Call of Duty: WWII - Análise

De volta aos bons velhos tempos.

por Jorge Loureiro. Publicado 7 Novembro 2017

Call of Duty passou nos últimos anos por uma crise de identidade e esteve perdido até agora. Observando bem, diria até que a série esteve um bocado à nora desde o início desta geração de consolas. Houve, claramente, jogos melhores do que outros, mas havia dificuldades em recuperar a glória dos velhos tempos. O tema futurista, embora tenha gerado propostas interessantes como Advanced Warfare e Black Ops 3, não apelava aos puristas, que afirmavam a pés juntos que aquilo não era Call of Duty. Com Infinite Warfare, a série nunca esteve tão afastada da sua génese e, apesar do seu sucesso anual, estava a perder o apelo aos poucos. Estava mais do que na altura de voltar origens.

Por origens, entenda-se a Segunda Guerra Mundial. Foi com um retrato deste acontecimento histórico e que mudou a história da humanidade que Call of Duty se estreou nos videojogos. O último jogo da série com este cenário foi World At War, de Novembro de 2008, que se focava no confronto do Pacífico. Desde então que a modernidade e o futuro têm sido os principais temas da série. Quase 10 anos depois, Call of Duty está finalmente de volta a "casa". Mas será que este regresso às origens fez bem a série? Que novidades trouxe? São questões importantes e que tantos os fãs como cépticos têm em mente.

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Há muito que o modo história de Call of Duty tem sido algo secundário. Todos os novos jogos têm, efectivamente uma história, mas já não tinha memória de ser minimamente interessante, tanto é que muitos jogadores iam directamente para o multijogador online e nem sequer terminavam a campanha. Tinha esperança que Call of Duty: WWII fosse diferente, até porque a Segunda Guerra Mundial tem muito material e potencial para criar uma história épica. A boa notícia é que o modo história é infinitamente superior aos títulos mais recentes, conseguindo criar momentos emocionais e alguma ligação aos nossos companheiros de esquadrão. A história segue apenas o último ano da Segunda Guerra Mundial, a partir do momento em que as forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia.

O desembarcar na Normandia é um dos melhores momentos do modo história. Sangrento, brutal e impiedoso. O jogo recria com sucesso o choque emocional que deve ter sido para os soldados. Ver os companheiros a servir de "carne para canhão", ouvir os gritos de dor e desespero, enquanto temos uma chuva de balas de bombas na nossa direcção. Não é o único momento épico da campanha, há vários, mas para não estragar surpresas, prefiro não entrar em detalhes. Não é perfeito, existem alguns clichés típicos de Call of Duty (somos, mais uma vez, um herói americano que salva sempre o dia), e pessoalmente, preferia que a Sledgehammer Games fosse ainda mais bruta e cria a retratar os efeitos da guerra, mas é um bom modo história, algo que já não tínhamos num Call of Duty há muito tempo.

O modo história não é contínuo. Começa nas praias da Normandia, mas depois vai saltando semanas ou meses, acompanhando os momentos mais cruciais, como a libertação de Paris e depois a investida para o território Alemão. As cinemáticas são fantásticas e em certos momentos estão muito próximas do real. Em grande parte o realismo e proximidade que vai sendo criada com os nossos companheiros de equipa é graças aos actores contratados pela Activision, que emprestam cara e voz às personagens. Quanto à longevidade, deverão demorar cerca de 6 a 8 horas para terminar, dependendo da dificuldade e das vossas aptidões. Para além dos típicos coleccionáveis, há momentos heróicos opcionais em que podemos salvar soldados à beira de morte.

