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The Sly Collection

Thievius Raccoonus em alta dinamização.

Esta é aquela parte introdutória na qual quem escreve partilha algo sobre a série e especialmente como a conheceu por isso tenham paciência para comigo mas raramente tal pareceu tão importante. Isto porque no final de um ano passado com muitos jogos e sobre o qual já parecia ter jogado tudo o que queria eis que me surge algo que me apanhou completamente desprevenido e me faz recuar cerca de 10 anos no tempo. Esta nova colecção da Sony de títulos seus trabalhados para a alta definição e reunidos num só disco provou ser a mais importante de todas as três actualmente disponíveis no mercado. Na altura em que a Sucker Punch começou a sua trilogia de jogos de plataformas e acção furtiva na PlayStation 2, esta era vista por mim como uma espécie de patinho feito das três disponíveis: Jak & Dexter, Ratchet & Clank e claro, Sly Cooper. Numa altura em que estas três trilogias iam tendo os seus lançamentos em espaços de tempo muito aproximados entre si, as séries da Naughty Dog e Insomniac gozavam de maior e indiscutível popularidade e conquistaram a minha atenção.

Sejam porque motivos que tenham surgido na altura, o certo é que nunca dei à trilogia da Sucker Punch a sua mais do que merecida oportunidade, compreendo isso agora, mas a Sony deu-me uma espantosa ocasião não só para corrigir esse erro como para também desfrutar de um dos jogos que mais facilmente recomendaria a quem tem uma PlayStation 3. The Sly Collection é um produto que certamente fez-me recuar a outros tempos tendo ao mesmo tempo a capacidade para se manter actual e a todos os momentos divertidos, provando todo o seu talento e fazendo-me agradecer esta nova medida tomada pela companhia que lançou a PlayStation. Provavelmente muitos dos que estão a ler estas linhas passaram pelo mesmo e muitos outros provavelmente nunca tiveram oportunidade de o jogar e é chegada a hora de dar a Sly Cooper o reconhecimento devido.

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Sly viaja pelo mundo e temos vários marcos para o assinalar.

O referido personagem felino que dá nome a esta série nasceu numa família de ladrões de longa tradição e se paralelismo pudesse ser feito, seria o de dizer que Sly Cooper é uma espécie de Harry Potter do mundo dos ladrões. Após receber vários ensinamentos da sua família, Sly ia receber um livro através do qual iria aprender os truques e golpes que só mesmo os maiores dos maiores de todos os tempos conheciam. Nesse mesmo dia o seu pai é morto e o livro "Thievius Raccoonus" é roubado por cinco dos mais escrupulosos e mesquinhos ladrões. Agora, enquanto foge da inspectora Carmelita Fox, Sly tem que recuperar o livro que foi dividido em cinco e aprender as habilidades que o vão tornar num mestre ladrão. Este é o mote inicial para a trilogia que nos vai levar a viajar por todo o mundo, repleta de cenários distintos e com personalidades próprias.

Escusado será dizer que faz todo o sentido jogar os jogos pela sua ordem pois mais do que conhecer a história tal como ela foi pensada ao longo dos anos, é desta forma que aprendemos e "sentimos" o evoluir da série das mecânicas que o distinguem dos demais jogos do género. Sly Cooper é uma série de jogos de plataformas que traz para a balança uma jogabilidade assente em elementos de acção furtiva, quase como se Sly Cooper fosse uma espécie de Ratchet meets Fisher sem a momento algum se esquecer que é um jogo de tom leve e aventureiro muito bem humorado. Tudo no jogo, desde as missões e situações que envolvem, aos ambientes, aos inimigos e amigos de Sly transpiram criatividade crescida num forno movido a elegante inteligência.

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A jogabilidade força a furtividade, característica que distingue esta de outras séries no género.

Assim que ultrapassado o nível inicial que nos introduz às mecânicas de jogo que regem todas estas aventuras, que se vão mantendo na sua maioria iguais mesmo com várias novidades introduzidas no segundo e terceiro jogo, ficamos prontos para entrar no mundo de Sly, que na verdade se divide em vários, cada inimigo tem o seu, e cada um com níveis dentro desse mundo que devemos ultrapassar para progredir dentro desse mundo. Como já referido, ao invés de deixar o jogador abordar livremente pelo mundo de jogo enfrentando de "peito aberto" os adversários que habitam nestes mundos, a Sucker Punch harmonizou a experiência com elementos furtivos que ditam toda esta aventura. Mais do que incentivar, o jogo mostra-nos como e porque temos que ser esguios na arte de eliminar os inimigos.

Com uma personagem tão hábil e tão dotada nas artes acrobáticas, o jogador vai ter que evitar confrontos directos e tentar apanhar os adversários desprevenidos. Especialmente se estiverem a jogar o primeiro que não é nada meigo com os erros que fazemos. Em pontos específicos podemos efectuar certas acrobacias e avançar sobre um design de níveis que congratula o jogador por cada avança e a cada novo passo satisfaz o seu gosto em jogar. Aliás, este é um ponto que quero evidenciar, qualquer um destes jogos deu-me um extraordinário prazer em jogar e o seu maior mérito foi o de a momento algum pensar que estava a jogar um produto com idades a variar entre os 10 e 4 anos. Algumas mecânicas podem evidenciar formas de pensar de outras gerações mas tal pode ser válido para um produto feito há um ano ou até esta semana.

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