Kirby's Epic Yarn

Nas malhas do feitiço!

Versão testada: Wii

Em mais de vinte anos que já leva a série Kirby, nunca sucedeu até Epic Yarn que um jogo tenha nascido da forma mais inesperada. Quando em 2010 a Nintendo libertou a produtora Good Feel da indefinição, não pensava que no final pudesse chegar a um resultado capaz de traduzir uma das melhores reinvenções do mundo Kirby. Na verdade, tudo começou com o estúdio nipónico Good Feel que em 2008 partiu para a execução de um mundo baseado em lãs, sendo a personagem principal construída a partir de um fio.

Contudo, e após alguns anos sem recolher as impressões imprescindíveis para singrar, Fluffy's Epic Yarn (então se chamava o projecto da Good Feel) deu lugar a Kirby's Epic Yarn depois da entrada em cena do Hal Laboratory (estúdio da Nintendo), a fim de o tornar mais consistente e moldado aos requisitos de um Kirby. Afinal, o Hal Laboratory detém a experiência e o conhecimento – Iwata trabalhou como produtor no estúdio e em 1992 participou no desenvolvimento de Kirby's Dream Land para o GameBoy. Matéria dada, limbo desfeito.

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Corrida para dois.

O resultado deste esforço conjugado é bem evidente no produto final. Kirby movimenta-se de uma forma mais imprevista para aquilo que conhecíamos dele, mas ganhou imediatamente um novo protagonismo assim como ficou protagonista de um novo mundo que transpira tranquilidade, ternura e até mesmo uma doçura difícil igualar. É também notório que a Good Feel pensou no projecto ponderando mais a criação de um mundo baseado em lãs e tecidos e no que poderia construir como bateria de surpresas a partir daí, do que no desafio em termos de punição para os jogadores não "hardcore".

A destituição da dificuldade nos moldes tradicionais não implica, porém, uma ausência de desafio. O Hal Laboratory consentiu na ideia anteriormente avançada e deu margem para ampliar a exploração, propondo, em alternativa, um jogo acessível, mas suficientemente atraente e dominado por imensas modificações no cenário, e aberto a novos caminhos e percursos para se obterem os coleccionáveis, quer através de contas, quer pelos "patches" (abrem novas portas), sendo que a sensação de perda destes objectos acumulados (contas) pelo choque com os inimigos põe o desafio equilibrado. É claro que o mais óbvio seria, à partida, encontrar um contador de vida de Kirby e que os sucessivos embates nos inimigos ou quedas no abismo ditassem uma interrupção na progressão. A perda de boa parte das contas acumuladas e um regresso a um ponto mais atrás promove já um satisfatório desafio.

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Até a chuva empresta conforto.

De resto Kirby's Epic Yarn continua a ser um jogo de acção, mas onde a punição do jogador pela não superação do desafio é cuidada como se de um eufemismo se tratasse. Não nos parece, apesar disso, que a cedência à facilidade e aos jogadores menos versados nos tradicionais jogos de plataformas em 2D inviabilize a marcha para o divertimento. Pelo contrário. Será uma lacuna para os jogadores amantes de um sólido desafio, afinal, os bosses de fim de nível acabam sempre derrotados sem perder um crédito. No entanto, o sentido de exploração permanece intocável e até numa primeira corrida pelo jogo será impossível recuperar todos os locais secretos e de bónus. A competição continua lá, mas há mais que empresta um sentido especial a Epic Yarn e esse esforço é determinante no resultado final, sendo nos múltiplos mecanismos e na forma como Kirby se molda a uma quantidade incrível de situações, que se patenteia a qualidade do jogo, apto a surpreender em cada porção.

Desde logo cumpre salientar a história de Kirby. Tudo começa na terra dos sonhos, quando Kirby come um dos seus alimentos favoritos (um imenso tomate vermelho), mas depois de o degustar apercebe-se que o terrível feiticeiro Yin-Yarn o sugou para dentro de uma meia, transportando-o para um mundo de fantasia, feito de mantas e tecidos, tendo sido também ele transformado num pequeno pedaço de fio moldado à sua estrutura original. Kirby encontra depois Fluff, o príncipe da Patch Land (a personagem idealizada pela Good Feel), o local para onde foi levado Kirby. Ambos terão de reconstruir a "patch land", vencendo muitas criaturas, ao mesmo tempo que voltam a coser os continentes rasgados pelo feiticeiro e depois acabar com ele.

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