". Alguns conseguem derrotar o boss de fim de nível em pouco tempo, mas o trabalho até alcançar essa fasquia, esmiuçado em frações de segundo, desvios milimétricos num imenso cardume de balas, é tarefa que separa o trigo do joio.

Galaga Legions DX pretende conciliar ambas as audiências e fá-lo bem. O desafio continua lá e aquilo que alivia em frustração e momentos delicados, equilibra com o peso da pontuação, do "score" em permanente mutação. O sistema de controlo permanece bastante próximo daquele que vimos nos anteriores Galaga Legions. O jogador começa por controlar a nave espacial com o botão analógico esquerdo e o analógico direito movimenta e dispara os satélites, naves laterais que incrementam o poder de fogo e de reação perante as investidas dos inimigos através de diferentes direções. O disparo é ativado pelos gatilhos e para além de se disparar na direção para onde a nave estiver apontada os botões de apoio nas costas ativam uma triplicação do canal de disparos (esquerda, direita e centro). Com esta opção podem ainda rodar os satélites e imprimir uma diferente direção dos disparos laterais. Naturalmente este sistema de comandos por força dos dois botões analógicos deita por terra as hipóteses de se utilizar um "stick", a não ser que pretendam dedicar-se ao comando individual da nave ou dos satélites.

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