Dimension Drive - Análise

Visão periférica.

por Vítor Alexandre. Publicado 2 Janeiro 2018

Fácil de aprender, difícil de dominar. Inspirado em "shmups" clássicos, tem no teletransporte o conceito nuclear e maior desafio.

Versão testada: Switch.

Depois de Dimension Jumper, Brushed Away e Energy Ruch, o estúdio holandês independente 2 Awesome, formado pelo duo David Jimenez e Alejandro Santiago, está de volta com Dimension Drive. Curiosamente, ambos os fundadores passaram pela Agência Europeia do Espaço, antes de assentarem armas e bagagens na produção de jogos. Ambos procuram recuperar as gloriosas experiências arcade que marcaram o seu tempo de adolescência e juventude, mas tentam acrescentar novas perspectivas e elementos no design, como forma de imprimir uma nova direcção às suas produções.

Isso está bem claro em Dimension Drive, lançado no começo do mês de Dezembro para o Steam e agora também disponível na Nintendo Switch. Trata-se de um "shmup" sob perspectiva 2D e com "scroll" vertical" que parece prestar tributo a alguns clássicos do género como R-Type, Ikaruga e mesmo Radiant Silvergun. Por outro lado apresenta uma estética deveras "comic-book", ilustrado a partir do momento que nos é facultada a história. Jackelyne é uma sobrevivente de uma raça em extinção, obliterada pelos alienígenas Ashajuls. O conflito é de grande escala, a missão quase impossível.

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O segmento narrativo ocupa algum tempo ainda antes de entrarmos no contexto bélico, com algumas cenas que não podemos passar à frente, mas compostas por uma boa arte ao estilo comic. Percorrida a fase inicial entramos no jogo. A novidade e elemento nuclear de Dimension Drive é a existência de duas realidades que correm lado a lado, no formato vertical típico dos "shmups" de perspectiva 2D. Jackelyne controla apenas uma aeronave, mas esta é capaz de teletransportar-se para a secção adjacente, e prosseguir o combate, enfrentando novas criaturas e puzzles.

Existe opção para dois jogadores, através de trabalho de equipa.

Para lá do tradicional sistema de combate, que implica o abate de naves e inimigos da frota Ashjauls, teremos que superar obstáculos e até resolver alguns puzzles, através da activação de mecanismos, abrindo caminho à nossa passagem. A jogabilidade é por vezes caótica e um pouco complicada de orientar, até porque este sistema requer algum tempo de adaptação e memorização dos níveis para que possamos tirar o melhor proveito.

Ao posicionarmos a nave numa grelha, na outra está assinalado através de um ponto luminoso a nossa presença, embora nada aconteça à nave caso aquele ponto colida com alguma coisa. Contudo, pode haver vantagem em passar para o outro quadro, residindo aí o desafio, em como tirar o melhor proveito de cada instante. Por vezes é uma forma de fugir a uma situação mais apertada mas há que ter em conta que o reposicionamento da nave na outra realidade implicará novos obstáculos.

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Apesar das vantagens do sistema, não é um método fácil de lidar, implicando um grande trabalho de memorização e até visão periférica, de modo a observar o melhor possível dois segmentos de exploração. Existem padrões de ataque, especialmente nas "boss fights", que acabam por facilitar um pouco, mas de um modo geral a velocidade na deslocação da nave torna a missão muitas vezes complicada e à beira de um cruel desfecho.

"Power ups" são adicionados à frente, melhorando o potencial da nave e até a forma como a manobramos, podendo abrandar o ritmo, mas também estas possibilidades adicionais, ao acrescentarem mais variedade, projectam mais dificuldades em termos de desafio. Atenção, navegação quase cirúrgica e estratégica são cruciais a fim de levarem de vencida os múltiplos níveis que compõem Dimension Drive.

A dificuldade é escalonável, desde a passagem normal até WTF!,o jogador escolhe. Podem jogar com outra pessoa ao vosso lado, através do modo cooperativo para dois jogadores e não faltam tabelas de liderança para os mais dedicados às pontuações. Em suma, estamos perante um "shmup" tipo clássico, dotado de um crucial mecanismo que ao permitir o teletransporte da nave muda a forma como nos acostumamos a jogar. A sua implementação, porém, revela-se algo discrepante, por um lado na possibilidade de uma navegação mais rápida mas nem sempre fluída, condicionando a progressão em secções mais apertadas. Não obstante é uma óptima alternativa aos "shmups" clássicos.

Fácil de aprender, difícil de dominar. Inspirado em "shmups" clássicos, tem no teletransporte o conceito nuclear e maior desafio.

Versão testada: Switch.

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