Eurogamer Portugal: Deixou a indústria dos videojogos para ir para a indústria cinematográfica. Porque decidiste então regressar aos videojogos?
Danny Bilson: Gosto mais de jogos. É a minha forma de entretenimento favorita, portanto a oportunidade de trabalhar em jogos seria a minha escolha. As diferenças são boas e não tão boas, mas uma coisa que estamos a tentar fazer na THQ é eliminar, encurtar as diferenças.
Uma das diferenças terminou ao longo dos últimos dez anos, que é as companhias a tentarem forçar o processo sobre a criatividade. Não podes seguir um manual e ter um grande jogo. Continua, tal como na indústria dos filmes – é aqui que é similar – é ainda baseado no talento, baseado na inspiração de um artista, isso é então comunicado para outros artistas que partilham a inspiração e contribuem com o seu talento.
Estamos a construir um sistema que suporta essa ideia, que aproxima a nossa indústria dos filmes nessa forma. É sobre o criativo primeiro, respeitar os criadores e permitir que façam o seu melhor trabalho.
Eurogamer Portugal: O facto de parecer que estávamos sempre num braço de ferro tecnológico com as consolas antes de agora, e agora não estarmos, ajudou a isso?
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Danny Bilson: Graças a Deus, sim. A estabilidade da tecnologia permite o desabrochar e o crescimento da criatividade. Não estamos a ter que investir todo o nosso foco, e, oh meu Deus, como vamos lidar com aquela nova tecnologia? Compreendemo-la. Ainda temos tipos a tentar tirar um pouco mais para fazer coisas mais fixes, mas coloca o peso da missão sobre o criativo, que no final deve dar-nos coisas mais criativas e mais interessantes.
Eurogamer Portugal: Deve ser muito bom ser capaz de dizer, ok, este jogo pode já estar aqui mas não temos que o lançar já.
Danny Bilson: É esse o truque. Não vamos ser vencidos por outro upgrade no hardware tipo a todos os cinco anos como era anteriormente. Vão haver coisas pequenas. Cabe-nos a nós competir em gráficos e criatividade. Por vezes espero que a boa criatividade e estilo possam ser mais importantes. É mais importante.
Comecei agora a jogar Cataclysm. Estive longe de WOW, talvez um ano. Voltei e a minha primeira coisa foi, oh, os gráficos são velhos mas depois é tipo, quem se importa quando a criatividade e o conteúdo é fantástico? Está tão polido que é fantástico. É a coisa fantástica da Blizzard.
Eurogamer Portugal: Falando hipoteticamente, se a Sony ou a Microsoft se virassem e amanhã dissessem, Danny, vamos lançar uma nova consola daqui a três anos, seria um momento problemático?
Danny Bilson: Seria horrível. Mas penso que todos sabem que o nosso modelo está quebrado de qualquer forma. Continua-nos a custar uma fortuna para fazer jogos nesta plataforma. Se vamos aumentar a escala, aumentar a arte, aumentar o conteúdo, não sei como fazer isso e vender a alguém como um jogo abaixo dos 100$. Quem quer fazer isso? É mau para todos.
Desde que estejamos criativamente satisfeitos enquanto jogadores pelo que estamos a ter. Estou realmente satisfeito. Continuo a ver coisas mais fixes, coisas melhores. Existe tanto na engenharia de software e no trabalhar com a tecnologia. Olho para alguns jogos e penso, como conseguiram personagens tão bons?
Danny Bilson é o chefe dos jogos core para a THQ.