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Não é apenas a história que beneficiou do cenário da Segunda Guerra Mundial. O regressar ao passado trouxe para o multijogador online, o coração de Call of Duty, uma experiência mais purista e menos focada em habilidades especiais. Os duplos saltos eram divertidos, mas estava farto deles. O mesmo vale para as habilidades futuristas. O mais importante em Call of Duty: WWII é a arma nas tuas mãos e a tua habilidade para reagir rapidamente e analisar estrategicamente os mapas. Ainda existem diferentes classes - Infantry, Armored, Airborne, Montain e Expeditionary - que garantem habilidades únicas. Também existem os já conhecidos killstreakes, que permitem invocar aviões que revelam as posições dos inimigos ou até bombas aéreas. São os elementos tradicionais de Call of Duty e não estávamos à espera que desaparecessem.

Todos os modos tradicionais de Call of Duty estão de volta, mas o destaque vai para o War Mode. É um novo modo com objectivos que procura adicionar uma componente histórica ao multijogador. Este modo leva-nos para momentos como a invasão da Normandia. Cada equipa assume papéis diferentes. De um lado temos os aliados, do outro as forças Alemãs. Os aliados têm que atacar e cumprir os objectivos dentro do tempo limite, enquanto os Alemães têm que defender. É um modo que vem apimentar o multijogador de Call of Duty e que requer trabalho algum trabalho de equipa. No final ganha o lado com mais objectivos cumpridos. Os restantes modos dividem-se entre o típico Deathmatch, Free-For-All, Kill Confirmed e por aí em diante.

Pela primeira vez em Call of Duty temos um espaço social. É um espaço que serve para abrir lootboxes em frente aos outros jogadores (sim, é verdade) mas também para requisitar Orders e Contracts (matar x inimigos, ganhar x jogos, etc). Neste sítio, claramente inspirado pela Torre de Destiny, podes ainda testar a tua pontaria na zona de alvos, assistir a torneios de Call of Duty ou até personalizar emblemas. No fundo é uma adição engraçada que coloca o foco na comunidade e que junta num só sítio algumas funcionalidades já conhecidas. A comunidade de Call of Duty é enorme e até agora não havia forma de interagir com os outros jogadores a não ser nas partidas.

Em termos de progressão, o esquema é idêntico a Call of Duty anteriores. O objectivo é subir de nível e chegar ao Prestige, desbloqueando armas e modificações durante o processo. Existe imenso para desbloquear. O multijogador tem uma grande longevidade. Para além das armas e modificações, há emblemas animados que só podem ser ganhos se completarem certos objectivos. Sobre as microtransacções, de momento os Supply Drops, que podem ser ganhos ao completar as referidas Orders e Contracts, não contêm armas, apenas itens meramente cosméticos. Não sabemos se de futuro continuará assim, mas é bem melhor do que as microtransacções de Infinite Warfare, em que era possível obter armas melhores através dos Supply Drops.

Complementando o pacote, temos o modo Nazi Zombies, que se tornou ao longo dos anos num dos mais populares da série. É um modo de sobrevivência com suporte para quatro jogadores em simultâneo. O objectivo é sobreviver e cumprir os objectivos, de forma a desbloquear os Easter Eggs. Diversão e desafio não faltam neste modo, principalmente se tiverem na companhia de amigos. Tal como o resto do jogo, foi aplicada a formula pré-existente a este novo. É matar zombies, juntar créditos para abrir as portas e comprar armas e habilidades, e ir descobrindo os passos necessários para activar a próxima fase. O modo Nazi Zombies também conta com um sistema de níveis que dá acesso a novos Mods. Os efeitos dos Mods variam, mas podem aumentar a quantidade de munição , equipar uma terceira arma primária, aumentar o dano dos tiros na cabeça, entre outras coisas.

Ultimamente, Call of Duty continua a ser Call of Duty. O regresso à Segunda Guerra Mundial fez bem à série e esta é definitivamente a melhor adição desde o início da actual geração de consolas. É um jogo divertido, completo, refinado e com um bom modo história, se bem que provavelmente o maior número de horas serão passadas no multijogador online e Nazi Zombies. O War Mode é, sem dúvida, uma adição valiosa ao multijogador, mas modos semelhantes já tinham sido implementados noutros jogos de tiros. Apesar disto, é uma das melhores propostas deste ano para aqueles que estão à procura de um novo jogo de tiros.

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